MotoGP estuda mudar programação do fim de semana para minimizar alterações nas condições da pista
Jack Miller revelou que a MotoGP considera modificar a programação do fim de semana para que a Moto2 anteceda a classe rainha também nos treinos livres. Pilotos apontam dificuldades por conta da interação entre a borracha dos pneus Dunlop e Michelin
Jack Miller revelou que a MotoGP pode fazer uma mudança na programação de seus fins de semana em reação às queixas relacionadas a aderência da pista. Os pilotos da divisão principal relacionam a diferença nas condições de pista à interação da borracha da Michelin com aquela dos pneus Dunlop utilizados pelas classes menores.
Atualmente, os treinos da classe rainha são antecedidos pelas atividades da Moto3, enquanto que a corrida acontece na sequência da prova da Moto2. Embora utilizem calçados do mesmo fabricante, a Moto3 deposita menos borracha do asfalto do que a classe intermediária.
Falando à imprensa nesta quinta-feira (4) na Tailândia, Miller avaliou que a interação entre as diferentes borrachas é um problema também para a classe intermediária, já que eles também correm em uma pista em condições diferentes daquelas em que treinaram ao longo do fim de semana.

Jack Miller contou que MotoGP considera mudar cronograma do fim de semana (Foto: Divulgação/MotoGP)
“Não somos só nós, para os caras da Moto2 também, porque eles estão acostumados a pilotar em uma pista com borracha da Michelin todo o fim de semana e aí vão para a corrida e não tem borracha da Michelin”, apontou Jack. “Então, para nós, especialmente nas primeiras cinco ou seis voltas, é realmente duro”, seguiu.
“Se pudermos tornar as condições de pista [nos treinos] um pouco mais similares a corrida, melhor”, comentou.
Na visão de Miller, a melhor solução seria colocar a “Moto2 nos Michelin”, mas é mais provável que aconteça uma inversão entre Moto3 e Moto2 na programação.
“Isso seria melhor para nós e também para [a Moto2], porque se você assistiu as últimas seis sessões classificatórias da Moto2, a maioria dos melhores tempos vieram na primeira ou na segunda voltas rápidas”, apontou. “Foi incrível ver na última semana [Brad] Binder de fato bater o tempo da pole de Marcel [Schrotter], porque Marcel foi o primeiro na pista, tinha as melhores condições, conseguiu uma volta limpa e ninguém conseguiu alcançá-lo até os últimos minutos”, lembrou.
“Acho que temos de trabalhar nisso e os caras da Dorna estão trabalhando para tentar deixar isso um pouco mais suave. Vamos ver quais planos vão aparecer na Comissão de Segurança amanhã”, comentou. “Nós sempre meio que falamos disso, mas na última semana [em Aragão] foi meio que um assunto importante. Em pistas como Aragão, faz muita diferente e talvez também em Misano. Especialmente quando está calor ou onde tem aceleração forte”, apontou.
“Aqui pode não ser um problema, mas aí vem Phillip Island ou algum lugar assim, onde tem muita borracha depositada e isso, com certeza, pode fazer diferença”, frisou.
O piloto da Pramac, porém, não sabe dizer se essa mudança beneficiaria especialmente a Yamaha, que vem mostrando uma piora de performance no domingo em comparação com o sábado. Recentemente, Valentino Rossi isentou os pneus e avaliou que é um problema da M1 as dificuldades de aderência.
“É difícil dizer, porque a Yamaha, especialmente Rossi, sempre parece ir bem na corrida. Eu não sei se isso vem da experiência dele ou se a moto funciona melhor sem a borracha da Michelin”, disse. “Parece que ele está sempre lá, mas aí o outro cara [Maverick Viñales] está sempre em dificuldades nas primeiras cinco ou seis voltas e aí no fim da corrida consegue rodar no mesmo ritmo dos caras da ponta. Então acho difícil dizer o que acontece lá”, completou.
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