Pocono precisa deixar calendário, mas pilotos também devem mudar de atitude

A verdade é que a vontade de ver as 500 Milhas de Pocono foi praticamente dizimada já na largada com um 'big-one' que poderia ter tido consequências seríssimas para os envolvidos. A pista já mostrou que não tem condições de receber a categoria, mas os pilotos precisam entender que são 500 milhas e que nada é resolvido na largada, menos ainda que podem fazer quase tudo em busca de uma ou outra posição

Pocono ficou de fora do calendário da Indy entre 1990 e 2012 e, sim, fez falta. Mas chegou a hora de dar tchau de novo. Ser um oval que gera grandes provas – nem isso tem acontecido nos últimos tempos – não pode ser suficiente para manter a pista que vem sendo palco dos piores acidentes dos últimos anos.
 
A morte de Justin Wilson em 2015 e o gravíssimo choque de Robert Wickens em 2018 quase tiraram a prova do calendário que, para piorar, ainda sofria com a falta de público. Em 2019, arquibancadas mais cheias, mas novos problemas climáticos e, principalmente, mais um acidente horroroso: um 'big-one' logo na largada envolvendo cinco dos principais carros do grid.
 
A verdade é que Pocono, com uma angulação toda diferente, o formato traiçoeiro triangular e um muro baixo, tem gerado muito mais acidentes que as outras pistas. E batidas horríveis. E os pilotos não aguentam mais e não escondem isso.
 
A evolução da Indy na parte da segurança é brutal, os carros estão cada vez melhores, decolam menos, são mais seguros, mas Pocono virou o elefante na sala. A pista está fora do padrão, só pode voltar se mudar seriamente, não faz sentido insistir.
 

 
Que Pocono não tem condições de seguir colocando vidas em jogo na Indy é um fato, mas o que falar do comportamento de alguns pilotos? Até quando tolerar que se arrisque tudo na primeira volta de uma corrida de 200?
 
O que Takuma Sato fez neste domingo (18) deve ser repudiado fortemente e, principalmente, punido. A Indy deveria pensar seriamente em um banimento temporário do japonês, assim como deveria ter feito algo parecido com Sébastien Bourdais em Indianápolis no lance com Graham Rahal.
 
"Obviamente não largamos bem, e isso foi culpa minha. Mas éramos três lado a lado. Ryan por dentro, eu no meio e Takuma por fora. Eu nem consigo entender como, depois do ano passado, o Takuma pensa que esse tipo de pilotagem é aceitável. Virar em cima de dois carros, naquela velocidade, em uma curva em uma corrida de 500 milhas é vergonhoso, decepcionante e pode ter nos custado o campeonato. É decepcionante. O time trabalha duro para algo como isso acontecer. Eles trabalharam muito para colocar o carro de volta na pista. Quando chegamos lá, não tínhamos a tração necessária, então seguramos para fazer o máximo de pontos possíveis. Infelizmente, o tempo apareceu e a corrida foi finalizada uma volta antes de conseguirmos uma nova posição. Temos alguns dias para dar a volta por cima e vencer corridas. É isso o que importa agora", disse Alexander Rossi, acertado pelo japonês na largada, sendo atrapalhado na luta pelo título.
Alexander Rossi sofreu tremendo atraso em Pocono (Foto: Indycar)

Ninguém está dizendo para pegar leve, mas existem limites que têm de ser respeitados e, em ovais, os limites são muito mais perigosos. Não dá para bater roda, mergulhar em cima do outro de qualquer jeito, guiar como se estivesse na rua ou no misto. O grid é ótimo, mas certos comportamentos precisam ser modificados.

 
“Mais uma vez, vimos um grave acidente em Pocono e, desta vez, felizmente as consequências não foram sérias. Para nós, pilotos, está claro que algo precisa ser feito em ovais longos como este para evitar que este tipo de batida aconteça. Depois do que vimos nos últimos anos, não é possível creditar todos estes acidentes a coincidências. Desafiar os limites é a essência de nosso trabalho, mas temos de ter a certeza de que absolutamente tudo foi feito para garantir a segurança de todos envolvidos”, desabafou Matheus Leist.
 
"Esse lugar precisaria sair. Indy não teve um acidente forte nos últimos 15 anos e essa pista teve 3 nos últimos 4 anos. Essa pista traz um estilo diferente para ultrapassagem e as ondulações são ruins. Estes chorões sabem bastante sobre o que estão falando assistindo do sofá", escreveu Colton Herta em um comentário no Instagram.
 
Amamos ovais, são essenciais para o calendário, mas existem saídas mais interessantes que Pocono. O domingo foi de sorte por ninguém ter se machucado mais seriamente, principalmente Felix Rosenqvist, que passou perrengue na grade durante o 'big-one'. E foi importante porque parte do grid condenou Sato e outra parte falou da pista. Agora é hora de agir.
Takuma Sato fez uma baita besteira (Foto: Indycar)
A situação do campeonato com três provas para o fim
 
Mesmo insosso e atrás dos companheiros de equipe, Newgarden respira mais aliviado depois do erro de Mid-Ohio, já que abriu 35 pontos de vantagem para o azarado Rossi, que se viu completamente prejudicado pela patacoada de Sato. É claro que a performance mediana do líder do campeonato trouxe aspectos ruins, já que Pagenaud e Dixon aparecem mais próximos no retrovisor.
 
"Foi um dia interessante e poderia ser pior. Foi como o dia de ontem, onde não fomos para a pista e saímos com a pole. Não completamos a corrida, mas ficamos em quinto, eu aceito. Gostaria que fosse um pouco mais alto, mas o Will seria difícil de bater hoje. Ele parecia muito forte. Certamente no meio da corrida ele parecia ótimo. Lutamos com o que tínhamos hoje e penso que o carro estava bom. Sair daqui com um bom resultado nos permite pensar nos próximos três eventos. Precisamos focar em Gateway e executar o plano. Acho que teremos um bom carro. Sempre me sinto confiante com a Penske e a Chevrolet se esforça muito, estou ansioso", comentou o líder do campeonato, se mostrando ansioso para o último oval do ano, já que a Penske triunfou nos quatro anteriores.
 
Pagenaud somou o seu primeiro pódio em 2019 em uma corrida na qual não venceu. O sentimento é de que poderia ter sido mais com a queda de rendimento de Dixon, mas ainda é um resultado totalmente aceitável comparado com corridas anteriores. Agora, são 40 pontos de desvantagem para Newgarden e 5 para Rossi.
Simon Pagenaud e Scott Dixon queriam ter vencido pensando em título (Foto: Reprodução)
"Bem, foi um ótimo dia. Muito feliz pelo Will e pela Penske após conseguirem mais uma vitória em Pocono. É ótimo, acho que mostramos que nossos carros eram os mais fortes hoje. No geral, foi um bom dia de pontos para nós no fim de semana. É claro que poderíamos ir melhor, poderíamos ter tentado, acho que tínhamos carro para isso. Quem sabe o que poderia acontecer, mas acho que poderíamos ter tentado. No fim, não foi um dia ruim. Eu aceito. Vamos para a próxima", declarou Pagenaud.
 
Dixon parecia ter um campeonato completamente perdido após o acidente no Texas, mas em uma arrancada impressionante, somou quatro presenças no top-2 nas últimas quatro corridas. 52 pontos atrás de Newgarden, o pentacampeão mais uma vez se prova como o rei da regularidade, e na espreita para se aproveitar de mais erros dos oponentes.
 
"Definitivamente a situação fica animada. Tivemos sorte. O carro passou por mudanças, era rápido. Não entendi o que aconteceu no último stint. Aumentamos a asa, mais pressão no traseiro direito e não conseguia virar o carro. Estávamos fazendo 342 km/h e depois com dificuldades de fazer 334. Will estava muito forte. Foi bom vê-lo conquistando uma nova vitória nesta temporada. Se voltássemos, mesmo com os refletores, acho que ele venceria do mesmo jeito. Parabéns para ele e a Penske. Vamos manter a cabeça baixa e ver o que podemos fazer nas últimas três corridas", citou o neozelandês.
Will Power sabe das coisas: 13 anos vencendo (Foto: Indycar)
Will Power venceu, ótimo para sua carreira, agora com 13 anos seguidos com ao menos um triunfo, mas pouco efetivo para o campeonato. A realidade é que o australiano praticamente precisa vencer todas as provas que faltam e ainda secar os rivais diretos. Não vai rolar.
 
"Tive alguns problemas durante a corrida, mas conseguimos voltar. Total crédito ao time. Tivemos um grande carro e meio que ficamos lá, economizei combustível, e quando era hora de atacar, ataquei. Eu estava muito determinado e realmente queria vencer. É o meu 13º ano seguido vencendo corridas e penso sobre isso. Só queria vencer para o time porque eles trabalharam muito o ano inteiro e não tiveram os resultados", avaliou Will.
 
Enquanto isso, Tony Kanaan teve seu melhor resultado em 2019 em mais uma performance extremamente competitiva em oval, tipo de pista que a Foyt dá a mínima condição a seus pilotos. Leist foi 14º, Tony chegou em oitavo, sempre combativo na prova.
 
"Bom dia para nós. Mais um top-10. Temos algumas coisas para melhorar, mas aceito pensando onde largamos. Tivemos um carro competitivo o fim de semana todo. O objetivo era ficar no top-10 e conseguimos o oitavo, que é o melhor resultado do ano. Um bom empurrão de energia para o time", comentou Tony.
 

 
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