Ducati vê GP dos EUA como “alerta”: “Tivemos mais dificuldades do que deveríamos”
Diretor-executivo da Ducati Corse, Gigi Dall’Igna fez um balanço do GP dos Estados Unidos e considerou que a marca de Borgo Panigale teve uma corrida “sem brilho”
A Ducati não esconde a decepção com o GP dos Estados Unidos de MotoGP. Chefe da divisão de corridas, Gigi Dall’Igna classificou a prova em Austin como um “alerta” e reconheceu que a equipe italiana teve mais dificuldades do que deveria.
Assim como já tinha acontecido em Tailândia e Brasil, a passagem da MotoGP por Austin foi mais um capítulo do protagonismo da Aprilia, que venceu a sprint com Jorge Martín e a corrida de domingo com Marco Bezzecchi. Na prova curta, a Ducati viu Francesco Bagnaia assegurar o segundo posto após liderar a maior parte da disputa, mas nenhuma Desmosedici chegou ao top-3 do GP pela segunda vez neste ano.
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Fechadas as três primeiras etapas do campeonato, Bezzecchi lidera o Mundial de Pilotos com 81 pontos, quatro a mais do que Martín, o segundo colocado. A Aprilia comanda o Mundial de Construtores com 101 tentos, 32 a mais do que a Ducati. A casa de Noale também dá o tom no Mundial de Equipes, onde já soma 158 pontos, 81 a mais do que a KTM, que ocupa a vice-liderança. A equipe de fábrica da Ducati aparece apenas na quarta colocação.
No tradicional balanço pós-corrida, Dall’Igna não escondeu a decepção com o segundo domingo fora do pódio após uma série de 88 top-3 registrada entre o GP de Aragão de 2021 e o da Comunidade Valenciana de 2025.

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O dirigente destacou o desempenho de Fabio Di Giannantonio e Francesco Bagnaia na classificação, mas avaliou que o erro de Marc Márquez na corrida sprint ― que acabou tirando o piloto da VR46 da prova ― teve um custo alto por causa da volta longa que o espanhol teve de pagar no GP.
“Um GP que reflete os verdadeiros valores na pista, uma corrida sem brilho que se desenrolou em um fim de semana com resultados mistos para nós, e que terá de ser interpretada com muito cuidado”, escreveu Dall’Igna no LinkedIn. “Sábado começou com Diggia na pole-position e Pecco e Marc largando na segunda fila do grid. Infelizmente, o erro de Marc na sprint custou a ele uma pesada punição de volta longa na corrida principal, impondo a ele uma significativa perda de posições contra os rivais mais próximos dele, o que o impediu de lutar pelo pódio”, comentou.
“Como sempre, ele foi persistente e determinado, conseguindo se recuperar para terminar em quinto, dando tudo de si com a generosidade e o caráter que condizem com esse campeão que nunca se intimida”, declarou. “Um Marc, entretanto, que não estava 100% por causa da queda de sexta-feira, e com uma sensação na moto que ainda era incerta, pedindo por um acerto que precisava de ajustes e que não o permitiu ser o Marc Márquez que conhecemos tão bem e de que esperamos tanto. Se somarmos a isso a melhora constante dos nossos adversários, arrisco dizer que a situação fica muito clara”, ponderou.
Gigi celebrou a performance exibida por Bagnaia na corrida sprint, mas lamentou que o desgaste do pneu tenha impactado fortemente o desfecho da prova de domingo.
“Bagnaia chegou perto de vencer a sprint: foi ótimo e recompensador vê-lo correr na liderança por tanto tempo. No domingo, ele não teve uma boa largada, mas rapidamente compensou com uma pilotagem determinada e agressiva em uma primeira metade de corrida rápida e confiante”, recordou. “Ele mostrou a garra necessária para alguém que quer ser um protagonista, mas acabou sofrendo uma queda brusca de desempenho que o fez perder mais e mais posições, o que o deixou relegado ao décimo lugar na bandeirada”, lamentou.
Assim como na semana passada, Dall’Igna não economizou nos elogios a Di Giannantonio.
“Um Diggia sólido como uma rocha, terminando na quarta colocação, foi mais uma vez o melhor piloto da Ducati. Um começo difícil seguido por uma corrida excelente: talento e maturidade”, frisou.
Por fim, Dall’Igna reconheceu que a Ducati precisa trabalhar duro para voltar à briga e avaliou que a equipe sofreu mais do que deveria no Circuito das Américas.
“O que está muito claro é que precisamos trabalhar duro para melhorar e colocar os nossos pilotos em posição de dar o melhor de si, especialmente agora que os rivais estão provando ser tão competitivos”, avaliou. “Nos EUA, nós tivemos mais dificuldades do que deveríamos: foi um alerta que deve nos motivar a voltar a vencer, confiante de que seremos ainda melhores”, encerrou.
Com o adiamento do GP do Catar, a MotoGP agora tem um mês de pausa até o GP da Espanha, o que vai permitir um período extra de trabalho para as fábricas antes do teste coletivo de Jerez, a primeira bateria oficial da temporada.
A MotoGP volta a acelerar entre os dias 24 e 26 de abril, para o GP da Espanha, direto de Jerez, para a 4ª etapa da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como das demais classes do Mundial de Motovelocidade.
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