Grosjean surpreende por rápida adaptação e já parece estar em casa na Indy

Romain Grosjean teve uma estreia na Indy extremamente segura no Alabama, quase foi ao Fast Six, garantiu um top-10 e, ao que tudo indica, já está plenamente adaptado à nova categoria. O futuro do francês na Indy é promissor

Romain Grosjean já é a grande história da Indy 2021, independentemente dos resultados obtidos. Dono de uma passagem longa e respeitável pela Fórmula 1, o francês só por isso já mereceria os holofotes, mas, de quebra, ainda chega poucos meses após sofrer um acidente seríssimo, que quase custou sua vida, no GP do Bahrein de 2020.

Grosjean bateu violentamente ainda na primeira volta em Sakhir, ficou com o carro em chamas e escapou de sua Haas quase que milagrosamente. Romain renasceu, mas saiu com algumas lesões e queimaduras, que o impediram de se despedir da F1 nos GPs do Sakhir e de Abu Dhabi. Um final injusto para alguém que fez sua história.

Meses depois, o início de trabalho na Indy. No fim de fevereiro, os primeiros testes, ainda com dor, ainda limitado. Em março, uma preparação mais intensa, o sentimento já de se sentir em casa, o encantamento com a categoria e com o equilíbrio do grid. Até que veio abril, com a estreia oficial, o GP do Alabama. E Romain foi excelente.

Romain Grosjean celebrou a boa estreia na Indy (Foto: Indycar)

O desempenho em Barber foi impressionante o tempo todo. O francês passou muito perto de ir ao Fast Six na classificação, garantindo o sétimo lugar no grid de largada. Na corrida, frequentou o top-5, teve até alguns metros na liderança e, no fim, cruzou a linha final em décimo, muito atrapalhado por pit-stops lentíssimos da Dale Coyne.

“Quando meu engenheiro falou P1, eu pensei: ‘isso não acontece há um tempo’. Foi bastante divertido. Tem times maiores que nós, mas isso não significa que não podemos competir lá na frente, e mostramos a todos que eles devem contar conosco quando estamos fazendo um bom trabalho”, disse Grosjean após a corrida.

O que mais impressionou foi como Romain pareceu tranquilo na nova casa. O ritmo, os poucos erros, o piloto nem parecia sentir a mudança brusca de carro, pista e, claro, as limitações que ainda tem em decorrência do acidente do Bahrein.

“No geral, foi tudo bem positivo, agora temos que focar no próximo fim de semana e começar do zero. É um circuito de rua, eu não conheço. Não conheço os pneus, o acerto, o circuito, mas vamos lá de novo. É claro que tenho muito a aprender e para ficar empolgado, mas depois do acidente no Bahrein, acho que fizemos tudo bem neste fim de semana. Podemos nos orgulhar. E sim, eu acho que podemos vencer uma corrida”, completou.

Romain Grosjean ficou no top-10 no Alabama (Foto: IndyCar)

E, de fato, nada faz pensar que o triunfo na Indy seja impossível para Grosjean. Mais do que isso: a vitória nem parece muito longe, afinal, o ritmo está ali e o carro também parece ter suas qualidades. A questão, em um primeiro momento, é melhorar a operação, que deixou Romain na mão em Barber.

Aí entra um outro ponto: caso Romain comece a vencer corridas, frequentar pódios, como fica a questão dos ovais? É que o francês abriu mão dos speedways pelo risco das provas, dando o carro para Pietro Fittipaldi no Texas e na Indy 500. Mas e o campeonato? Sem os ovais, Grosjean perde as chances de um resultado final decente.

Some esse fator a um interesse claro que o ex-F1 já demonstrou em mudar de ideia. Grosjean não confirma, mas já pode estar em Gateway, quando Pietro deve optar pelas 24 Horas de Le Mans. É aí, num oval curto e mais simples, que o bichinho pode picar o piloto e, quem sabe em 2022, Romain já surja não apenas nos ovais, mas especialmente na Indy 500, o suprassumo da categoria.

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