Newgarden volta a resplandecer nos ovais e prova ser indispensável para Penske
Embora esteja em último ano de contrato, Josef Newgarden é o único que consegue converter vitórias no trio da Penske. Bicampeão se colocou na condição de indispensável na equipe, especialmente pelo desempenho nos ovais
Josef Newgarden carregava uma certa pressão nas costas antes do GP de St. Louis. Com exceção da vitória em Phoenix, o bicampeão foi bastante irregular nas corridas seguintes, passando longe do pódio. Além disso, por conta da forte batida nas 500 Milhas de Indianápolis, passou a utilizar uma bota imobilizadora e quase não correu em Detroit. Some-se a isso o fato de estar em último ano de contrato com a Penske. No entanto, correndo ‘em casa’ no oval de Gateway, fez jus à alcunha de ‘Rei dos Ovais‘ da Indy e não só voltou a resplandecer, como provou a Roger Penske que é extramemente necessário para a esquadra.
Afinal, mesmo em uma temporada de altos e baixos, Newgarden segue implacável nos ovais e é sempre candidato à vitória. Na Indy 500, embora tenha largado no fundo do grid, fazia uma excelente corrida de recuperação e já ocupava a quarta colocação antes de bater.
É necessário contextualizar o GP de Detroit, que sucedeu a corrida mais importante da Indy. O estadunidense seguia com muitas dores após a forte batida e corria o risco até de ficar de fora da prova — Felipe Nasr ficou de sobreaviso caso o piloto do #2 não apresentasse condições de participar. O resultado da classificação não foi animador: apenas o 21° lugar. Nas voltas iniciais, a situação parecia desesperadora — caiu para último em situação normal de corrida, sendo superado até por Sting Ray Robb.
No entanto, Newgarden conseguiu aproveitar o caos e as diversas bandeiras amarelas para conseguir salvar uma suada décima colocação, já que em ritmo puro deixou muito a desejar. Após a prova, evitou entrar em muitos detalhes, mas admitiu que a dor sentida em Detroit foi maior do que a enfrentada em Road America, em 2016, quando correu apenas duas semanas após sofrer uma fratura na clavícula em um acidente no Texas Motor Speedway.

E coube ainda uma ironia aos repórteres em Detroit: “Havia uma chance [de não correr]. Esta é a equipe deles, não a minha. Se quisessem que eu não corresse, eu teria aceitado numa boa. Se quisessem otimizar as chances de vitória, colocariam alguém no carro, colocariam o Felipe. Estou dividido, porque adoraria ver Felipe pilotando o #2”.
Como a Indy ainda fez a proeza de colocar não apenas uma, mas duas corridas imediatamente após as 500 Milhas de Indianápolis, não houve tanto tempo hábil para o bicampeão se recuperar, o que dá ainda mais peso para a vitória no último domingo (7). Como de costume, teve um ritmo constante nos stints longos — consistência fundamental nas provas em oval. As dores no pé esquerdo e o erro recente na Indy 500 não foram capazes de parar Newgarden, que venceu simplesmente pela sexta vez em 11 etapas em St. Louis.
Com o mercado de pilotos começando a ter as primeiras movimentações, a vitória não poderia vir em melhor hora. Claro, a inconstência ainda está lá e afasta qualquer chance de título. Porém, com os ovais finalmente voltando a ganhar espaço no calendário — ocupam 1/3 da temporada, apesar de merecerem mais —, o bicampeão prova que é indispensável para a Penske.
David Malukas chegou ao time neste ano e tem tudo para brilhar na categoria em um futuro não tão distante. No entanto, falta ainda experiência e, de certa forma, até malícia, que a juventude não proporciona. Ainda que não tenha vencido uma corrida, já mostrou ser o piloto mais consistente da esquadra de Roger Penske. É verdade que o primeiro triunfo escapou por miseráveis 0s023 logo na Indy 500, mas a equipe precisa de alguém que aproveite as oportunidades que surgem. E Newgarden se encaixa perfeitamente neste perfil.

Importante relembrar que a Penske vem de uma temporada ruim e marcada por polêmicas em 2025, especialmente na primeira metade do ano, com o escândalo dos atenuadores adulterados nas 500 Milhas de Indianápolis — episódio que culminou na demissão da alta cúpula. A incosistência do #2 pode até colocar em dúvida o fato de ser o líder da equipe após a saída de Will Power, mas as vitórias neste ano são um contraponto.
Scott McLaughlin, por sua vez, segue com resultados modestos na temporada 2026 e ainda não se colocou em posição de vencer nenhuma corrida até aqui — chegou em segundo em St. Pete, mas não foi nem de perto uma ameaça para Álex Palou. Apesar de ter o contrato encerrando apenas no fim do ano que vem, o neozelandês é de longe o piloto menos faria falta ao time. E não seria surpresa caso não tenha uma renovação de contrato.
Newgarden dificilmente volta a conquistar um título na Indy, mas provou que é indispensável para a Penske, especialmente com a formação atual — tem ao lado um Malukas que ainda não foi lapidado e um McLaughlin que não fede e nem cheira. O GP de St. Louis não poderia ser um exemplo melhor.
A Indy agora faz uma pausa e retorna entre os dias 19 e 21 de junho, com o GP de Road America, na cidade de Elkhart Lake.
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