Grid das zebras e do duelo Davi x Golias põe ainda mais interrogações em Indianápolis

A definição do grid de largada do GP de Indianápolis foi marcada por uma série de surpresas e muito equilíbrio entre as equipes e as fabricantes de motor. O que já estava difícil de prever ficou ainda mais complicado e a expectativa é de uma corrida cheia de alternativas

O GP de Indianápolis 1 já tinha tudo para ser uma corrida interessante, afinal, estamos falando da primeira prova em misto da temporada, de uma pista interessante, de calor intenso e, se pensarmos em como o GP do Texas foi estranho, basicamente de uma nova estreia do campeonato da Indy em 2020. Os ingredientes já eram dos melhores, mas a sexta-feira (3) tratou de reservar coisas maiores. Em uma das classificações mais loucas dos últimos tempos, o grid para a etapa deste sábado (4) roubou todas as atenções e ampliou as já fartas interrogações para a disputa.

O primeiro destaque precisa ser para Jack Harvey. Em sua primeira temporada completa, o inglês roubou a cena e passou muito perto de ficar com a pole. No fim das contas, o que se viu foi um clássico duelo Davi x Golias, em que Harvey e sua novata equipe Meyer Shank bateram de frente com Will Power e a gigantesca Penske. Na última volta, no último minuto, a façanha ficou no quase e o australiano é quem vai sair pela 58ª vez na carreira da posição de honra do grid.

Jack Harvey roubou os holofotes em Indianápolis (Foto: Indycar)

Em meio a um cenário de muita incerteza e de tanto equilíbrio, não é exagero algum dizer que, sim, Harvey é um dos principais postulantes à vitória neste sábado, afinal, não bastasse o grande desempenho que teve na classificação, o inglês, em 2019, brilhou no misto do IMS e conquistou o primeiro pódio da carreira com a pista molhada.

“Estivemos trabalhando muito duro desde o ano passado. Conseguimos melhorar uma posição em relação a 2019. Não existe decepção em ninguém aqui por não fazer a pole, não tem isso, conseguimos nos colocar na primeira fila e é isso que importa. Temos um bom ritmo com pneus macios, bom ritmo com os pneus duros. Espero estar competitivo amanhã. Por enquanto, vou curtir o momento e já focar na corrida”, comentou Harvey.

É difícil precisar se a Penske foi exatamente bem na classificação do GP de Indianápolis, já que Simon Pagenaud vai largar só em 20º e Josef Newgarden parte de um mediano sexto lugar. Mas Power, sim, voltou a mostrar que conhece muito do traçado misto do IMS. Dono de três vitórias na pista – mesmo número que tem o companheiro Pagenaud -, Will é o favorito natural ao triunfo, ainda que seja muito complicado cravar algo assim em meio a tanto equilíbrio.

Will Power foi Golias contra Jack ‘Davi’ Harvey(Foto: AFP)

De todo modo, sair do primeiro posto é algo que dá muito confiança a Power, já que estamos falando de alguém que, nos últimos três anos, demorou não mais que cinco corridas para deixar a luta pelos títulos. Se tornou até repetitivo o discurso, mas o veterano fez questão de assumir que, para voltar a ser competitivo de verdade, precisa manter a calma caso os resultados não venham. E uma pole é um belo começo para que os resultados apareçam, pois.

“Não deixamos escapar nada nessa volta rápida. Eu sabia que o Harvey tinha feito um baita tempo, então eu fiz todo esforço possível na última volta, colocamos os melhores pneus, arrisquei tudo que dava. Felizmente, foi suficiente. Você constrói uma estratégia baseando de onde começa. Vai ser mais fácil ir até a curva 1. Você é o primeiro a largar, e é um trecho tão longo que não importa o quão bom você largue, os caras atrás vão estar do seu lado na curva 1. Definitivamente diria que alguns vão tentar duas paradas. Se acontecer apenas uma amarela, será duro. É uma pista que não temos tantas porque temos várias áreas de escape caso erre, você não fica preso. Vai ser interessante”, analisou Power.

Josef Newgarden não classificou bem (Foto: Indycar)

Para Newgarden e Pagenaud, a sensação é a mesma: frustração, especialmente ao verem o parceiro na pole com um carro bastante parecido. O que difere nos casos de Josef e Simon é que o estrago é muito maior para o francês, afinal, é uma de suas melhores pistas e, evidentemente, se recuperar de sexto é muito mais plausível do que de 20º.

“É triste. Não consegui ter ritmo. Não sei o que aconteceu. Não foi legal ter fritado os pneus daquele jeito no fim. Achei que estávamos melhorando, já que ficamos atrás do Will o tempo inteiro. Definitivamente precisamos trabalhar no ritmo de corrida. Previamos estar no top-3 para desafiar o Will, seria uma boa batalha, mas ainda temos chance. Você não vê uma distância dos carros. É claro que Will se destacou, mas é tudo muito próximo. Chevrolet trabalhou forte, conseguimos melhorar um pouco. Espero que tenhamos um bom espetáculo amanhã”, explicou Newgarden.

“É frustrante. Com os pneus vermelhos, sofri muito com a saída de frente do carro nas curvas. Não consegui transformar isso em tempo. É tudo apertado aqui, precisamos de velocidade nas curvas. Perdemos o equilíbrio. Fomos bem de manhã, mas o ajuste que fizemos foi na direção errada. Quando você coloca menos downforce, consegue ser muito mais rápido nas retas. Quando você abaixa a asa dianteira, ganha mais velocidade. Não sei se preciso fazer mais isso amanhã. A corrida é longa, então precisamos pensar nesta decisão”, avaliou Pagenaud.

Oliver Askew parecia que viria para a pole (Foto: Indycar)

Mas nós falamos em um festival de zebras, né? Pois que tal Oliver Askew liderando duas fases da classificação? É verdade que o piloto da McLaren falhou justamente no momento decisivo e ficou apenas com o quinto melhor tempo, mas a demonstração de força ali foi clara e, se a Honda está na cola da Chevrolet, muito se deve ao trabalho do novato, que cravou o companheiro Pato O’Ward, apenas 13º no grid.

“Já tinha bastante experiência aqui. É a pista que eu mais conheço, então isso foi importante junto com um bom carro. Estivemos bem no momento certo, sabia que tínhamos uma chance de ir bem na classificação, fiz algumas mudanças durante o treino livre e a classificação, e o carro melhorou muito. O objetivo era apenas sair do Q1, então estou muito feliz com o carro. Assim que ficamos em primeiro no Q2, percebi que poderia sonhar com a pole. Queria ter colocado pneus vermelhos novos no Q3, mas foi a minha primeira vez tendo essa experiência, então foi muito diferente. Muito feliz por estar no top-6, acho que é um bom dia para todos e estou confiante para amanhã”, disse Askew.

Scott Dixon ficou ali num 7º lugar mediano (Foto: AFP)

Talvez a melhor avaliação da confusão que se viu no IMS tenha vindo de Scott Dixon. O neozelandês não chegou a ser uma zebra no sentido negativo na sexta-feira, mas o sétimo lugar no grid também não é aquelas coisas. O veterano sabe que uma corrida caótica é tendência e sabe também que muita gente mostrou mais força do que o esperado na classificação.

“Fizemos um experimento errado, uma mudança no downforce entre os pneus pretos e vermelhos. Foi meio caótico. Estávamos muito bem com os vermelhos, perdi um pouco na segunda volta, me animei nas curvas 7, 8 e 9. Foi apertado, muitos caras mais rápidos do que esperávamos, o que torna a corrida ainda mais interessante amanhã”, falou Dixon.

Em um cenário em que Power é favorito, Harvey, Colton Herta, Graham Rahal e Askew estão entre os principais postulantes à vitória e que tantos nomes pesados da categoria saem de posições não mais que regulares do grid, o caminho para a corrida só parece um: o caos. E é disso que a gente gosta na Indy.

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