Após lesão no tornozelo, Crutchlow já planeja estar em sessão de testes na Malásia: “Nunca desisti”

Cal Crutchlow, que sofreu um grave acidente nos treinos livres do GP da Malásia do ano passado, agradeceu em entrevista ao apoio recebido por todos, detalhou a lesão no tornozelo e disse que, apesar da gravidade, espera voltar logo às pistas

Cal Crutchlow encerrou ano de 2018 da pior maneira possível. No segundo treino livre do GP da Austrália, antepenúltima etapa da temporada, o inglês sofreu um grave acidente na primeira curva do circuito de Phillip Island e foi diagnosticado com uma fratura no pilão tibial do tornozelo direito.
 
A lesão fez com que, além de perder a corrida australiana, o britânico ficasse de fora das duas últimas provas do ano passado – os GPs da Malásia e da Comunidade Valenciana. Na hora não ficou claro ao público, mas a lesão foi bem mais grave que o imaginado. O piloto da LCR Honda passou por duas operações delicadas e ainda segue em fase de recuperação. Mas Crutchlow diz que está trabalhando duro para voltar o mais rápido possível às pistas.
 
Em entrevista ao site ‘Superbikeplanet.com’, Cruchlow quebrou o silêncio e enfim falou sobre sua lesão. O piloto da moto #35 disse estar se sentindo melhor, mas ainda não sabe se poderá voltar a correr. Desistir, entretanto, não é uma palavra que está em seu vocabulário.
Cal Crutchlow já está de olho no seu retorno às pistas após lesão no tornozelo (Foto: Michelin)

“Estou me sentindo melhor, meu tornozelo está forte, não tenho dúvidas quanto a isso. É suficiente para pilotar uma motocicleta de novo? Não sei. Em uma situação normal, as pessoas jamais pensariam em subir em uma moto nas minhas condições. Mas sou um piloto, e em duas semanas devo ir à Malásia para os testes”, afirmou.

 
Crutchlow deu mais detalhes sobre sua lesão. O piloto afirmou que os médicos tiveram de colocar várias placas em seu tornozelo e que, inicialmente, pensava em voltar rapidamente, mas ficou várias semanas sem conseguir ao menos andar. Com isso e com o bom trabalho da equipe médica, iniciou-se um longo processo de recuperação.
 
“[Minha lesão] Normalmente é chamada de fratura do pilão tibial, o que significa que o astrágalo [osso do pé] e parte do pé passaram pela tíbia e pela fíbula. A tíbia foi quebrada em duas partes, a fíbula em um e o astrágalo em dezesseis partes. Eles bloquearam minha fíbula com placas e reconstruíram o astrágalo no ponto de conjunção; nada foi feito com a fíbula porque eles não podiam colocar mais placas naquele ponto”, descreveu.
 
“Foi uma lesão horrível. Pensava que umas duas semanas seriam suficientes para voltar, mas por seis semanas eu não consegui fazer nada com a perna. Podia andar de bicicleta, mas não conseguia caminhar. Só fiz isso depois de seis semanas. Ainda sinto dor, mas agora consigo caminhar sem problemas e tenho força suficiente no tornozelo. O Dr. Mathias Russ fez um grande trabalho comigo!”, destacou.
 
Apesar de não acreditar no começo que a lesão seria tão grave, o piloto não considera que teve falta de sorte. Crutchlow lembrou do caso de seu compatriota, Jim Moodie, ex-campeão britânico de Superbike que se aposentou com a mesma lesão após um grave acidente na prova da TT Ilha de Man em 2003 — que acabou vitimando o também britânico David Jefferies.
 
Crutchlow também citou o espanhol Dani Pedrosa, que sofreu um acidente na mesma curva no fim de semana da MotoGP na Austrália e saiu caminhando normalmente. O piloto afirmou que estes incidentes fazem parte da vida do piloto e agradeceu ao apoio de todos que mandaram mensagens e o visitaram no hospital.
Lesão comprometeu fim da temporada 2018 e o início da preparação em janeiro (Foto: Reprodução)
“Eles me disseram que meu tornozelo poderia ficar travado para sempre. As pessoas não entenderam a gravidade da minha lesão, mas eu também não entendi. Lembra do Jim Moodie? Ele teve que se aposentar pelo mesmo motivo. Fiz de tudo para ficar em forma novamente, apenas para ter uma vida normal e poder andar. Por sorte não foi pior, e para ser sincero eu sempre tive sorte com lesões”, recordou.
 
“Já me acidentei outras vezes, faz parte do nosso trabalho. Na Austrália eu sofri um acidente estando a mais ou menos 320 km/h; o Pedrosa caiu no mesmo lugar, mas saiu caminhando. Não acho que foi falta de sorte, faz parte do nosso esporte. Muita gente me mandou mensagens e foi me visitar no hospital: toda a equipe da Honda esteve lá, além da Ducati”, acrescentou.
 
Por fim, Cal expressou abertamente sua vontade de voltar a pilotar em 2019. O piloto do #35 disse que está se sentindo cada vez melhor e que agora quer continuar ativo para logo retornar às pistas como antes.
 
“Eu nunca desisti e sempre trabalhei duro, mesmo quando achei que era ridículo e não conseguiria fazer isso. Mas sou um atleta, quero estar ativo e não tive nenhum problema com a bicicleta, mesmo quando não podia caminhar. Quando eu poderei andar novamente na minha moto? Nas últimas três semanas estive me sentindo cada vez melhor! Acho que fiz um ótimo trabalho em lidar com essa situação dificílima”, complementou.
 
Crutchlow planeja voltar às pistas pela LCR Honda na primeira semana de testes da pré-temporada em Sepang, na Malásia, entre 1º e 3 de fevereiro. Depois disso, ainda serão realizadas outas duas sessões de testes – de novo na Malásia, entre 6 e 8 de fevereiro, e em Losail, no Catar, de 23 a 25 do mesmo mês. A temporada 2019 da MotoGP será aberta no Catar, em 10 de março.

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