Apagão da Ducati indica problema na moto e tira peso da responsabilidade de Bagnaia
Em crise desde o ano passado, Francesco Bagnaia foi frequentemente apontado pela Ducati como causa dos problemas de performance, mesmo com o piloto indicando uma falta de entrosamento crônica com a Desmosedici GP25. O início tumultuado na temporada 2026, porém, tira parte da responsabilidade dos ombros do bicampeão da MotoGP
O tempo inocentou Francesco Bagnaia? Essa é uma das muitas perguntas que ficaram após as primeiras três corridas da temporada 2026 da MotoGP. A performance do #63 não voltou a ser o que era até 2024, mas o apagão da Ducati nas primeiras três corridas do ano é uma boa evidência de que o piloto não é o problema. Ou, pelo menos, não é o único problema.
Desde o ano passado, Pecco sofre com uma espécie de falta de entrosamento crônica com a Desmosedici. A moto que costumava vesti-lo como uma luva se tornou mais arredia, minando a confiança do italiano e deixando um impacto severo na disputa do Mundial de Pilotos.
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Em outro momento, os problemas poderiam ter recebido um trato diferente da Ducati, mas 2025 foi uma temporada particular. Afinal, era a primeira vez de Marc Márquez dentro do time de fábrica da casa de Borgo Panigale. E, por lá, o #93 fez aquilo que sempre fez: pegou um protótipo imperfeito e o tornou melhor. Foi assim nos tempos de Honda e segue sendo assim com o uniforme vermelho.
Pelo histórico dos anos anteriores, a falta de desempenho de Bagnaia foi o que mais chamou a atenção, mas, entre os pilotos a bordo da GP25, apenas Márquez se destacou ao longo de todo o ano. Claro, a capacidade do espanhol precisa sempre ser levada em conta, mas é evidente que Pecco estava abaixo das próprias possibilidades, assim como Fabio Di Giannantonio.

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Um espectador mais cético ou um detrator mais severo de Bagnaia pode, porém, insistir que o problema todo reside no piloto, que derreteu mentalmente com a simples chegada do multicampeão. Mas aí chegamos a 2026.
Neste ano, a Ducati voltou a aumentar o número de motos do ano no grid. Assim, a GP26 está nas mãos não apenas de Márquez e Bagnaia, mas também de Di Giannantonio e Álex Márquez. O último, premiado tecnicamente pela boa campanha do ano passado, quando foi vice-campeão mundial a bordo da GP24.
Enquanto Marc segue às voltas com a recuperação física após a lesão no ombro direito sofrida no ano passado, Bagnaia mostrou boa forma na pré-temporada, mas não conseguiu engrenar até aqui, apesar de ter tido uma boa atuação na sprint do GP dos Estados Unidos. Di Giannantonio, por outro lado, tem sido o destaque da marca e é o melhor posicionado no Mundial de Pilotos, em quarto, a 31 pontos do líder Marco Bezzecchi.
Álex Márquez, contudo, pode ser um exemplo melhor. Acostumado que está com o irmão mais velho, o #73 não pode ser acusado de derreter na presença de Marc, inclusive por ter feito a melhor temporada da carreira competindo justamente com ele. Mas o titular da Gresini tampouco consegue manter o mesmo nível de desempenho agora que tem a moto do ano.
Depois da passagem por Austin, Álex foi sincero ao reconhecer que tem problemas e não consegue se entender com a nova moto.
“Me falta talvez uns 20%. Sigo estando bastante longe”, disse Álex. “Ainda não me sinto de todo confortável com a moto. É certo que as características desta Ducati afetam bastante o meu estilo natural de pilotagem. Só tento sobreviver, porque as sensações ainda não são de todo boas. Então tento somar alguns pontos, não perder a cabeça e nem fazer algo estranho”, seguiu.
Então a moto da Ducati é ruim? Não, longe disso. Mas ela tampouco é perfeita como foi outrora. A análise dos pilotos é de que o protótipo está devorando o pneu traseiro, o que afeta consideravelmente a performance.
No mundo dominante que a Ducati construiu na MotoGP, isso talvez não fizesse diferença até o ano passado, mas agora, em uma temporada onde a Aprilia conseguiu um salto expressivo, a marca comandada por Gigi Dall’Igna precisava de uma moto mais redondinha. E isso, ela não tem.
A MotoGP volta a acelerar entre os dias 24 e 26 de abril, para o GP da Espanha, direto de Jerez, para a 4ª etapa da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como das demais classes do Mundial de Motovelocidade.
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