Mercado de pilotos da MotoGP pega fogo antes de início da temporada 2026
Antes mesmo do início oficial dos testes, o mercado de pilotos da MotoGP já está pegando fogo com inúmeros rumores cercando diversos pilotos do grid
O mercado de pilotos da MotoGP promete ser especialmente agitado em 2026. A maioria dos pilotos tem contato vencendo este ano e, às vésperas de uma importante mudança de regulamento, os acertos terão de ser feitos no escuro. Afinal, ninguém tem certeza de como será a nova ordem de forças a partir de 2027.
Até agora, apenas três pilotos têm contrato para além de 2026. A situação mais confortável é a de Diogo Moreira, que assinou com a HRC, a divisão esportiva da Honda, até 2028. Companheiro do brasileiro na LCR, Johann Zarco também assinou com a fábrica japonesa um acordo longo, mas que chega apenas até 2027. Recém-chegado à MotoGP, Toprak Razgatlioglu fechou com a Yamaha até 2027.
Quem está no meio do caminho é Fermín Aldeguer. O contrato do espanhol é direto com a Ducati, mas vence no fim de 2026. No entanto, o acordo tem uma opção de ser renovado por mais dois anos, podendo chegar até 2028.
Campeão vigente, Marc Márquez encaminha uma renovação com a Ducati. A casa de Bolonha não esconde que dá prioridade para a assinatura do espanhol, e o próprio #93 já assumiu que o acordo deve sair antes mesmo do GP da Tailândia, que abre a temporada no próximo dia 1 de março.

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“Alguns pilotos, com certeza, vão tomar a decisão antes da primeira corrida. Obviamente, eu estou entre eles”, assumiu Marc. “Já estamos conversando com a Ducati, e vou analisar tudo para tomar a melhor decisão possível para a minha vida profissional e pessoal. Na minha carreira esportiva, minha estratégia quando estou feliz e rápido é sempre ficar no lugar. E, no momento, estou feliz na Ducati”, encerrou.
Enquanto o acerto com Marc parece bem encaminhado, as especulações em torno da segunda vaga são muitas. Em meados do mês, Massimo Rivola, chefe da Aprilia, jogou gasolina nos rumores ao dizer para o site italiano Moto.it que Pedro Acosta era o mais provável parceiro do #93, já que o ‘Tubarão de Mazarrón’ quer a vaga e tem o interesse correspondido.
Chefe da Ducati Corse, Gigi Dall’Igna não deixou passar as insinuações do colega e tratou de alfinetar.
“Vi que Rivola falou mais da Ducati do que a Aprilia na apresentação dele”, disparou Dall’Igna em entrevista ao streaming espanhol DAZN. “Obviamente, vou deixá-lo fazer a consideração que quiser. Nossa meta é assinar um contrato com Marc, que é o campeão vigente, assim como fizemos com Pecco em 2024. A meta é assinar com o cara que venceu o campeonato com a gente, então finalizar o contrato com Marc antes de a temporada começar”, insistiu.
A vaga supostamente cobiçada por Acosta é a que hoje pertence a Francesco Bagnaia. Bicampeão da MotoGP pelo time de Bolonha, o italiano viveu um ano pavoroso em 2025, sem jamais se entender por completo com a GP25. Depois de fechar o ano apenas na quinta colocação do Mundial de Pilotos, o piloto de Torino tem o destino incerto, mas tenta manter a tranquilidade.
“Honestamente, estou bem calmo em relação a isso. Só quero pensar nesta temporada, pois sei que será uma grande mudança de regulamento”, disse Pecco. “Muitos pilotos estão em fim de contrato, então será importante ter uma boa mentalidade no campeonato. E estou bem calmo em relação ao próximo ano”, encerrou.
Embora tenha sido colocado para escanteio pela Ducati, Bagnaia não recebeu o rótulo de descartado.
“Pecco é um grande campeão, vem de um ano difícil, mas não sei de dá para dizer que ele está sob avaliação. Ele já provou o talento e a habilidade dele”, disse Claudio Domenicali, diretor-executivo da Ducati. “Dito isso, como equipe, seguimos prioridades, então vamos começar com o campeão e aí lidar com o segundo piloto”, continuou.

Em entrevista à publicação britânica Autosport, Davide Tardozzi, chefe da Ducati, deixou as portas abertas para Pecco: “Uma vez que soubermos se Marc vai continuar conosco ou não, vamos pensar no outro piloto. O que está claro é que, se Márquez decidir sair, a prioridade será renovar Bagnaia”.
No campo de Acosta, o mistério segue. Agente do espanhol, Albert Valera não faz segredo de que busca alternativas ― ele o fez inclusive no ano passado, quando o #37 tinha um contrato plenamente válido com a KTM. A VR46 tampouco esconde o desejo de contar com o piloto de 21 anos.
Pedro, no entanto, se recusou a falar sobre o futuro na entrevista coletiva que deu na ocasião da apresentação da RC16 da KTM.
Questionado sobre as negociações em torno do futuro e quando espera ter um acerto para 2027, Acosta respondeu: “Bom, no momento, tenho problemas o bastante para ver o que vai acontecer na Malásia. Estamos em 2026. Quero fazer bons resultados, como estávamos fazendo no fim de 2025. E, além disso, acho que hoje não é dia de falar disso. Estamos na apresentação da KTM hoje. Vamos tentar focar em 2026. 2027 é uma grande dúvida para todo mundo”.
Diretor da KTM, Pit Beirer assumiu que a fábrica austríaca ainda não fez o bastante para garantir uma renovação com Acosta, mas se mostrou confiante na possibilidade de convencê-lo a ficar por meio da performance da nova moto.
“Não fizemos o bastante, ainda, pois primeiro precisamos provar”, assumiu Beirer. “De alguma forma, acho que o fim do ano deu confiança a ele. Mas ele não esconde que ainda espera outro passo da moto, para estarmos em posição de oferecer a ele um contrato para o futuro. Precisamos de um plano muito claro de como vamos encarar a temporada e, especialmente, como vamos encarar o teste de Sepang. Tenho certeza de que o teste de Sepang será bem importante para mostrarmos, não apenas ao Pedro, mas para todos os nossos pilotos, que nós conseguimos entregar ao longo do inverno”, defendeu.

“Estou confiante de que vamos entregar, de que teremos um bom teste em Sepang e, a partir dessa atmosfera, vamos falar com os nossos pilotos sobre o futuro”, avisou. “Não quero falar com eles agora, quando todos eles esperam um passo de nós”, justificou.
Ainda que Márquez e Acosta sejam os principais focos do mercado, eles não são os únicos. Fabio Quartararo é outro nome forte no mercado. O francês tem contrato com a Yamaha apenas até o fim deste ano e não é de hoje que ele ameaça deixar a equipe se não ficar satisfeito com a performance da YZR-M1.
Em outubro do ano passado, o campeão de 2021 assumiu que não estava satisfeito com o que alcançou na MotoGP “em comparação com o potencial que tenho agora”.
“Sei que estou muito melhor do que em 2021, quando fui campeão. Depois de três anos difíceis, aprendi muito sobre como lutar sem ter a moto ideal. Sou um vencedor e sei o que ainda preciso conquistar antes de me aposentar e me sentir realizado”, avaliou.
Questionado sobre o que a Yamaha precisaria fazer para convencê-lo a renovar mais uma vez, Quartararo foi direto: “Eles precisam encontrar uma solução. O tempo é muito curto. O que a Yamaha não conseguiu fazer em anos, espero que consiga em alguns meses. Porque eu também não tenho muito tempo — isso é claro. Não tenho muito tempo para realizar meus sonhos”.
A Yamaha, porém, não tem como ganhar performance de uma hora para outra, especialmente porque, respondendo à pressão de Fabio, optou por abandonar a tradição dos motores de quatro cilindros em linha e começa, a partir de 2026, a usar um propulsor V4. Assim, a YZR-M1 é completamente nova.
É inegável, porém, que as constantes cobranças de Quartararo e a reação negativa dele ao primeiro contato com a nova M1 criou ranhuras na relação. A Yamaha falou em renovar, mas apenas “se ele quiser ficar”.

“Como você pode imaginar, nós já começamos a conversar internamente”, disse Massimo Meregalli, chefe da equipe. “Mas é um pouco cedo para dizermos qualquer coisa. Com certeza, vamos falar com Fabio o mais cedo possível, e também gostaríamos de ver como Álex [Rins] vai começar a temporada”, seguiu.
“Nós, com certeza, realmente gostaríamos de continuar com Fabio se Fabio quiser ficar”, completou.
Entretanto, antes mesmo do início dos testes da pré-temporada, o site espanhol Motorsport noticiou um acerto entre Quartararo e a Honda. A fábrica japonesa também vive um momento de crise, mas conseguiu avançar bastante em 2025, inclusive abandonando o grupo D de concessões e se juntando a Aprilia e KTM no C.
Outrora dominante na MotoGP, a Honda perdeu muito espaço nos últimos anos, especialmente após a lesão de Marc Márquez, mas, desde a saída do #93, trabalhou para não apenas evoluir a RC213V, mas reestruturar a equipe. Os resultados já começam a ser vistos na pista, e muita gente aposta na marca da asa dourada como a grande força para 2027.
Se a saída de Quartararo da Yamaha se confirmar, Jorge Martín é apontado como possível substituto. O mesmo Motorsport espanhol indica que um acordo de dois anos está próximo de ser acertado.
Em meados de 2024, ao ser preterido pela Ducati em favor de Marc Márquez, Jorge assinou com a Aprilia no impulso. O espanhol era a grande aposta de Noale, mas o início de parceria foi para lá de tumultuado, com lesões seguidas e um longo afastamento da pista.
Antes mesmo de conhecer a RS-GP, Martín tentou romper o contrato com a Aprilia na metade, para tentar escapar em 2026. Naquela época, diante da possibilidade de se juntar à Honda.
Rivola, contudo, forçou a mão e o fez ficar, provando que a moto era competitiva. Mas a consequência estava posta: Martín não é mais a prioridade. Hoje, Marco Bezzecchi é o número 1 da Aprilia.
O dirigente ex-F1 já admitiu que preferia ter mais tempo para negociar contratos, mas disse que sabe do assédio de rivais aos pilotos da marca.

“Honestamente, eu preferiria não fazer isso rapidamente, mas, talvez, seja forçado a fazer isso de forma rápida, pois os outros estão se movendo muito rápido”, disse Rivola. “Sei que eles estão oferecendo muito dinheiro aos nossos pilotos”, seguiu.
“No fim, é um compromisso que precisamos ter juntos. Claramente, com Marco nós começamos a construir algo que poderia, permita-me dizer, entrar para os livros [de história]. E com Jorge nós ainda não começamos”, avaliou. “Adoraria vê-lo 100% fisicamente e ele está longe disso. Ele é um campeão mundial, então seria realmente bom vê-lo conosco no futuro, mas, primeiro, precisamos dar tempo a ele”, defendeu.
Caso perca Martín, Bagnaia é apontado como uma opção para preencher a vaga ao lado de Bezzecchi.
Por conta do ritmo acelerado das negociações, o grid de 2027 deve começar a tomar forma muito em breve.
MotoGP 2026, Situação contratual dos pilotos:
| EQUIPE | PILOTO | SITUAÇÃO |
| HONDA | L MARINI | Contrato até o fim de 2026 |
| HONDA | J MIR | Contrato até o fim de 2026 |
| YAMAHA | F QUARTARARO | Contrato até o fim de 2026 |
| YAMAHA | A RINS | Contrato até o fim de 2026 |
| DUCATI | F BAGNAIA | Contrato até o fim de 2026 |
| DUCATI | M MÁRQUEZ | Contrato até o fim de 2026 |
| APRILIA | J MARTÍN | Contrato até o fim de 2026 |
| APRILIA | M BEZZECCHI | Contrato até o fim de 2026 |
| KTM | B BINDER | Contrato até o fim de 2026 |
| KTM | P ACOSTA | Contrato até o fim de 2026 |
| LCR | J ZARCO | Contrato até o fim de 2027 – HRC |
| LCR | D MOREIRA | Contrato até o fim de 2028 – HRC |
| PRAMAC | T RAZGATLIOGLU | Contrato até o fim de 2027 – YAMAHA |
| PRAMAC | J MILLER | Contrato até o fim de 2026 – YAMAHA |
| GRESINI | Á MÁRQUEZ | Contrato até o fim de 2026 |
| GRESINI | F ALDEGUER | Contrato até o fim de 2026 – DUCATI (opção por mais 2 anos) |
| VR46 | F DI GIANNANTONIO | Contrato até o fim de 2026 – DUCATI |
| VR46 | F MORBIDELLI | Contrato até o fim de 2026 |
| TECH3 | M VIÑALES | Contrato até o fim de 2026 |
| TECH3 | E BASTIANINI | Contrato até o fim de 2026 |
| TRACKHOUSE | A OGURA | Contrato até o fim de 2026 |
| TRACKHOUSE | R FERNÁNDEZ | Contrato até o fim de 2026 |
A MotoGP segue na pista de Sepang na sexta-feira, com o segundo dia do shakedown na Malásia. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa da classe rainha, assim como das outras categorias do Mundial de Motovelocidade.
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