Dovizioso diz que caminho seguido pela Ducati nos últimos anos “não funciona” em 2020

Piloto de Forli acredita que Johann Zarco e Francesco Bagnaia estão se beneficiando da inexperiência com as motos da Ducati, já que não tentam recorrer a receitas do passado

Andrea Dovizioso afirmou que os acertos utilizados pela Ducati nos últimos anos não funcionam mais, apesar da semelhança entre a Desmosedici atual e sua antecessora. O vice-campeão dos últimos três anos teve um fim de semana apagado no GP da Tchéquia.

O italiano começou a temporada com um pódio no GP da Espanha, apesar de não ter bom histórico em Jerez. Na corrida seguinte, no GP da Andaluzia, o italiano foi sexto, mas em Brno as dificuldades maiores apareceram. O #4 se classificou apenas em 18º, o pior resultado da carreira na MotoGP, e recebeu a bandeirada em 11º.

Andrea Dovizioso quer um acerto melhor para a GP20 (Foto: Ducati)

Questionado se as dificuldades apresentadas neste ano são reflexo apenas dos pneus Michelin, que têm nova construção neste ano, Dovizioso respondeu: “Com certeza. A moto não é tão diferente. GP19 e GP20 são muito similares”.

“Não é o ponto, seria muito fácil se fosse isso. O pneu traseiro, com certeza, força a dianteira e não é só forçar, ela trabalha de uma maneira diferente. Temos de mudar isso e não é tão fácil”, explicou.

O piloto de Forli explicou que mudar o estilo de pilotagem não deu resultados, assim como recorrer ao acerto dos anos anteriores.

“Pensei que com uma pequena diferença no meu estilo, poderia melhorar bastante a situação, mas não foi assim. Preciso de mais ajuda do acerto”, comentou. “Não sou do tipo de piloto que tenta buscar desculpas, mas se você olhar os meus dados, a frente sempre trava. Isso significa que estou tentando colocar a minha moto no limite e perdendo um décimo na freada, a cada freada. Temos de buscar um caminho diferente”, insistiu.

“Nosso limite é que seguimos o que fizemos nos últimos dois anos, pois funcionava, só que não funciona”, apontou. “No momento, a situação não está clara e por isso estou lento. E, quando você tem esse tipo de corrida em que a traseira é ruim para todo mundo, se você é lento na freada, no miolo das curvas, fica em 11º”, ponderou.

Apesar das dificuldades apresentadas pelos pilotos de fábrica, duas Ducati satélite se destacaram nesse início de temporada. Com uma GP19, Johann Zarco terminou a corrida de Brno em terceiro, enquanto Francesco Bagnaia, já com uma GP20, caminhava para o segundo lugar do GP da Andaluzia quando teve de abandonar por uma quebra.

“Uma razão, talvez, é que se você olhar para Danilo [Petrucci], Jack [Miller] e eu, nós temos muita experiência com essa moto e temos mais ou menos o mesmo problema”, apontou. “Pecco e Zarco têm menos experiência, e acho que eles seguiram uma direção diferente, pois não têm experiência para seguir o que era bom para a Ducati nos últimos três anos. Pode ser isso, mas é só o que eu acho”, concluiu.

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