Divertida e disputada, MotoE precisa de mudanças. E já tem parte da solução

Algumas coisas precisam ser modificadas na Copa do Mundo de MotoE, especialmente o monótono formato de classificação. E o fim de semana em Le Mans mostrou que a própria categoria tem previsto no regulamento um formado melhor

Jack Miller comemorou o segundo triunfo no ano com um Shoey (Vídeo: MotoGP)

A Copa do Mundo de MotoE está longe de ser uma unanimidade, mas uma coisa é verdade: a série elétrica tem corridas que, embora muito breves, são divertidas e disputadas. E o fim de semana em Le Mans foi uma mostra clara disso, também pelo fato de Eric Granado ter assegurado a vitória com uma ótima performance nos metros finais, tomando a liderança só na última curva.

Mas não foi apenas isso que a etapa da França mostrou. Pessoalmente, acho que a classificação é o ponto mais baixo da Copa do Mundo. Até entendo que a limitação para que os pilotos façam três voltas na sessão ― warm-up, cronometrada e desaceleração ― apimente um pouco as coisas, mas aquilo é de uma chatice ímpar para quem está assistindo.

Eric Granado garantiu a vitória apenas nos metros finais em Le Mans (Foto: Divulgação/MotoGP)

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Os pilotos entram na pista um por vez e a sensação é de que o treino não vai acabar nunca. Tem também aquele fator de que nem sempre é o cara mais rápido que fatura a pole, já que se sair da pista por um único milímetro, a volta é cancelada e o competidor acaba sem tempo marcado, no fundo do pelotão. Isso é uma coisa que até passa, mas a monotonia é um tanto quanto incômoda.

Só que a MotoE tem no próprio regulamento uma receita para combater isso e melhorar a atratividade da ePole. No sábado (15), o treino classificatório teve 12 minutos, com os pilotos todos juntos, limitados a seis voltas cada. Foi mais atrativo.

É um formato de classificação mais dinâmico e também menos punitivo, já que dá aos pilotos mais de uma chance. Foi uma bagunça? Foi! O dono da pole mudou duas vezes depois do encerramento da sessão por causa de voltas canceladas por infrações, mas o erro pontual de alguns pilotos não anula o fato: o formato é melhor.

Outro ponto incômodo da MotoE é referente ao tamanho das corridas. Essa, no entanto, não é uma coisa que pode ser modificada de imediato. Afinal, o número de voltas é também limitado pela tecnologia em vigor. Hoje, não é possível fazer corridas mais longas na Copa do Mundo.

O grid da MotoE é composto por um misto de pilotos novatos e mais experientes, mas as equipes são todas reconhecidas, oriundas de MotoGP, Moto2 e Moto3. Ou seja, material humano não falta.

A Copa do Mundo de MotoE é uma proposta nova, alinhada com a demanda da sociedade por um mundo mais amigo do meio ambiente. Mas a tecnologia ainda precisa avançar para que as corridas sejam mais longas.

Enquanto isso não acontece, mudanças pontuais podem ajudar a melhorar a categoria. E a modificação na classificação pode ser um bom ponto de partida.

A MotoE volta à ação no dia 6 de junho, com o GP da Catalunha, terceira etapa do calendário. Acompanhe a cobertura do GRANDE PRÊMIO sobre o Mundial de Motovelocidade.

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