Na temporada do anormal, Dixon vai no clichê: muita competência e sorte de campeão

Em grande forma, com a Ganassi vivendo a melhor temporada em muito tempo e ainda vendo os rivais tropeçarem nas próprias pernas, Scott Dixon teve, em Gateway, a chamada vitória de campeão

Scott Dixon é um dos melhores pilotos da história da Indy, a Ganassi é uma das maiores equipes que a categoria já teve e, poucas vezes, um casamento foi tão eficiente quanto o do neozelandês com o time de Chip Ganassi. Tudo isso é verdade, não se discute, merece ser destacado. Mas não dá para ignorar também que Dixon é um ser iluminado, que o veterano, em muitas ocasiões, tem a chamada sorte de campeão.

Já ficou um tanto repetitivo escrever isso, mas, mais uma vez, a vitória de Dixon na corrida 1 de Gateway foi com a cara dele. Todos os elementos citados no início do texto apareceram na tarde da cidade de Madison: Scott foi rápido na classificação e saiu da segunda fila, teve ritmo bem consistente na prova e um trabalho perfeito nos boxes da Ganassi. Mas também veio a pitada de sorte, em dois momentos quase seguidos com Pato O’Ward e Takuma Sato.

“É incrível. Não consigo agradecer o time o suficiente. Sato vinha muito forte no fim e não sabíamos o quão forte. Estávamos já em economia, tentando preservar o motor, e ele veio forte. Estou muito feliz pelo time, a última semana em Indianápolis foi meio amarga. 50 é um número incrível, precisamos seguir para conquistar mais algumas. Agradeço a Honda pela potência, por tudo que fizeram este ano, só ver a força dos carros”, disse Dixon.

Scott Dixon: já é campeão em 2020 (Foto: Indycar)

O’Ward, mais uma vez, tinha totais condições de conquistar a primeira vitória da carreira. O mexicano bateu na trave pela terceira vez em 2020, mas, de novo, perdeu muito mais por conta da McLaren do que por algum erro seu. Na realidade, totalmente por conta da McLaren. Se a Ganassi foi perfeita nos boxes, o time de Pato errou justamente no pit-stop final e aqueles segundos perdidos foram fundamentais para que Dixon tomasse a dianteira. E são momentos assim que fazem com que O’Ward, de ótimo carro e grande performance no ano, seja não mais do que um candidato a zebraça mesmo em terceiro no campeonato.

“Acho que conquistamos bons pontos para o campeonato. Lideramos boa parte da corrida, e no fim, achei que tive um pit-stop limpo. Minhas voltas antes e depois foram muito fortes, mas Dixon nos pegou. Ele é duro de bater. Tivemos um bom ritmo, mas eu não tinha nada contra Takuma [Sato] e Scott. Tive de me segurar onde estava para salvar o pódio. Amanhã, temos de trabalhar um pouco com o carro para poder brigar pela vitória”, explicou o mexicano.

Pato O’Ward foi ao pódio de novo (Foto: Indycar)

E aí temos Takuma Sato, que venceu as 500 Milhas de Indianápolis e, mais uma vez, guiou muito em Gateway, como já havia sido em 2019. O japonês teve um ritmo fortíssimo e, no penúltimo stint, alongou na medida certa para ir aos boxes e ainda voltar na frente de Dixon e de O’Ward. Parece mentira, mas um erro no pit-stop fez com que Takuma retornasse atrás dos dois. Assim, Sato vem 138 pontos atrás de Scott e, como Pato, perdeu muitos pontos em pequenos detalhes. E são detalhes que decidem um campeonato.

“O time fez um trabalho incrível. Carregamos o bom momento da semana passada, perdemos alguns lugares no começo da corrida, não estava totalmente confortável no carro, mas lutamos. Parabéns ao Dixon e a Ganassi pela vitória fantástica. Meu carro estava fenomenal”, comentou Takuma.

O que dizer de Josef Newgarden, ainda vice-líder, mas agora 117 pontos atrasado em relação a Dixon? Se falávamos que Gateway era tudo ou nada para o bicampeão, já que anda bem na pista e a Penske parecia forte de oval curto, já deu tudo errado. É que, mesmo em um cenário de vitória do americano na corrida 2, a distância para Scott vai seguir gigantesca. Nem um abandono do neozelandês vai botar fogo no campeonato. Em suma, acabou. E acabou não apenas porque o 2020 de Dixon é melhor que o de Newgarden, mas porque a Ganassi é amplamente superior ao que a Penske é na temporada.

Takuma Sato poderia estar mais perto de Scott Dixon (Foto: Indycar)

“Foi uma corrida frustrante. A amarela veio na hora errada, perdemos posições e tudo que tínhamos trabalhado. O time teve boas paradas e ganhamos posições nos nossos primeiros dois pit-stops. Sem a amarela, acho que poderíamos estar no top-3 e batalhando. No entanto, ela arruinou nosso dia e tivemos de lutar do fundo. O carro era bom e a Chevrolet trouxe potência, mas não há nada que você possa fazer quando vem a amarela. Isso só me deixa mais ansioso para voltar amanhã e vencer”, declarou Newgarden.

Com possíveis seis corridas pela frente, a Indy 2020 já está mais do que definida. Em um ano totalmente atípico por muitas rodadas duplas, calendário mexido e remexido, aeroscreen e muito mais, o Dixon que se apresenta é o de sempre. O Dixon de 2020 é ótimo, tem ritmo, cara e sorte de campeão.

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