Aleix Espargaró vê inconsistência em decisões e pede ex-piloto mais jovem como comissário

O piloto da Aprilia ressaltou que as regras precisam ser aplicadas da mesma forma independente do piloto que está envolvido na infração. O catalão considerou que Johann Zarco foi irresponsável no GP da Áustria de MotoGP

Aleix Espargaró acredita que o Painel de Comissários da FIM (Federação Internacional de Motociclismo) precisa passar por uma mudança. Além de considerar que o grupo atual é inconsistente nas decisões, o piloto da Aprilia avalia que um ex-piloto com experiência mais recente na MotoGP deveria fazer parte do quadro.

Desde 2016, todas as questões disciplinares do Mundial de Motovelocidade são decididas por Painel de Comissários, um órgão independente da direção de prova da MotoGP. A criação deste grupo, aliás, foi para dar transparência as ações e acabar com insinuações de uma interferência da Dorna, a promotora do campeonato, baseada em critérios comerciais.

O painel, que atualmente é formado por Bill Cumbow, Freddie Spencer e Ralph Bohnhorst, passou a ser alvo de criticas desde o último domingo, quando Johann Zarco saiu livre de punições após provocar um acidente com Franco Morbidelli que quase vitimou Valentino Rossi e Maverick Viñales no GP da Áustria.

Aleix Espargaró pediu mais consistência nas punições (Foto: Aprilia)

No início da semana, a FIM divulgou uma nota à imprensa alegando que os pilotos não foram ouvidos no domingo por falta de tempo, mas agendando a reunião com os comissários para esta quinta-feira.

Às vésperas do GP da Estíria desde fim de semana, Aleix Espargaró admitiu que os pilotos não concordam com muitas das decisões do Painel de Comissário e afirmou que a falta de consistência nas punições segue incomodando e sendo assunto na Comissão de Segurança, a tradicional reunião de sexta-feira dos pilotos.

“Eu não concordo com muitas coisas que o Painel de Comissários diz. Acho que pode melhorar em muitos aspectos. Mas não depende de mim”, disse Aleix. “Claro, eu entendo que não é fácil para eles ― também não é fácil tentar ficar no top-10 com a Aprilia, também não é fácil para os meus engenheiros, também não é fácil para a minha esposa ser mãe. É difícil para todo mundo e eu entendo que existe margem de melhora”, insistiu.

“Não sou o único que pensa assim. Todos os pilotos da Comissão de Segurança não estão muito felizes. Eu sei que não é fácil, mas nós reclamamos que eles não julgam as mesmas ações da mesma forma. Depende se o piloto caiu ou não, se é ou não o líder da corrida, se é na Moto3 ou na MotoGP. Mas uma regra é uma regra”, defendeu. “Não importa se os dois caras estão terminando no top-20 da Moto3 ou se é Marc Márquez e Valentino Rossi. Uma regra é uma regra. Acho que podemos melhorar nisso. Não concordamos com certas ações, mas, acima de tudo, a igualdade é que pode melhorar mais”, sublinhou.

Desde 2019, o tricampeão Spencer faz parte do Painel de Comissários, mas Aleix acredita que é necessário alguém com experiência com as motos atuais e não um ex-piloto de 58 anos.

“Tenho total respeito por Freddie Spencer, mas quando foi a última vez que ele pilotou uma moto de MotoGP? Não é fácil, mas acho que precisamos de alguém que pilotou cinco, seis ou oito anos atrás. Alguém que pilotou na classe mais alta, mas que também entenda a sensação da MotoGP. Como eu disse, não é um trabalho fácil, especialmente neste ano, quando o equilíbrio entre os pilotos e as motos é máximo. É difícil, mas é assim que eu vejo”, opinou.

Assim como já tinha feito na semana passada, Aleix voltou a fazer em ação “irresponsável” de Zarco no GP da Áustria. “As consequências poderiam ter sido muito, muito ruins”, opinou.

“O primeiro ponto é que é uma curva muito difícil que não é segura o bastante para a MotoGP. O segundo ponto é que a curva não é nova, todos os pilotos a conhecem. E, sendo assim, você tem de ser um pouco mais cuidadoso e respeitar o outro piloto um pouco mais”, comentou. “Se você analisar a queda pela câmera onboard do piloto que estava atrás, dá para ver que Zarco estava muito fora da trajetória quando ultrapassou Morbidelli. Você faz isso para evitar que o outro piloto te ultrapasse mais uma vez. Mas tem coisas que você não pode fazer a 300 km/h”, concluiu.

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