Petrucci deixa MotoGP com sonho realizado e feliz por ter lutado com “os melhores”

Italiano ressaltou as dificuldades que o tipo físico causou na MotoGP, mas disse que se divertiu muito no tempo que passou no Mundial. O piloto da Tech3 vai encarar o Rali Dakar em 2022

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Danilo Petrucci se despede da MotoGP neste fim de semana satisfeito por ter tido a chance de brigar com os “melhores caras do mundo”. O italiano ressaltou que guarda das melhores memórias da vitória no GP da França de 2020, mas reconheceu que a constituição física sempre foi uma carreira no Mundial de Motovelocidade.

Diferente de muitos dos colegas, Petrucci não chegou à classe rainha em 2012 via 125cc, 250cc, Moto3 ou Moto2, mas pelo Mundial de Supersport 1000. A estreia aconteceu com a IodaRacing, que contava com aquela que acabou conhecida como a pior moto do grid. Pouco a pouco, Danilo foi se destacando e passou a usar equipamento Ducati em 2015, até ser contratado pelo time de fábrica em 2019.

Danilo Petrucci vai estrear no Rali Dakar em 2022 (Foto: Divulgação/MotoGP)

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Aos 31 anos, o italiano de Terni se despede do Mundial neste fim de semana, carregando na bagagem duas vitórias. Com 1,81 metro e 80 kg, Danilo ressaltou que achar performance ficou especialmente difícil com a RC16 da KTM.

“Estas duas últimas corridas foram, infelizmente, muito, muito azaradas. Mas venho para cá apenas querendo curtir os últimos quilômetros em uma moto de MotoGP”, disse Petrucci. “Vir para cá foi uma viagem muito boa, pois ninguém me conhecia há dez anos, mas, especialmente, eu não conhecia os circuitos de GP, nenhuma moto, pneus, nada”, seguiu.

“Então foi um longo caminho, mas eu realmente me diverti muito. Este ano, na verdade desde o ano passado, comecei a ter um pouco de dificuldades”, comentou. “Comecei a pensar em outras maneiras de curtir as motos. Felizmente, esta oportunidade [de fazer o Rali Dakar] apareceu graças à KTM. Aqui eu encontrei algumas dificuldades desde o ano passado que não tinha antes, por causa do meu peso e da minha altura. Tinha muita dificuldade por causa do nível”, reconheceu.

Se na MotoGP Danilo era um dos maiores e mais pesados do grid, no Dakar a situação muda de cenário, já que os pilotos costumam ser maiores para encarar a maratona do off-road.

“Mudando para o rali, agora sou um dos mais jovens e mais leves. Foi realmente um orgulho compartilhar a pista com alguns talentos únicos e vê-los, inclusive alguns destes caras [presentes na coletiva] crescerem a partir da Moto3”, declarou. “Sempre fui um grande fã de todos os pilotos que conheci pela primeira vez. Foi realmente legal brigar com os melhores caras do mundo”, falou.

A primeira vitória de Petrucci na MotoGP resultou de um bom duelo com Andrea Dovizioso e Marc Márquez em Mugello, mas não é deste triunfo que Danilo guarda a melhor recordação.

“Com certeza, vencer é uma coisa incrível. Aqui na MotoGP, meu sonho de infância era vencer um Mundial. Infelizmente, eu encontrei grandes talentos no meu caminho, mas aí em 2019 estávamos brigando pela vitória ou pelo pódio em quase todas as corridas”, recordou. “Talvez a melhor sensação tenha sido vencer em Mugello, mas a questão é que realmente não me lembro da sensação, pois o momento foi grande demais. Ano passado, em Le Mans, eu curti muito mais. Depois de vencer a corrida na Itália, tem sempre muito mais expectativa para a Ducati, para todo mundo, mas, honestamente, tenho realmente poucas memórias da linha de chegada”, contou.

“Vencer de novo em Le Mans foi muito melhor. Eu realmente curti o que fiz do lado esportivo”, comemorou.

Se o recorde de vitórias não é dos mais impressionantes, Petrucci certamente ficará marcado na MotoGP pelo jeito carismático. Durante a coletiva de quinta-feira, a relação com Jack Miller mais uma vez evidenciou a personalidade de Danilo.

Questionado sobre como definiria aquele que foi companheiro de Pramac em 2018, Miller foi interrompido pelo italiano, que respondeu rindo: “Tomamos muitas cervejas”.

“Ou não o bastante”, rebateu Jack.

“Não quero ser o meu fígado na noite de domingo. Estou um pouco assustado com isso e, especialmente, não quero encontrar Jack”, acrescentou, rindo ainda mais.

Miller, então, retomou a palavra mais seriamente para exaltar Danilo e a parceria dos dois.

“Honestamente, foi fantástico compartilhar os boxes com ele. Acho que nós dois curtimos as duas melhores temporadas da minha vida”, disse. “Ele foi um ótimo companheiro de equipe. Sem tirar nada de você [Francesco Bagnaia], mas foi fantástico. Tínhamos uma grande atmosfera no box e, como vocês podem notar, somos dois caras fáceis de lidar e temos personalidades parecidas. Mas só quero dizer que não acho que demos valor o suficiente a Danilo pelo que ele fez, de onde ele veio até onde ele chegou. Ele fez um trabalho fantástico e foi uma grande inspiração para o esporte”, continuou.

“Além disso, a forma como ele mudou a vida dele para caber nessa coisa [a moto da MotoGP], pois ele não tem a normalidade física deste esporte, mas ele realmente sacrificou tudo por este esporte, o que mostra o verdadeiro corredor que ele é”, defendeu. “Em nome de todo mundo, acho que temos de dizer obrigado por tudo que você fez”, completou.

A classificação da MotoGP para o GP da Comunidade Valenciana, em Valência, acontece no sábado, às 10h10 (de Brasília). O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do Mundial de Motovelocidade 2021.

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