Após cinco anos de F1 na Band, a Globo readquiriu os direitos de transmissão da principal categoria do esporte a motor. Confira dez momentos que a emissora carioca exibiu e que ficaram eternizados na história do esporte

A temporada 2026 da F1 está prestes a ter início e, além das novidades no regulamento de chassis e motores, o público brasileiro terá uma nova forma de acompanhar as corridas. Após cinco anos de transmissão na Band, a Globo adquiriu os direitos da categoria no Brasil e vai exibir 15 corridas na TV aberta, enquanto todas as 24 estarão disponíveis no canal fechado SporTV.

A Globo, na verdade, é uma conhecida de longa data da F1 e deteve os direitos de transmissão da categoria no país de forma ininterrupta entre 1981 e 2020. Ao longo dos anos, a emissora carioca exibiu momentos que ficaram eternizados na história da categoria. O GRANDE PRÊMIO separou dez deles. Confira:

GP dos Estados Unidos de 1974

Além de marcar um dos primeiros passos da transmissão da F1 na televisão brasileira, o GP dos Estados Unidos de 1974 é lembrado pela conquista do bicampeonato de Emerson Fittipaldi.

Fittipaldi chegou à última etapa daquele ano empatado com Clay Regazzoni e com sete pontos a mais que Jody Scheckter. Porém, ao contar com o tropeço dos rivais e cruzar a linha de chegada em quarto lugar, o brasileiro marcou três pontos, que foram suficientes para assegurar o título.

Emerson Fittipaldi conquistou o bicampeonato em 1974 (Foto: Reprodução)

A prova em Watkins Glen foi a primeira transmissão feita pela Globo no exterior. Helio Costa, correspondente nos EUA, foi o repórter, enquanto a narração foi de Luciano do Valle, com comentários de Giu Ferreira.

GP da África do Sul de 1983

Última etapa da temporada, o GP da África do Sul foi a corrida que encerrou a temporada de 1983 da F1 e tinha Nelson Piquet e Alain Prost como principais postulantes ao título, com o brasileiro dois pontos atrás do francês.

Porém, devido aos problemas de transmissão na época, o sinal vindo via satélite, direto de Kyalami, calou a equipe de transmissão, que contava com Galvão Bueno e Reginaldo Leme. Coube então a Léo Batista, que estava no estúdio no Rio de Janeiro, assumir a transmissão nas voltas iniciais.

Nelson Piquet conquistou dois títulos com a Brabham (Foto: Reprodução/Reddit)

Na corrida, Piquet viu Prost abandonar e completou a prova na terceira posição para assegurar o bicampeonato na F1.

GP do Brasil de 1986

O autódromo de Jacarepaguá foi palco da abertura da F1 na temporada de 1986 e o fã local não poderia desejar um resultado melhor para a corrida. O domínio dos pilotos da casa começou já na classificação, com Ayrton Senna cravando a pole com a Lotus, enquanto Nelson Piquet fez o segundo tempo com a Williams.

Embora tenha largado atrás, Piquet sobrou na corrida e cruzou a linha de chegada na ponta com 34s8 de vantagem sobre Senna. O piloto da Lotus também terminou muito à frente (24,9s) de Jacques Laffite, terceiro colocado.

GP do Japão de 1988

A prova em Suzuka não marcava o fim da temporada de 1988, mas tinha o potencial de definir o campeão da batalha que estava restrita a Ayrton Senna e Alain Prost, dupla da McLaren.

Após superar o rival e cravar a pole-position, Senna teve uma largada ruim na corrida, despencou para o meio do pelotão e precisou fazer uma corrida de recuperação antes de conseguir ultrapassar Prost para retomar a liderança e assegurar o primeiro título da carreira.

Ayrton Senna conquistou o primeiro título na F1 em 1988 (Foto: F1)

O público brasileiro, que já admirava os feitos de Senna na pista, assistiu à transmissão da Globo ao longo da madrugada, com a voz de Galvão Bueno na narração, que soltou o grito quando Ayrton cruzou a linha de chegada em primeiro: “O Brasil inteiro aguarda. Ayrton Senna do Brasil. Campeão mundial de 1988”.

GP do Brasil de 1991

Embora talentoso e com um equipamento competitivo em mãos, Senna ainda não havia conseguido alcançar a tão sonhada vitória em casa. Depois de sofrer com quebras, abandonos e até desclassificações, Senna só conquistou a primeira vitória no Brasil em 1991.

Também com a narração de Galvão Bueno, a vitória ficou memorável não apenas por ser a primeira em casa, mas também pelo conhecido drama de completar sete voltas com apenas a sexta marcha. No rádio, uma novidade para o grande público da época, os gritos emocionados do piloto foram marcantes na história das transmissões esportivas no país.

GP de San Marino de 1994

A relevância da cobertura do GP de San Marino não se resumiu apenas à corrida. O fim de semana ficou marcado pelo forte acidente de Rubens Barrichello no treino livre de sexta-feira, pela morte de Roland Ratzenberger na classificação, no sábado, e, no dia seguinte, pelo acidente que resultou na morte de Ayrton Senna.

O GP de San Marino de 1994 ficou marcado pela morte de Senna (Foto: Reprodução)

Na TV, a morte do ídolo brasileiro foi transmitida ao vivo do circuito de Ímola. Enquanto a equipe médica atendia o tricampeão ainda na pista, era possível perceber a voz embargada de Galvão. A vitória de Michael Schumacher ficou em segundo plano.

Mais tarde, após a corrida, o Plantão da Globo foi ao ar para informar “uma notícia que nunca gostaríamos de dar”: “Ayrton Senna da Silva está morto. Morreu Ayrton Senna da Silva. Comunicado oficial do Hospital Maggiore, de Bolonha”, disse o repórter Roberto Cabrini.

GP da Alemanha de 2000

Desde a morte de Senna, embora o Brasil tenha continuado na F1, os pilotos não estavam em equipes competitivas e, por isso, o país passou por um jejum de vitórias.

O hiato foi interrompido no GP da Alemanha de 2000, com Rubens Barrichello. Largando da 18ª posição, o brasileiro ousou na estratégia com a Ferrari e seguiu com pneus de pista seca no “chove e não molha” em Hockenheim.

Rubens Barrichello conquistou a primeira vitória na Fórmula 1 na Alemanha (Foto: AFP)

A transmissão ainda ficou marcada pelo “capricha, que hoje é seu dia, Rubinho”, de Galvão, que pode ser interpretado como uma ironia dirigida a quem fazia piada com o piloto, que ainda não havia vencido na F1, e pela emoção do comentarista Reginaldo Leme.

GP da Áustria de 2002

Com narração de Cléber Machado e comentários de Reginaldo Leme, um episódio envolvendo Barrichello marcou a transmissão do GP da Áustria de 2002.

Em um campeonato marcado pelo domínio de Michael Schumacher, que venceu quatro das primeiras cinco corridas, Barrichello sobrou no fim de semana na Áustria e caminhava para a vitória após largar da pole-position.

O clima do pódio ficou tenso no GP da Áustria de 2002 (Foto: Reprodução)

Porém, a Ferrari ordenou a troca de posições, e o brasileiro tirou o pé para o alemão assumir a ponta nos metros finais. Machado, que acreditava que Barrichello manteria a dianteira, narrou o memorável “hoje não, hoje não, hoje sim” ao ver Schumacher tomar o primeiro lugar.

GP do Brasil de 2008

Fora da briga pelo título desde a época de Senna, o Brasil finalmente teve a chance de voltar ao topo da F1 com Felipe Massa, em 2008. Naquela temporada, o piloto da Ferrari chegou à última etapa, em Interlagos, com chances matemáticas de título e tinha uma desvantagem de sete pontos em relação a Lewis Hamilton.

Caso vencesse a corrida, Massa precisava que Hamilton terminasse em sexto lugar para garantir o título. O brasileiro fez o dever de casa, dominou o fim de semana e venceu em casa após largar da pole position. Inclusive, quando cruzou a linha de chegada, Lewis estava na sexta posição.

Felipe Massa venceu o GP do Brasil de 2008 (Foto Reprodução)
Felipe Massa venceu no Brasil, mas não ficou com o título (Foto: Reprodução)

A euforia tomou conta da cabine de transmissão, uma vez que o resultado momentâneo dava o título ao brasileiro. Porém, Timo Glock, que estava com pneus slicks na chuva, foi ultrapassado por Hamilton na última curva. O “passou o Glock”, anunciado pelo comentarista Luciano Burti, e o “o Glock não aguentou”, dito por Galvão, mudaram o clima da transmissão.

GP da Turquia de 2020

O GP da Turquia foi a 14ª etapa daquela temporada que ficou marcada pelos impactos da Covid-19, mas também é lembrada pela conquista do heptacampeonato de Lewis Hamilton.

Ainda que faltassem quatro provas para o fim do campeonato, Hamilton, que dominou aquele ano, chegou à Turquia com boas chances de assegurar o título. O fim de semana, no entanto, ficou marcado pelo caos do asfalto pouco aderente e da chuva. Assim, Lewis largou apenas de sexto.

Hamilton conquistou o sétimo título no GP da Turquia de 2020 (Foto: Mercedes)

Porém, se aproveitando do erro dos rivais e imprimindo um ritmo impressionante, o #44 fez um stint mágico com os pneus intermediários e cruzou a linha de chegada com mais de 30s de vantagem para Sebastian Vettel, segundo colocado. Valtteri Bottas, principal rival na briga pelo título, fechou apenas em 14º e ficou fora da briga pela taça.

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