KTM e Suzuki crescem e ameaçam hegemonia da Ducati no Red Bull Ring

Dona da pole no Red Bull Ring, a fábrica austríaca sai em vantagem com Pol Espargaró, mas Joan Mir e Álex Rins mostraram um ritmo forte com a GSX-RR para tentar parar a série invicta da Ducati no traçado de Spielberg

Foram necessários oito meses, mas enfim foi localizado alguém feliz com 2020. Apesar dos muitos pesares deste ano, a KTM vive um grande momento e, depois de conquistar a primeira vitória com Brad Binder no GP da Tchéquia, a fábrica de Mattighofen assegurou neste sábado (22) a primeira pole-position na MotoGP. E, desta vez, com Pol Espargaró, o piloto que guia a RC16 desde a estreia da equipe laranja na categoria.

No ano do adeus ao time comandado por Mike Leitner ― já que vai correr com a Honda em 2021 ―, Pol vem se colocando como protagonista corrida após corrida, mas pitadas de azar aqui e ali impediram o irmão de Aleix de converter a boa forma em resultados. Desta vez, porém, deu o passo que faltava na classificação: com 1min23s580, o catalão de Granollers bateu Takaaki Nakagami por só 0s022 no treino decisivo deste sábado.

“Foi uma volta difícil, porque estava muito calor e era difícil tracionar e sair das curvas, tínhamos de ser muito rápidos”, disse Pol entrevista ao serviço de streaming espanhol DAZN. “A última volta foi um tudo ou nada. Me arrisquei e deu certo, não por muitos milésimos, mas é o que conta. O importante é largar bem amanhã”, considerou.

Pol Espargaró comemorou com um abraço em Pit Beirer (Foto: Red Bull Content Pool)

A pole, aliás, vai ser um passo importante para Pol. Ao longo dos treinos, o companheiro de Brad Binder mostrou um ritmo superior aos demais e parte para o GP da Estíria como favorito à vitória ― o caçula dos Espargaró foi quem mais voltas deu na casa de 1min23s. Ainda assim, o piloto da moto #44 considera que tinha mais margem na corrida da semana passada.

“Estou muito contente. Depois do que aconteceu nas últimas duas corridas, que não conseguimos completar apesar de termos opções de lutar pela vitória ou pelo pódio, conseguir a pole na Áustria é fantástico. Sentimos falta dos fãs, mas conseguimos assegurar essa pole. É um pequeno passo para a corrida, especialmente para lutar com as Ducati e as Suzuki, que são muito rápidas”, ponderou. “Na semana passada, tínhamos mais chances de ganhar a corrida, vimos um bom rendimento na primeira largada. Essa semana é diferente. A Suzuki melhorou o rendimento e os dois pilotos estão mais fortes. Também a Ducati e Nakagami são muito rápidos. No fim de semana passado, eu tinha algo mais. Mas vou lutar pela vitória, vamos ver se conseguimos, embora o importante desta vez seja completar todas as voltas”, frisou.

Pol, todavia, não foi único destaque incomum deste sábado. Nakagami chegou a sonhar com a pole, mas segue fantasiando um pódio. E não é à toa. Na ausência de Marc Márquez ― que sequer tem data para voltar ―, o japonês é quem tem empunhado a flâmula da Honda, ainda que com uma RC213V de 2019.

“Estou muito contente com o bom fim de semana. Vou bem em qualquer condição. No entanto, nos faltam um ou dois décimos. Não esperava lutar pela pole, mas nosso objetivo era a primeira fila”, admitiu.

Na ausência do tradicional líder da fábrica da asa dourada, Naka contou que está sentindo mais pressão da Honda, já que Takeo Yokoyama, o responsável técnico da fábrica, e Alberto Puig, chefe da equipe principal, estão sempre nos boxes da LCR.

“Depois da lesão em Jerez, senti um pouco mais de pressão por parte da HRC. Takeo e Alberto estão lá muitas vezes e sinto que existe um pouco mais de pressão, mas estou curtindo, pois sou mais competitivo”, falou. “Não posso usar a moto oficial, mas esta tem muito potencial. Temos os dados do Marc do ano passado e os analisamos. Marc levou a moto a outro nível, somou 400 pontos, então o potencial está ali. Estamos tentando averiguar como ele conseguiu isso. Ele tem uma pilotagem especial. Em alguns pontos, posso tentar emular o estilo dele, e isso está funcionando bem desde Jerez. Não é fácil, mas é a chance de ser rápido. Todas as noites, avalio os dados e as diferenças de pilotagem. Preciso de menos energia para pilotar. Sigo aprendendo, mas encontrei a forma de me adaptar à moto”, contou.

Vindo de um pódio na primeira passagem pela Áustria, Joan Mir é quem mostrou uma cadência similar a do piloto da KTM. A Suzuki deu um passo à frente em relação à performance exibida na primeira passagem pelo Red Bull Ring.

Takaaki Nakagami foi um dos destaques deste sábado (Foto: Red Bull Content Pool)

“A chave será ser constante durante toda a corrida. Muitos podem rodar em 1min24s baixo, mas poucos em 1min23s alto. Isso vai limpar um pouco a corrida. Temos de ser capazes de rodar nesse ritmo e estar no grupo”, considerou Mir. “Com certeza, todos nós melhoramos o máximo das motos nessa pista, não acho que dê para melhorar mais depois de tantos dias”, ponderou.

“Não me guio muito por sensações, mas por resultados e estou melhor do que no fim de semana passado. Se lá eu estava na luta pelo pódio, acho que agora tenho, se não o melhor, o segundo melhor ritmo, e isso vai me permitir correr sem a corda no pescoço. Não acho que possa escapar, porque muitos pilotos são rápido, mas me vejo lutando pela vitória até o fim”, garantiu. “É preciso levar em conta que nenhum dos pilotos da primeira fila já venceu corridas, então pode ter alguém com excesso de vontade. Acho que Pol tem uma vontade tremenda, Nakagami igual e está forte e é o mesmo comigo. Todos queremos demonstrar coisas. Vai ser uma corrida bonita. Tomara que a gente não peque por excesso de vontade. Normalmente, me dou bem com isso, então não estou preocupado, não acho que será um problema”, completou.

Álex Rins, que caiu na semana passada depois de assumir a liderança da corrida, vai largar na sexta colocação.

“É estranho, pois quando as margens são tão pequenas, você facilmente pode terminar mais para trás no grid o que gostaria”, comentou. “Só estou dois décimos atrás, mas terminei em sétimo. Na verdade, vou para a fila de cima e largar em sexto por causa da punição de Zarco. O meu ombro ainda dói, mas tenho um bom ritmo e consistência para amanhã. Têm alguns outros pilotos rápidos, então será uma luta. Amanhã de manhã vamos decidir os pneus e estou pronto para dar tudo de mim”, assegurou.

Vencedor do GP da Áustria da semana passada, Andrea Dovizioso ficou apenas com oitavo posto do grid, muito abaixo da meta de primeira fila.

“Infelizmente, não consegui fazer uma boa volta na classificação. Nunca tinha acontecido comigo, mas depois de trabalhar tanto com os pneus usados esses dias, tive dificuldade para encontrar o feeling necessário para forçar com os pneus novos”, relatou. “Trabalhamos duro esses dias e estamos prontos para amanhã. Esperamos poder recuperar posições imediatamente desde os primeiros estágios da corrida”, torceu.

Mesmo com a posição ingrata de largada, Andrea acredita na repetição do resultado do último dia 16. Desde que a equipe consiga trabalhar um pouco mais.

“Vai ser preciso uma obra-prima, fazer as coisas certas na hora certa, pois os adversários estão um pouco mais competitivos. Eu esperava isso, já que alguns mostraram nos treinos que eram bem competitivos, mas não concretizaram na corrida de semana passada. Esse fim de semana, parece que eles colocaram tudo no lugar e os outros também se aproximaram”, avaliou. “Muitos de nós têm um ritmo similar. Acho que vai ser uma corrida um pouco mais de gestão se fizemos 28 voltas seguidas. Isso muda em relação à semana passada, pois as corridas 1 e 2 foram de curta distância. Vai ser um pouco diferente, pois o desgaste dos pneus é importante. As duas Suzuki estão à frente de todos. Pol Espargaró quem ganhar aqui a qualquer custo e isso pode ser um impulso importante para ele. [Jack] Miller está bastante alinhado comigo, mas Nakagami também é forte. Largando na frente, ele também estará no grupo. Mas não podemos esquecer de [Miguel] Oliveira”, alertou.

Joan Mir mostrou melhora da Suzuki em Spielberg (Foto: Suzuki)

Líder do Mundial, Fabio Quartararo vai para a corrida pressionado. Depois de duas corridas boas em Jerez, o francês perdeu rendimento e foi discretíssimo em Spielberg. Após um dia apagado da Yamaha, o francês vai largar apenas em nono.

“Não temos nem aderência na traseira e nem velocidade. Vamos ver o que podemos fazer amanhã, mas sabemos que será difícil ultrapassar. Por sorte, vou largar ao lado de Dovi e vou tratar se segui-lo. Tenho certeza que ele estará entre os ponteiros”, previu. “Nosso ritmo não é ruim, mas quando você larga em nono neste circuito, não está nas melhores condições”, reconheceu.

Embora atravesse uma fase ruim, Quartararo assegura que não “sente a pressão” de liderar o Mundial. “Mas sei que Dovi é mais rápido. De qualquer forma, vou sair para atacar. Não se trata de sobreviver, mas de recuperar posições”, avisou.

Melhor Yamaha a grelha, Maverick Viñales cravou 1min23s778 e vai sair em quinto. Tentando um novo acerto na YZR-M1, o espanhol colocou as primeiras voltas como vitais para um bom resultado.

“A segunda fila é positiva. Considerando as condições da pista e o nível dos nossos rivais, não está ruim, estou bem feliz. Mas de qualquer forma, amanhã será uma corrida difícil, pois a maioria dos pilotos tem o mesmo ritmo. Precisamos ultrapassar no início e tentar entender onde somos mais rápidos”, considerou. “Me sinto realmente bem na moto. Esse fim de semana, estamos usando um acerto diferente, tentando entender se isso é melhor para a corrida, mas não saberemos com certeza até amanhã. Vamos tentar e ver. É bom tentar algo diferente neste segundo GP na Áustria, pois podemos facilmente comparar os dados e ver se estamos indo na direção certa ou não”, declarou.

Do outro lado dos boxes, Valentino Rossi teve um sábado um tanto pior. O italiano caiu quando caminhava para sua melhor volta no Q1 e, assim, vai largar só em 14º.

“Infelizmente, cometi um erro na curva 9. Acho que encostei na linha branca, que estava suja, por causa do incidente do [Jaume] Masià com óleo na classificação da Moto3, então perdi a frente. Também cometi um erro esta manhã quando estava em uma boa volta e tive de participar do Q1. Essa sessão foi muito difícil, porque todo mundo força bastante e os tempos de volta são similares ao Q2, então não é fácil”, comentou. “Largar em 14º será muito difícil, mas meu ritmo de corrida não é tão ruim, sou bem rápido e consistente. Acho que tem quatro ou cinco pilotos que são mais rápidos, mas estamos lá com os outros. Essa não é a nossa melhor pista, é difícil aqui com a Yamaha, mas o ritmo não é tão ruim, sou bem forte. A corrida é longa. Temos de fazer tudo bem, tentar o máximo desde o início da corrida”, completou.

Confira as imagens deste sábado de classificação da MotoGP para o GP da Estíria

Fabio Quartararo não saiu muito animado deste sábado (Foto: SRT)

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