GUIA 2020: Em nome da segurança, Indy enfim inaugura ‘Era Aeroscreen’

Em ano de consistência técnica, a Indy vê a introdução da nova proteção de cockpit, estudada e desenvolvida em parceria com a Red Bull desde 2016, como a grande novidade. Além, claro, do fato de ter um novo - e bastante conhecido - chefão

A temporada 2020 da Indy começa sem grandes revoluções técnicas, mas com mudanças importantes. A maior delas, do ponto de vista prático, é o nascimento do aeroscreen. A proteção de cockpit, estudada e projetada durante anos, enfim toma as pistas. A outra é o começo da Era Roger Penske no comando na categoria, assim como do Indianapolis Motor Speedway. Sob nova direção, o que será a Indy nos próximos anos?

Levando em consideração o aeroscreen como a grande novidade da categoria, que se trate dela. A proteção foi desenvolvida pela Indy em parceria com a Red Bull Advanced Technologies e anunciada em maio de 2019, mas as conversas e pesquisas sobre viabilidade da peça estavam em curso desde o primeiro semestre de 2016. A necessidade de uma proteção como essa voltou a ser tema de discussões após o acidente fatal envolvendo Justin Wilson, em 2015, bem como o de Jules Bianchi, na F1, causando um impacto global no esporte a motor.

O aeroscreen consiste em uma tela laminada de policarbonato que inclui um revestimento antirreflexo no interior do escudo, um dispositivo anti-embaçante por meio de um elemento de aquecimento integral, todos produzidos por empresas terceirizadas. Outro recurso para os pilotos vai ser a opção de resfriamento do cockpit, que vai ser desenvolvida pela Dallara, a fornecedora oficial de chassi da Indy, em conjunto com a Red Bull.

Scott Dixon testando o aeroscreen (Foto: IndyCar)

A estrutura de titânio vai ser montada em três áreas ao redor do cockpit: a linha de dentro do chassi, as montagens laterais traseiras e a integração com o arco de forma a suportar todo tipo de carga. A Red Bull projeta que a carga leve seja de 150 kilonewtons (kN, unidade de medida de força), que seria igual à carga projetada pela FIA para o Halo que é atualmente utilizado pela F1.

Um kilonewton é equivalente a aproximadamente 225 libras, que é uma força de gravidade, não o peso estático ou massa. A força, neste caso, é a massa multiplicada pela aceleração.

Ainda no ano passado, a proteção foi estreada com testes em Indianápolis, Barber e Richmond. Nos testes coletivos deste ano, em Austin, os pilotos já se mostraram acostumados à ideia: “Vou me sentir pelado sem o aeroscreen”, falou Will Power, o campeão de 2014. Mas foi o mesmo Power que revelou um dos problemas que surgiram nos testes: uma goteira.

“Parece que precisa de um reforço na parte de cima porque a água entra enquanto você guia. A água entrou por baixo da tela e pingou de cima”, contou. Na sequência, entretanto, elogiou. “O aeroscreen é ótimo: a água sai da frente e não deixa neblina, mas a chuva pinga no seu volante e visor. Seria um conserto fácil com apenas um reforço”, seguiu.

Will Power apontou um problema da nova proteção de cockpit (Foto: IndyCar)

Outros pilotos apontaram diferentes questões. Charlie Kimball, por exemplo, tratou do calor que o aeroscreen pode causar no cockpit. “Acho que temos alguns problemas de resfriamento para trabalhar. Não foi quente hoje, mas ao mesmo tempo não tive problemas de visão e é muito mais silencioso no carro, com menos barulho de vento, o rádio é mais claro, mas precisamos saber como podemos nos manter frescos em um dia quente”, declarou o piloto após testes em apenas 15ºC de temperatura em Austin ao site norte-americano ‘Motorsport.com’.

Com relação à visibilidade, nenhuma reclamação. “Andamos um pouco na chuva. Teve sujeira na hora de seguir outro carro, mas pareceu sob controle, então não tenho maiores reclamações”, disse Dalton Kellett. “Acho que funcionou bem. Quando o sol baixou, tinha muito brilho na tela, algo que vamos precisar ver com o feedback dos outros pilotos, mas a visibilidade era muito boa”, completou Felix Rosenqvist.

A abertura do campeonato, no sábado, irá mostrar como será a relação dos pilotos com o aeroscreen a partir do momento em que a competição de verdade iniciar e, no caso do Texas, como será o comportamento em uma prova noturna com iluminação artificial.

Roger Penske é o novo poderoso da Indy (Foto: IndyCar)

Sob nova direção

O mês de novembro de 2019 chegou com a grande surpresa do ano, muito mais que o já esperado aeroscreen: a compra da Indy e do Indianapolis Motor Speedway. A Penske Entertainment Corp adquiriu a organização das mãos dos antigos donos, a Hulman & Company.

“Minha paixão por corridas começou em Indianápolis, em 1951, quando fui pela primeira vez em uma Indy 500 com meu pai. Temos muito respeito e admiração pela história do circuito e pela Indy. Quero agradecer a Hulman & Company pela oportunidade de construir neste legado, será uma honra para a Penske Corporation ajudar estas instituições a avançar para uma nova era”, disse Roger Penske no dia do anúncio.

Maior vencedor da Indy 500, Penske falou sobre trazer uma nova montadora para a categoria, além de Honda e Chevrolet, e mostrou ter ideias para a pista, mantendo a política que a gestão anterior adotou.

E os rivais históricos? Engana-se quem pensa que o novo papel da Penske incomoda Chip Ganassi ou Michael Andretti.

“É uma grande notícia para a indústria. A novidade é uma injeção de ânimo tanto para o esporte a motor quando para a Indy, especificamente. Roger é um bom amigo e uma pessoa de classe”, elogiou Ganassi. Andretti foi no mesmo caminho. “Acredito que a notícia seja positiva. Roger sempre mostrou interesse em que o IMS e a Indy fizessem grandes coisas, e tenho certeza que vai continuar a fazer isso no novo papel de dono. Tanto a Indy 500 quanto a Indy estão em crescente, e estou ansioso para ver o crescimento continuar”, finalizou.

Chip Ganassi aprovou Roger Penske na chefia da Indy (Foto: IndyCar)

A primeira grande mudança da Era Penske está na Indy 500 e foi anunciada em fevereiro, exatos 100 dias antes da data original da edição 2020, que passou para agosto por conta da pandemia de coronavírus. A 104ª edição da corrida mais importante do calendário contará, por exemplo, com a maior premiação da história: acima dos US$ 15 milhões (ou R$ 64,5 milhões na cotação atual), sendo que o vencedor vai embolsar, pelo menos, US$ 2 milhões (ou R$ 8,6 milhões).

O Bump Day também conta com alterações. Mais especificamente no Last Day Shootout, momento mais dramático da Indy 500 e que define a última fila e os três últimos pilotos a compor o grid de 33 carros. Diferentemente do que acontecia até o ano passado, quando cada postulante tinha direito de buscar a vaga apenas uma única vez, a partir de agora a sessão será ampliada para 75 minutos, de modo a permitir várias tentativas de cada piloto neste período.

Uma outra mudança, também sobre o período de classificação, é o aumento da potência do turbo, ampliado em 45 cv para compensar o arrasto aerodinâmico extra proporcionado pela instalação do aeroscreen, uma das novidades para os carros da categoria em 2020.

Em um cenário bastante adverso de pandemia mundial, corridas canceladas e o calendário acontecendo, ao que tudo indica, com portões fechados, é hora de vermos as mudanças da Indy em ação a partir do final de semana no Texas.

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