Em MotoGP competitiva, Yamaha e Suzuki saem na frente na Malásia e Aprilia evolui

A primeira bateria de testes da pré-temporada mostrou que a MotoGP virá competitiva em 2020. Além disso, a atividade em Sepang ratificou o bom trabalho de Aprilia e KTM para crescer na classe rainha do Mundial de Motovelocidade

A MotoGP concluiu no domingo (9) a primeira bateria de testes da pré-temporada 2020. E, embora essa fase da temporada nunca seja um reflexo perfeito do que será o campeonato, é justo dizer que os três dias em Sepang serviram para dar uma animada. Afinal, 19 pilotos terminaram a atividade separados por 0s755.
 
Dono do melhor ritmo em volta lançada, Fabio Quartararo liderou os três dias e fechou a bateria com o melhor tempo de 1min58s349, 0s082 melhor que Cal Crutchlow. Mas não é só isso: todas as seis fábricas do grid aparecem dentro do top-10 = três Ducati, duas Yamaha, duas KTM, uma Suzuki e uma Aprilia.
Álex Rins (Foto: Suzuki)
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Isso, entretanto, não significa dizer que a Ducati foi quem mais apareceu. Pelo contrário. A casa de Borgo Panigale fez um teste discreto e aparenta, ao menos por enquanto, ter crescido menos do que as rivais. 
 
Nesta primeira atividade do ano, Yamaha e Suzuki foram as que mais se destacaram especialmente com Maverick Viñales e Álex Rins, que impressionaram em termos de ritmo de corrida. A Honda, por outro lado, segue sendo uma incógnita. Dos quatro pilotos, dois estão recuperando a forma ― Marc Márquez e Takaaki Nakagami ―, um é novato ― Álex Márquez ― e outro não ficou tão impressionado com o que viu ― Cal Crutchlow.
 
Ao contrário do britânico, porém, Aleix Espargaró saiu da Malásia sorrindo de orelha a orelha. O #41, que vem pressionando a Aprilia faz tempo, foi positivamente surpreso com a evolução da RS-GP. O irmão mais novo, Pol, também ficou mais do que feliz com o trabalho da KTM.
 
Líder, mas quero mais
 
Apesar de ter ditado o ritmo em todos os três dias de atividades em Sepang, Quartararo se disse focado em melhorar a performance no ritmo de corrida.
 
“Não estou me sentindo 100% confortável com a moto, então precisamos trabalhar e entender o motivo”, comentou Fabio. “E também checar os dados com a fábrica. Não é um único problema, é o geral de tudo, o ponto de frenagem, a eletrônica, a aderência, um pouco de tudo. É bem difícil, mas vamos analisar com o time”, completou.
 
Foco no que importa
 
Ao contrário de Quartararo, Maverick Viñales não buscou tempo no dia final de treinos e, assim, terminou apenas em 16º, 0s544 mais lento que o piloto da SIC. Depois de ganhar a alcunha de ‘Leão de treino’, o #12 decidiu mudar a abordagem da pré-temporada.
 
“Eu me concentrei em melhorar as coisas que me faltaram no ano passado. Neste ano, se tiver um corpo a corpo, estamos mais preparados. Me faltava um pouco de velocidade e frenagem. Algo para melhorar no início da corrida”, comentou Maverick. “Estamos preparando a moto para lutar, chegar no Catar com as melhores armas possíveis. Isso se consegue trabalhando quando faz mais calor, tem menos aderência. Estou bastante surpreso com o ritmo. No final, poderia até ter forçado um pouco mais”, frisou.
 
“Eu estou muito focado no trabalho. Nos anos anteriores, não me serviu de nada ser o primeiro aqui, o primeiro no Catar e muito menos em outros lugares. Estou focando na primeira volta no Catar e no ritmo”.
 
Que ritmo!
 
Álex Rins, aliás, foi um dos que mais impressionou, graças a uma ótima simulação de corrida. O #42, que no ano passado venceu duas corridas, deixa Sepang em alta e depositando suas fichas no bom trabalho da Suzuki. 
Maverick Viñales (Foto: Yamaha)
“Nós estamos onde eu gostaria de estar na saída desses testes”, resumiu Álex. “Nesses três dias, nós trabalhamos realmente duro, testamos coisas diferentes: dois ou três novos chassis, suspensão e atualizações eletrônicas”, contou.
 
“Com o novo chassi, me sinto confortável e posso ser bem constante, mas sempre rodei em 1min59s. Foi importante fazer comparações entre os diferentes chassis e vamos continuar também no Catar”, anunciou. “Entretanto, estou realmente feliz, porque aqui em Sepang eu nunca fui tão rápido, nem em volta lançada e nem em ritmo de corrida”, comentou.
 
Companheiro de Suzuki, Joan Mir ficou igualmente satisfeito. A caminho do segundo ano na MotoGP, o espanhol aposta em um ano amplamente positivo para a casa de Hamamatsu.
 
“Me sinto realmente bem na nova moto e acho que poderemos dar outro passo à frente nos testes no Catar”, ponderou. “Eu acredito que este ano nós seremos capazes de fazer grandes coisas, embora seja difícil dizer agora com alguma certeza, pois quero testar a GSX-RR em outra pista”, frisou.
 
Minha moto é assim…
 
Dono do quinto melhor tempo em Sepang, Valentino Rossi também se mostrou animado com o trabalho da Yamaha, mas admitiu que esperava mais do motor. Só que ele sabe que esse não é o ponto forte da YZR-M1. 
 
“Eu esperava ser um pouco mais forte na reta, mas sabia que era difícil. Não é fácil, essa é a característica da Yamaha”, reconheceu. “Mas, no que diz respeito a aderência do pneu traseiro, me parece que vou um pouco melhor, embora só tenhamos testado nesta pista, então temos de testar em outras. Mas é muito importante”, considerou.
Aleix Espargaró (Foto: Divulgação/MotoGP)
Um busca da forma perfeita
 
Depois de passar por uma cirurgia no ombro direito em novembro do ano passado, Marc Márquez ainda tenta recuperar a forma e, por isso, teve dificuldades em fazer uma avaliação mais precisa da RC213V.
 
“A Honda é uma moto física e, se você não está 100%, você sofre. Estou indo passo a passo, tentando me sentir melhor na moto. Mas, no momento, é difícil tentar alguma coisa no chassi”, contou. “Para dizer que a moto está ok, primeiro tenho de me sentir bem para rodar direito. No início do dia, está ok, mas aí, gradualmente, minha condição cai em todo meu corpo e, especialmente, o ombro”, relatou.
 
Síndrome do sapato novo
 
A Ducati não fez grandes mudanças na Desmosedici desde os testes do ano passado, mas Andrea  Dovizioso acredita que agora é uma questão de ficar mais confortável com o novo pneu. 
 
“A moto que trouxemos para cá é a mesma de Valência e Jerez. Nós escolhemos isso e pronto”, comentou. “Claro, podemos melhorar, mas, honestamente, gerir os pneus é muito importante e podemos trabalhar nisso cada vez que vamos para a pista. Para outras melhorias, no chassi, por exemplo, vai levar tempo”, reconheceu.
 
Companheiro do #4, Danilo Petrucci explicou que o pneu introduzido pela Michelin joga contra a força da Ducati: a potência.
 
“É um pneu que dá muita confiança no meio da curva, então, para extrair o máximo dele, você tem de focar nas curvas, mas o nosso ponto forte é a aceleração e, nessa área, não dá tanto suporte”, apontou Danilo. “Então é como se sublinhasse nossas fraquezas, mas [Jack] Miller conseguiu extrair o melhor dele e fazer uma grande diferença com os pneus macios. Isso significa que dá para fazer, só quero entender como”, completou.
 
Gente, que moto!
 
Depois de muito pedir, Aleix Espargaró finalmente parece ter sido atendido pela Aprilia. Sob o comando de Massimo Rivola, o time de Noale apareceu mais competitivo em Sepang e o catalão acredita que a RS-GP melhorou em todas as áreas.
 
“Estou absolutamente satisfeito e gostaria de agradecer verdadeiramente a todos na Aprilia que tornaram possível trazer uma moto tão nova e competitiva para a pista”, declarou o #41. “A RS-GP de 2020 melhorou em todos os aspectos. É um passo a frente que, para ser franco, quase me surpreendeu”, assumiu. 
 
“Claramente, têm muitas áreas onde nós precisamos trabalhar, mas são problemas relacionados à juventude do projeto e não deficiências reais”, indicou. “No fim de três dias, eu gostaria de ter ficado mais próximo dos líderes com o pneu macio, mas, com esse tipo de pneu, o feeling simplesmente não estava lá. Na configuração de corrida, por outro lado, até mesmo com os pneus usados, fui extremamente rápido. Nós precisamos continuar forçando, porque restam apenas algumas semanas antes da primeira corrida, mas deixo a Malásia com um sorriso no rosto”, completou.
 
Mais um passo da KTM
 
Assim como o irmão, Pol Espargaró também saiu feliz de Sepang. Embora a evolução da KTM venha sendo mais notável do que a da Aprilia, o #44 destacou o fato de a RC16 ter andando bem na pista malaia, que nunca lhe favoreceu.
 
“Aqui, a potência sempre foi a coisa mais importante e, nos últimos anos, a Ducati sempre conseguiu ser o ponto de referência, mesmo com suas motos satélites. A KTM trouxe um novo motor e nós estivemos constantemente no top-5 em termos de velocidade máxima, alinhada com eles, então é um passo à frente. É um aspecto importante desses testes”, comentou Pol. “Nós estamos realmente prontos para a temporada. Nunca me senti assim antes do início da temporada. Nunca estivemos tão próximos daqueles à frente, especialmente aqui na Malásia. Se corrêssemos aqui amanhã, seríamos super competitivos em todas as sessões”, garantiu. 
 
“Honestamente, a moto me impressionou. Foi importante começar tão bem nos testes, porque as primeiras corridas da temporada normalmente são um problema para nós. Normalmente, temos alguns problemas antes de chegar em Jerez, mas acho que este ano será diferente. Claro, tudo pode mudar na corrida, sabemos disso. Temos de seguir focados, manter a atitude que nos permitiu sermos rápidos em cada teste passando por Valência e Jerez até Sepang”, avaliou.
 
Viñales X Rins
 
Embora seja muito cedo para apontar favoritos, especialmente por Marc Márquez estar ainda combalido, Viñales e Rins foram apontados quase que de forma unanime como os principais destaques da bateria malaia. 
 
“Ainda não está nada claro para o início do campeonato. Viñales e Rins parecem estar indo melhor, mas, como sabemos, a corrida é uma coisa completamente diferente. E difícil prever alguma coisa por causa dos novos pneus”, disse Dovizioso. “Eles têm o ritmo e nós não estamos longe, a posição na classificação conta pouco. Márquez está um pouco atrás, mas ele estará lá, 100% de certeza de que ele estará liderando o grupo. O que é importante é avaliar o ritmo depois de oito ou nove voltas, porque quando você faz duas ou três saídas com o mesmo pneu, você pode manter um bom ritmo. A diferença está em fazer todas elas de forma consecutiva”, guiou.
 
Márquez, porém, coloca Quartararo e Mir na lista de rivais fortes para a temporada 2020.
 
“Parece que os mais perigosos serão Viñales, Quartararo, Mir e Rins da Suzuki, pelo menos neste circuito. Vamos ver como eles se saem num fim de semana de corrida, porque é isso que faz a diferença”, ponderou Marc. “Não sei o quanto eles melhoraram neste inverno. Vamos ver nas primeiras corridas, pois no ano passado eles iam muito bem em algumas pistas, mas, em outras, nosso motor era superior”, lembrou.
 
Questionado sobre a nova construção de pneu traseiro introduzida pela Michelin, Marc concordou que as rivais parecem ter se dado melhor com o novo calçado.
 
“Provavelmente, eles também estão ajudando Suzuki e Yamaha um pouco. Parece que o equilíbrio da moto muda isso também muda os parâmetros eletrônicos. Eles, certamente, nos dão mais aderência na traseira, mas isso muda tudo na moto”, detalhou o #93.

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Falando no espanhol de Cervera, Petrucci acredita que o irmão de Álex escondeu o jogo na atividade desta semana.
 
“A Yamaha e Suzuki parecem boas, tanto em volta lançada quanto em ritmo de corrida. Apesar de Márquez não ter sido lento, na minha opinião ele está se escondendo”, considerou Danilo.
 
Piloto mais experiente do grid, Rossi fez um balanço mais geral do que promete ser uma competitiva temporada 2020.
 
“Honda e Márquez não dá para ver, porque Marc não está bem. Temos de esperar. Os mais fortes foram Viñales e Rins, em termos de ritmo. Conseguiram rodar em 1min59s baixo e médio. Provavelmente, Rins foi o mais rápido de todos”, opinou Rossi. “Quartararo foi muito rápido em uma volta. Em termos de ritmo, lhe custou um pouco em comparação com os outros dois. As Ducati não me parecem rapidíssimas, mas é só o primeiro teste. Todas as motos vão forte. Os mais em forma são Viñales e Rins”, concluiu.
 

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