Na briga pelo título da MotoE, Granado pede cautela: “Cada etapa é uma história”

Piloto da Avintia destacou a competitividade do grid da MotoE, mas apontou Dominique Aegerter e Matteo Ferrari entre os rivais na briga pelo título de 2020

Eric Granado fez um balanço positivo do início da temporada 2020 da Copa do Mundo de MotoE. Titular da Avintia, o brasileiro abriu o ano com vitória, mas acabou derrubado na corrida seguinte e perdeu terreno na briga pelo título. Assim, mesmo animado com a própria performance, o piloto de São Paulo prefere manter os pés no chão.

No GP da Espanha, Eric conquistou a pole, venceu com mais de 3s de vantagem e assumiu a liderança da classificação. Em Andaluzia, porém, o brasileiro acabou derrubado por Matteo Ferrari e, apesar de ter conseguido completar a corrida, caiu para a terceira posição na tabela, 13 pontos atrás de Dominique Aegerter, o novo líder.

Em entrevista exclusiva ao GRANDE PRÊMIO após as corridas em Jerez de la Frontera, Granado fez uma avaliação otimista do início do campeonato, mesmo com o incidente com Ferrari.

Eric Granado abriu a temporada da MotoE com vitória (Foto: Avintia)

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“O balanço, da minha parte, ótimo. Eu estou muito feliz, começamos muito bem o ano, fiz uma ótima pré-temporada em março, consegui ser rápido todas as vezes que entramos na pista”, disse Eric. “O primeiro final de semana, posso dizer que foi perfeito, não tinha como ser melhor, consegui ganhar a corrida com distância, mas no segundo final de semana, infelizmente no sábado eu tive dois erros na superpole, que me fizeram perder bastante tempo e acabei me classificando em quarto. Aí na corrida, foi o que todo mundo viu. Eu estava rápido, vinha recuperando ― tinha errado na primeira volta, perdi muito tempo ―, e aí, infelizmente, fui derrubado quando faltavam duas voltas. Eu não sei se eu conseguiria ganhar a corrida ou não, mas mesmo um segundo lugar já seria muito bom depois da prova de recuperação que eu fiz. A gente estaria bem no campeonato, liderando, mas, enfim, não foi assim e agora é bola para frente e tentar na próxima”, comentou.

Por conta da pandemia do novo coronavírus, o calendário da série elétrica também precisou ser adaptado e, por isso, conta com repetições de pistas: dois fim de semana em Jerez, dois em Misano ― com três corridas ― e dois em Le Mans.

“Foi um pouco estanho, não vou negar. Eu já fiz várias vezes corrida em rodada dupla no mesmo final de semana, porém assim nunca tinha feito, dois finais de semana seguidos na mesma pista. É uma segunda corrida na mesma pista, mas começa tudo do zero: treinos livres na sexta, classificatório no sábado, corrida no domingo. Começa tudo de novo, mas todo mundo já está habituado, já está acostumado com a pista, sabe as referências, então com certeza isso aperta muito mais os tempos, como a gente viu na MotoE e todas as outras categorias do Mundial, estavam todos mais rápidos, mais próximos os tempos”, contou. “Se fosse outra pista, a diferença não seria a mesma. Mas foi legal. Consegui me adaptar bem em Jerez, estava rápido. Infelizmente, não acabou como eu gostaria a segunda etapa, mas fico com o lado positivo de que estávamos rápidos”, frisou.

Com a Copa do Mundo de MotoE em seu segundo ano, Granado apontou as pequenas evoluções na moto produzida pela italiana Energica para o campeonato de 2020.

“As evoluções foram pequenas, porém acho que o mais interessante foi a mudança na suspensão dianteira, que eles trocaram para um novo setup que ajudou bastante na questão do peso ― a moto é muito pesada, e nas frenagens a gente sempre tinha um pouco de problema, mas agora está um pouco melhor. A gente tem uma nova entrada de ar lateral para refrigerar a bateria, que em Jerez foi muito importante, por conta da alta temperatura ― a bateria, quando tem alta temperatura, rende menos, baixa mais rápido a porcentagem, então isso com certeza ajudou. E os pneus Michelin, que acho que foram o maior diferencial. O traseiro eu achei que funcionou bem, eu gostei, o dianteiro eu ainda estou me adaptando, acho que me adaptava melhor ao que a gente usava no ano passado. Esse ano trocou, e eu ainda estou tendo de buscar o acerto ideal. Não que eu não vá bem, pois consegui vencer, mas é um pneu diferente”, listou ao GP. “Toda mudança exige alguma mudança de setup e eu ainda estou me acertando, mas acho que basicamente foi isso. Não foram muitas mudanças, mas foram algumas pequenas que fizeram a diferença”, ponderou.

Ao contrário das demais categorias do Mundial de Motovelocidade, a classificação da MotoE é feita em volta lançada, com os pilotos tendo uma única chance para garantir o melhor tempo. “É uma moeda de duas caras”, resumiu Eric.

“Pode ser muito bom ou pode ser ruim. No segundo final de semana, eu tive dois erros que me fizeram perder muito tempo e acabei perdendo a oportunidade de fazer a pole, tive de largar em quarto, e isso compromete o final de semana. Talvez, se a gente tivesse largado na frente, seria diferente a corrida, não sei. Então é complicado”, avaliou. “É um formato que é interessante para quem assiste, para o público é legal, mas para nós pilotos é uma situação complicada. Tem que forçar, mas não muito. Não pode exagerar, porque se você passar da zebra e encostar no verde, você perde a volta e larga em último, como aconteceu comigo no ano passado na Itália, então é bem complicado, tem que saber dosar, senão você perde a chance de fazer uma boa corrida. Ainda mais que a corrida é curta. Se você largar lá atrás, já era”, falou.

Questionado pelo GRANDE PRÊMIO sobre os rivais na briga pelo título, Granado citou o recém-chegado Aegerter e o campeão vigente Ferrari, mas reforçou que é muito difícil fazer previsões em uma categoria tão competitiva.

“Eu acho que o Aegerter vai ser um piloto que vai estar brigando na frente o ano inteiro, ele é um piloto muito experiente, correu na Moto2 por muitos anos, já ganhou corrida e chegou forte, acho que ele vai estar o ano inteiro na frente brigando. O Ferrari, ele ganhou o ano passado, então é um cara que é um favorito ao título também”, indicou. “Na MotoE, é complicado a gente colocar pilotos, porque está tão apertada a categoria que a cada final de semana tem um piloto na frente, então acho que os pilotos que chegaram no pódio aí nas duas primeiras etapas vão ser os que vão estar na briga. Mas isso pode mudar. Cada final de semana é uma história diferente. Vamos ver como vai ser na Itália. Três corridas na mesma pista, não vai ser fácil, então vamos ver como vai ser”, concluiu.

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