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Honda domina primeiro dia, mas prometida chuva vira fator na classificação na montanha-russa de Barber

A Honda conseguiu as seis primeiras colocações nos dois treinos livres de sexta-feira, mas a curta diferença entre os carros e, principalmente, a grande chance de chuva, fazem com que a classificação no Alabama seja bem imprevisível

Grande Prêmio / GABRIEL CURTY, de São Paulo
O primeiro dia de atividades do GP do Alabama teve resultados um tanto quanto surpreendentes. Em uma pista que tem sido amplamente dominada pela Chevrolet e, claro, por Josef Newgarden, só deu Honda. Nos dois treinos livres, seis carros da montadora japonesa nas seis primeiras colocações nesta sexta-feira (5).
 
Só que existem alguns fatores que não deixam a Honda chegar assim tão favorita nem para a classificação. Primeiro porque não teve uma equipe que tenha propriamente se destacado. Em diversos momentos, Ganassi, Andretti, Schmidt Peterson, Dale Coyne e Harding se equipararam no topo. Além disso, apesar do domínio na ordem de colocação, a distância na tabela de tempos para a Chevrolet não foi lá grandes coisas.
 
Os outros fatores vão bem além de simplesmente preparação de carros. Para começar, tem uma promessa de chuva torrencial justamente para a tarde de sábado, ou seja, possibilidade alta de que o grid acabe todo embaralhado. 
 
Caso não chova, as bandeiras vermelhas é que podem ter papel fundamental no equilíbrio de forças, afinal, só na sexta-feira foram quatro acionamentos, fora os vários erros cometidos pelos pilotos. É numa dessas que um grupo acaba tendo apenas um minuto de bandeira verde e zebras acontecem na pista que é conhecida como a Montanha-russa de Barber, por seu traçado.
James Hinchcliffe liderou o TL2 (Foto: IndyCar)
Na sexta-feira, em meio ao grande equilíbrio nos tempos, melhor para Felix Rosenqvist e para James Hinchcliffe que, liderando o TL2, acabou com a melhor marca do dia em 1min08s999.

"Tudo no carro #5 funcionou bem até aqui. É louco esse número de bandeiras vermelhas, mas acho que tem sido uma tônica na temporada até agora, é reflexo de todo mundo tentando ir até o limite, está tudo muito competitivo. A Honda fez um bom trabalho, o top-6 é prova disso, sinceramente não me lembro de ter liderado uma sessão recentemente e ter ficado tão insatisfeito com o equilíbrio, honestamente", resumiu Hinch.

Depois de fazer o melhor tempo em um TL1 que teve nada menos que três bandeiras vermelhas e um período bem curto de movimentação na pista, Rosenqvist caiu bastante no segundo treino e ficou no meio do pelotão, com Scott Dixon também não conseguindo fazer coisa muito melhor.
 
"O TL1 foi bem bom, o carro estava ótimo, sem muitos problemas. No TL2, acho que fomos no caminho errado e fizemos as mudanças em uma direção errada. Mas acho que não é nada que preocupe muito. Vamos voltar ao que fizemos no TL1, tiramos boas lições e vamos fortes para a classificação", disse Felix.
Felix Rosenqvist puxou a fila no TL1 (Foto: IndyCar)
Sensação do início do campeonato, o caçula do grid Colton Herta completou 19 anos e teve mais uma atuação muito firme nos primeiros treinos livres em Birmingham. Para o americano, a previsão do tempo pode ser um fator para embaralhar as forças já na classificação.
 
"Estou feliz com o que aconteceu hoje. Acho que todos ficaram meio confusos com o rendimento abaixo dos pneus macios, então, ainda estamos tentando entender melhor isso. Mas temos muita informação para avaliar e somos rápidos, então vamos ver como vai ser amanhã e esperar também a previsão do tempo", falou o jovem piloto.

O dia da Andretti não teve surpresa alguma. O time, para variar, andou forte e próximo dos primeiros lugares. A equipe, mais uma vez também, precisou contar com Alexander Rossi e Ryan Hunter-Reay, com Marco Andretti e Zach Veach mais próximos do meio do grid.
 
"A manhã foi difícil porque teve muita bandeira vermelha e a pista não estava boa ainda. O TL2 foi um indicativo melhor de como está o carro. O mistério maior é descobrir o que fez os pneus macios ficarem tão lentos. Se a gente entender isso, cresce, porque todo mundo teve o mesmo problema. Ficamos muito próximos dos líderes, espero que façamos o terceiro Fast Six amanhã no ano", declarou Rossi.
Alexander Rossi andou bem de novo (Foto: IndyCar)
Talvez o mais surpreendente do dia tenha sido o desempenho - ou a falta dele - da Penske. Com um Newgarden que é dominante como ninguém em qualquer outra pista do calendário, o time não conseguiu nem ficar no top-10 no TL2. Ainda que não esteja muito longe em termos de tempos, esperava-se a equipe andando na frente de cara.
 
"Não foi um bom dia, sinceramente. Parece que estamos com algo faltando, mas todos parecem estar assim. Então, é trabalhar focado com a equipe e achar soluções para amanhã. Eu me sinto confiante de que teremos um bom carro, mas não fomos rápidos hoje. Será uma noite de muito trabalho", comentou o líder do campeonato.
Josef Newgarden tenta manter o ótimo retrospecto em Barber (Foto: IndyCar)
O dia foi complicado mesmo para a Foyt e sua dupla brasileira. No TL1, ambos causaram bandeiras vermelhas, com Matheus Leist parando no muro e Tony Kanaan rodando. Os dois, no entanto, entraram no bolo no segundo treino.
 
"Não foi o dia que a gente queria. Cometi um erro saindo dos boxes no TL1 e, infelizmente, bati o carro. Não foi nada grande, mas não pudemos seguir na sessão, precisamos mudar a asa e checar tudo. O TL2 foi OK, mas precisamos melhorar amanhã. O carro escapa bastante, principalmente com os pneus macios, precisamos analisar, ver tudo de novo e aí evoluir", explicou Matheus.
 
"Foi um dia de aprendizado. Tivemos muitos problemas aqui ano passado, então parece que estamos mais próximos esse ano com tanto carro junto. Precisamos seguir trabalhando. Se melhorarmos, iremos bem amanhã", definiu Tony.