10+: Helio 300 – as 10 maiores corridas de Castroneves — eleitas por ele

Ele mesmo foi quem escolheu: no dia da 300ª corrida de Helio Castroneves na Indy, relembre as melhores corridas do brasileiro três vezes vencedor das 500 Milhas de Indianápolis, prestes a completar 40 anos

Artes de Rodrigo Berton

Este é um fim de semana bastante especial para Helio Castroneves. Não só por causa de seu 40º aniversário, celebrado neste domingo, ou pelo fato de disputar uma prova no autódromo onde venceu três vezes a prova mais importante do automobilismo norte-americano. Neste sábado (9), a corrida em Indianápolis será a 300ª do brasileiro na categoria.

Castroneves estreou em 1998 e, desde 2000, defende a principal equipe do campeonato, a Penske. Neste período, consolidou-se como um dos principais pilotos do grid, somando mais de 40 poles e quase 30 vitórias. E, claro, ganhou três vezes a Indy 500

Para celebrar este importante marco alcançado em sua carreira, Castroneves, a pedido do GRANDE PRÊMIO, elegeu suas dez melhores corridas na Indy. Confira a lista:

Já no ano de estreia, Helio Castroneves foi deixando sua marca na CART — que ficou conhecida no Brasil como F-Mundial, como o SBT chamava o campeonato. Vice-campeão da Indy Lights, não chegou a vencer na elite do automobilismo norte-americano, mas fez uma excelente corrida no oval de uma milha de Milwaukee para terminar na segunda colocação. Ele pressionou Jimmy Vasser até o fim pela vitória, com ambos precisando poupar combustível nas voltas iniciais. Assista:

É verdade: quando acabou a corrida, Castroneves ficou meio perdido. Vencedor, não sabia direito para onde tinha de ir. Nas voltas finais, inclusive, o narrador norte-americano questionou: “Ele já vibra tanto quando vai bem, o que fará se vencer sua primeira corrida?”. Helio acabou parando o carro da Penske no meio da reta e correndo para o alambrado. Nascia ali o ‘Homem-Aranha’.

 Castroneves não podia dar a Roger Penske um retorno melhor às 500 Milhas de Indianápolis. Com a cisão entre a Cart e a Indy, a equipe mais vencedora da prova estava afastada já há alguns anos. Mas em 2000, começando a flertar com a mudança para a IRL, voltou ao Brickyard. O jovem brasileiro caprichou e andou nas primeiras colocações o tempo todo para vencer com estilo.

Este foi o dia em que Helio Castroneves aprendeu que também é possível vencer sem ter o melhor carro. Se no ano anterior ele pôde liderar mais de 50 voltas da corrida, em 2002 ele andou na frente apenas nas últimas 24 passagens. E ainda houve controvérsia: a duas voltas do fim, um acidente provocou uma bandeira amarela com Helio ainda à frente de Paul Tracy. Acontece que Tracy o ultrapassou e depois recorreu do resultado alegando que sua manobra fora válida. O recurso foi negado, e muita gente acusou a decisão de ser política favorável à equipe da IRL contra a Green, que competia na CART. Fato, mesmo, é que Castroneves foi o vencedor.

 Helio passou por maus bocados no começo de 2009. Acusado de evasão de divisas e outros crimes fiscais, chegou a ser preso e enfrentou um longo julgamento nos Estados Unidos. No final, perdeu duas corridas, mas acabou absolvido de todas as alegações da promotoria. E não poderia haver forma melhor de deixar o caso no passado do que vencendo em Indianápolis. Foi o que ele fez: pole e vitória, um triunfo incontestável e extremamente emocionante.

Castroneves tinha uma sequência de 11 temporadas com vitórias na Indy, entre 2000 e 2010, quando passou 2011 em branco. Uma seca que não foi nada fácil de encarar, mas que, felizmente para o piloto, chegou ao fim rapidamente no início do ano seguinte com uma vitória dominante em São Petersburgo. Também foi um triunfo histórico: o primeiro da atual geração de carros da Indy, o DW12.

 Aqui, um momento família de Castroneves, que levou a melhor na primeira edição do GP do Alabama, em Barber. Aquela foi a terceira etapa do campeonato e a terceira prova que ele disputou após o nascimento da filha Mikaella. Para vencer, precisou segurar os ataques de Scott Dixon nas voltas finais. E desde então ele manteve um bom retrospecto no circuito, voltando a marcar a pole em 2012 e 2015 e indo ao pódio mais duas vezes.

Piloto brasileiro disputando o título e vencendo a etapa decisiva, mas terminando com o vice. Foi um roteiro visto em dobro em 2008, na F1 e na Indy. Nos EUA, Castroneves largaria na frente, mas recebeu uma punição por andar abaixo da linha branca na classificação em Chicago e partiu em último. Fez uma corrida incrível de recuperação e passou pela chegada lado a lado com Dixon. A princípio, a vitória foi dada para Dixon, que inclusive fez festa no pódio. Mas os replays apontaram o erro da cronometragem e a vitória de Castroneves, que ao menos teve a vitória na corrida para celebrar.

 Sim, a corrida em que Helio pegou um segurança pelo colarinho entrou na lista. Castroneves venceu em Edmonton, mas, em uma das mais inexplicáveis decisões da história do automobilismo, foi punido por bloquear Will Power na última relargada, a três voltas do fim. Os carros entraram na curva a metros de distância um do outro na larga reta do aeroporto canadense, mas Helio mesmo assim foi penalizado pela direção de prova. A Penske recorreu, mas a punição foi mantida, Dixon herdou a vitória e Helio recebeu uma multa de US$ 60 mil.

Mas houve redenção. Dois anos mais tarde, já em um traçado diferente no mesmo aeroporto de Edmonton, Castroneves enfim pôde comemorar uma vitória em Edmonton. Foi um triunfo bem disputado com Takuka Sato e que o deixou vivo na luta pelo título e esquentou bastante o campeonato, mas Helio ainda assim não conseguiu alcançar Will Power e Ryan Hunter-Reay, que brigaram pela taça na corrida final.

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