Trio de equipes se destaca, mas só Jaguar tem #1 definido. E agora vem Roma (?)

DS Techeetah, BMW e Jaguar estão à frente das demais equipes do pelotão. Há, contudo, uma diferença entre as três: a Jaguar já sabe que Mitch Evans é o seu candidato ao título, enquanto as outras duas contam com uma dupla de mesmo nível. Quanto ao restante do campeonato, tudo é nebuloso neste momento, por conta do coronavírus

O eP de Marrakech reforçou uma impressão que ganhara corpo na Cidade do México: três equipes estão à frente do restante das rivais. Apesar do começo forte da Mercedes, o estreante time alemão não é um destes. As pontuações consistentes foram impulsionadas pelos pódios de Stoffel Vandoorne na Arábia Saudita, mas o ritmo é outro. DS Techeetah, BMW e Jaguar são as três equipes que se aproximam da marca da metade do campeonato como as melhores do grid. É o trio que tem condições reais de lutar por vitórias.
 
E, sim, lembramos que a Virgin venceu em Ad Diriyah, com Sam Bird. Já dois meses e quatro corridas, porém, um bom tempo passou desde lá e o panorama que se desenhou coloca o time inglês como uma boa coadjuvante, nada mais. Nem perto de lutar novamente para vencer. 
 
O trio se destaca. A BMW lutou pela vitória e ocupou as primeiras colocações em quatro das cinco etapas. Quanto aos pontos, o pior resultado foi em Ad Diriyah 1, mas somente por conta de um problema de gerenciamento de energia da equipe que acabou empurrando os dois para trás. Tanto Alexander Sims quanto Maximilian Günther já venceram uma corrida e foram a outro pódio – o alemão teria ido a outros dois, não fosse uma punição das mais esquisitas em Ad Diriyah 2. A equipe colou nos 90 pontos no campeonato: 46 para um, 44 para o outro.
 
A DS Techeetah foi a rainha da prova deste sábado (29), no Marrocos. António Félix da Costa venceu por mais de 11s, a terceira maior margem de um vencedor em toda a história da categoria. E Jean-Éric Vergne, mesmo sem treinar na sexta-feira e classificando em 11º, ficou com a terceira colocação. Faltava, até agora, uma corrida em que os dois pilotos pontuassem bem, mas chegou. Nas provas anteriores, em que Da Costa terminou em segundo – Chile e México -, o português largou longe das primeiras colocações e se recuperou. Vergne fazia algo parecido em ambas. Agora que Da Costa fez a pole, não teve como impedir uma vitória dominante.
O pódio do eP de Marrakech (Foto: FIA Fórmula E)
No campeonato, a DS Techeetah tem 98 pontos: 67 com Da Costa, 31 com Vergne.
 
Por fim, a Jaguar. "Mas a Jaguar?", o leitor pode perguntar. Sim, a Jaguar. Mitch Evans foi sexto colocado em Marrakech, enquanto James Calado foi 16º. Como isso provou que a fábrica inglesa está no nível das rivais? Bom, porque a posição de Evans é absolutamente mentirosa. O neozelandês largou na última colocação, limpou 3/4 do pelotão e chegou em sexto e marcou nove pontos – oito da posição e um da volta mais rápida. A classificação desastrosa foi fruto de um erro de principiante da Jaguar, que fez com que Evans não abrisse volta antes da bandeira quadriculada. A volta que ele acabou fazendo de qualquer maneira, embora não tenha sido cronometrada, era suficiente para colocá-lo na Superpole. E se tivesse largado entre os seis? A briga pela vitória era uma possibilidade.
 
Claro que não foi o que aconteceu e o 'se' não entra na pista, vez ou outra essa justificativa aparece aqui na análise pós-corrida da Fórmula E. Há um motivo para isso: para entender o contexto do campeonato é necessário olhar para mais que apenas a última pontuação. Leituras simplistas nunca levam a um entendimento concreto daquilo que você se propõe a analisar. 
 
Evans tinha carro para lutar por pódio, pelo menos, em Marrakech, mas foi vítima das circunstâncias. Antes disso, venceu de maneira contundente no México e foi ao pódio no Chile. O carro é capaz. A diferença da Jaguar para BMW e DS Techeetah é que Evans marcou 56 dos 66 tentos do Campeonato de Equipes. Ele é a equipe. Evans é o piloto #1 que a BMW e a DS Techeetah não podem se dar ao luxo de selecionar. 
 
É uma diferença que não vai, necessariamente, decidir o campeonato. Mas tem potencial para ter um efeito importante a favor de um time que não vai dividir pontos.
 
A próxima etapa é o eP de Roma, que deu a primeira vitória a Evans e a Jaguar na FE há um ano. Em tese, é uma chance importante de fazer com que Mitch recupere a liderança do campeonato, mas a questão agora é outra. Vai ter eP de Roma? Conforme o coronavírus se alastra no país e pelo mundo, eventos vão caindo e a realização de uma corrida no meio da capital em pouco mais de um mês parece uma zebra. Como Paris e Seul, em outros dois países que já registraram mortes causadas pelo vírus, dão sequência ao calendário, o futuro da temporada está em suspenso. É o grande mistério, muito maior do que a parte competitiva.
Mitch Evans (Foto: Jaguar)
Declarações dos pilotos
 
Da Costa comentou as decisões estratégicas que teve durante a prova e celebrou a recuperação do companheiro.
 
"Meio que acabei permitindo aproximação de Max [Günther] em certo ponto. Então o forcei a usar a energia extra que sabia que tinha, sabia que era melhor assim, então forcei. Então, no segundo Modo Ataque, estava controlando André [Lotterer] e tudo saiu perfeitamente. Tínhamos um bom plano em mente, bom trabalho dos caras lá em casa, na França. Fizemos um trabalho duro e se pagou. Foi muito legal. Devo dizer que JEV teve um fim de semana muito, muito difícil, tiro meu chapéu para ele. Teve um dia difícil [estava doente] e conseguiu um pódio para a equipe", disse.
 
Já o segundo colocado, Günther, exaltou a disputa com Vergne.
 
"Sim, foi muito intenso. Foi uma boa corrida, acredito que nos saímos bem. No final, foi bastante emocionante com Vergne, ele me passou em seus últimos segundos de Modo Ataque. Mas conseguimos recuperar no final, foi uma sensação boa, estou feliz por hoje. Foi impressionante o que ele [Vergne] fez hoje, a recuperação na corrida. Tínhamos uma vantagem de energia e foi o que usamos na parte final da corrida" declarou. 
António Félix da Costa e Jean-Éric Vergne (Foto: FIA Fórmula E)
Tão elogiado, Vergne deixou claro: correr em Marrakech foi uma tarefa hercúlea. 
 
"Foi a corrida mais difícil da minha carreira na FE. Apesar de não ter treinado ontem, assisti tudo do hospital. Não estava me sentindo bem hoje, mas a equipe foi excelente. Durante a corrida, dei tudo que eu tinha e, quando o engenheiro disse que eu estava em quarto, não pude acreditar. Tive uma boa briga com Max [Günther] perto do fim, mas sabia que ele ia passar. Tentei defender como dava, mas não tinha muita energia. Estou feliz de voltar ao pódio", falou. 
 
Lucas Di Grassi valorizou o resultado, mas deixou claro que a Audi não está entre as principais forças do campeonato. 
 
"Foi uma corrida boa dentro do que a gente podia entregar. Fizemos uma corrida de recuperação, de 13º para 7º, peguei mais seis pontos, mas o carro não está no nível que a gente precisa. Temos que trabalhar mais nesse intervalo de um mês até Roma para entender o motivo de a Techeetah e a Jaguar estarem tão fortes, eles estão muito na frente, equipe e pilotos. Enfim, temos que trabalhar muito", disse.
Felipe Massa (Foto: FIA Fórmula E)
Felipe Massa lamentou profundamente o fim de semana que teve e revelou um problema grave nos freios.
 
"Sem dúvida foi um fim de semana terrível em todas as sessões, treinos e corrida. Tem alguma coisa que não funciona da maneira correta. O maior problema é freio, a cada freada forte a roda dianteira trava, isso está atrapalhando muito. Não consigo melhorar e entender o problema do freio, estamos procurando no carro, mas até o momento não encontramos. Sofri o fim de semana todo com falta de ritmo. Tem que tentar solucionar o mais rápido possível", argumentou. 
 
O calendário da Fórmula E é retomada com o eP de Roma, ainda em dúvida, em 4 de abril.

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