Sucesso imediato contra Di Grassi mostra: Rast era capaz de voar mais alto na carreira

René Rast chegou faz pouco tempo na Fórmula E, mas já é um grande desafio para o experiente Lucas Di Grassi. O alemão comprova, ainda que já aos 34 anos, que tem vasto talento

Verstappen assume liderança da F1 após vitória: assista aos melhores momentos do GP de Mônaco (GRANDE PRÊMIO com Reuters)

Já se falou bastante, no GRANDE PRÊMIO também, sobre a fase ruim de Lucas Di Grassi na Fórmula E. O brasileiro é uma decepção óbvia ao completar a primeira metade da temporada em 19° no Campeonato de Pilotos. Só que uma análise com esse foco acaba sendo uma forma de injustiça: precisamos destacar também o belo trabalho de René Rast, que pontua bem e tira de letra a adaptação ao campeonato elétrico.

Os resultados não são necessariamente dignos de manchetes, mas Rast é oitavo no Campeonato de Pilotos com pontos em quatro de oito ePs, sempre dentro do top-6. Ainda não houve um pódio nesse ano, por exemplo, que seria capaz de carimbar o bom momento. Só que essa análise mais aprofundada da classificação do campeonato aponta também que o alemão é o melhor piloto dentre os que nunca disputaram uma temporada completa da FE – não necessariamente novato, já que correu as etapas de Berlim em 2020, mas ainda sem muita experiência. Em outras palavras: a adaptação a um estilo muito diferente de automobilismo vai muito bem, obrigado.

Rast virou alguém essencial para a Audi justamente pelo momento ruim de Di Grassi. Fossem dois pilotos com a pontuação do brasileiro, a montadora estaria em 11° no Campeonato de Equipes. Com o alemão trazendo resultados melhores, fica em um até honesto sexto posto. É uma dinâmica inédita na esquadra, que sempre pôde contar com Lucas para trazer os melhores resultados.

René Rast é oitavo no campeonato (Foto: Audi Abt)

Isso nos leva a outro aspecto da comparação. Não é que Di Grassi é um piloto ruim, longe disso. Contra o simplesmente mediano Daniel Abt, Lucas não teve dificuldade alguma em se portar como o líder da Audi e sempre somar mais pontos, isso ao longo de seis anos como companheiros de equipe. Ter Rast à frente, apesar de tal situação ainda ser reversível, é um sinal da diferença de talento entre os dois alemães.

O curioso, e também um tanto triste, é que esse talento demorou até ser realmente apreciado. Rast já tem 34 anos e só virou alguém mais reconhecido em tempos recentes. Até 2016, quando já era trintão, o maior feito da carreira era o tricampeonato na Porsche Supercup. Claro, um grande feito, mas de nicho. Passagens pelo FIA GT e pelo WEC foram menos vistosas. Eis que, em 2017, tudo mudou: René começaria uma sequência de três títulos no DTM em quatro anos. Todos pela Audi, que enfim confiou no agora veterano para assumir um carro na Fórmula E.

Esta análise não tenta menosprezar o DTM de forma alguma, mas é importante dizer que os títulos de Rast vieram em uma fase menos brilhante do campeonato. Em 2019 e 2020, por exemplo, a Audi precisou lutar apenas com a BMW. René provavelmente tem o talento para ser campeão em uma era mais dourada do certame alemão, mas não teve a oportunidade. Não é culpa dele, mas é uma pena.

René Rast virou tricampeão no DTM (Foto: Audi)

A chance na FE pode ser a deixa para voar alto em um grid bem mais competitivo e parelho. Só que esse cálice já vem envenenado: a Audi deixa o grid no fim da temporada e o futuro de Rast voltará a ser de incertezas. O bom momento atual abre margem para encontrar vaga em outra equipe até com alguma facilidade, mas será uma equipe de ponta? Será nas condições de realmente voar mais alto do que voa agora? Aos 34 anos, o agora veterano não tem muita margem de manobra em caso de passos dados em falso.

Rast vive carreira vitoriosa e, quando pendurar o capacete – isso num futuro não necessariamente próximo –, vai poder se orgulhar da jornada. Afinal, chegou onde chegou muito mais na base do talento do que na base do dinheiro. Ainda assim, é válido se perguntar: com oportunidades diferentes, onde daria para chegar? Se a carreira nos monopostos começou bem, daria para fazer algo maior na Fórmula 1 ou no Mundial de Endurance? São perguntas que ficam sem respostas. Pelo menos a Fórmula E 2021 mostra que Rast sempre soube guiar, não importa onde.

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