MotoGP

Pedrosa vence, Márquez salva queda e fatura tetra da MotoGP com 3º lugar em Valência. Dovizioso cai

Dani Pedrosa bateu Johann Zarco e venceu o GP da Comunidade Valenciana. Marc Márquez até assustou, mas conseguiu salvar uma queda para garantir o terceiro posto, logo atrás de Dani Pedrosa. Andrea Dovizioso sofreu uma queda nas voltas finais e não conseguiu completar
Warm Up, de Valência / JULIANA TESSER, de Valência / NATHALIA DE VIVO, de São Paulo
 Dani Pedrosa (Foto: Michelin)

A temporada da MotoGP terminou com uma com uma corrida que fez jus à 2017: cheia de momentos inesperados. Estreante na MotoGP, Johann Zarco chegou perto de seu primeiro triunfo, mas acabou batido por Dani Pedrosa. O resultado do #26, porém, não foi suficiente para impedir o tetracampeonato de Marc Márquez.

O piloto da Tech3 assumiu na ponta ainda nos giros iniciais, superando Márquez. Depois de abrir uma ligeira vantagem, Johann foi caçado por Marc, mas o piloto da Honda levou um belo susto na curva um de Valência e caiu para a quinta colocação.
 
Pedrosa, então, passou a liderar a caçada a Zarco, que resistiu o quanto pôde, mas foi batido por 0s337 na volta final. Márquez, por sua vez, conseguiu o terceiro lugar, mais de 10s atrás do companheiro de Honda.
 
Que monstro é Márquez (Foto: Reprodução)
Do lado da Ducati, um fim de semana de emoções a flor da pele. Largando mais à frente, Jorge Lorenzo se manteve à frente de Andrea Dovizioso, apesar da insistência da casa de Bolonha de ordenar a troca de posições. A fábrica italiana começou pelo mesmo ‘mapping 8’ da Malásia, mas depois foi mais explicita, colocando um ‘-1’ no pit-board do espanhol.
 
Lorenzo insistiu, mas, com sete voltas para o fim, caiu e se despediu da prova. Pouco depois, entretanto, Dovizioso foi quem foi ao chão, se despedindo mais cedo de uma temporada que modificou seu status no esporte.

Assim, Márquez foi promovido ao pódio, com Álex Rins em quarto, à frente de Valentino Rossi, Andrea Iannone, Jack Miller, Cal Crutchlow, Michele Pirro e Tito Rabat.
 
Em um fim de semana para esquecer, Maverick Viñales foi só 12º, terminando isolado entre Bradley Smith e Danilo Petrucci.

Com o resultado deste domingo, Márquez, aos 24 anos e 268 dias, se torna o mais jovem tetracampeão da história do Mundial de Motovelocidade, superando Mike Hailwood, que conseguiu a marca aos 25 anos e 107 dias em 1965.
 
Além disso, o espanhol também superou Valentino Rossi como o mais jovem a chegar a seis títulos mundiais. O #46 tinha 25 anos e 244 dias quando ao conquistar sua sexta coroa, o título de 2004 da MotoGP.

Márquez comemorou a vitória e reconheceu que errou o ponto da freada, o que deu abertura para a ultrapassagem de Márquez. "Sabe, foi fantástico, que sensação maravilhosa. Durante a corrida eu fiquei tentando controlar a situação, até que me senti bem o suficiente para forçar. Mas na curva 1 perdi a concentração na hora de virar, perdi o controle, mas o que importa é: estilo Márquez até o final (risos)", disse.

Ele ainda aproveitou para parabenizar seu adversário italiano Dovizioso. "Parabéns para Andrea, o fair play esteve lá sempre. Estou muito feliz", encerrou.
 
Saiba como foi o GP da Comunidade Valenciana de MotoGP:
 
Em um ano bastante tumultuado pela chuva, o clima decidiu dar uma trégua para a MotoGP no momento decisivo da temporada 2017. Assim como aconteceu ao longo de todo o fim de semana, o domingo amanheceu com sol e céu claro, e diferente das demais atividades, a temperatura subiu para a classe rainha. Quando os pilotos alinharam no grid, os termômetros marcavam 24°C, com o asfalto chegando a 26°C. 
 
Líder do Mundial com 21 pontos de vantagem para Andrea Dovizioso, Marc Márquez tinha a pole-position, a oitava do ano, à frente de Johann Zarco e Andrea Iannone. 
 
Único com chances de frustrar o tetracampeonato de Márquez, Dovizioso não teve um bom treino classificatório e vai sair apenas em nono, a mesma posição de partida que tinha quando conquistou a vitória no GP do Japão.
 
Para Valência, a Michelin levou dos pneus macios e duros em versão assimétrica, com o médio mantendo uma composição uniforme. Na traseira, macio, médio e duro tinham a borracha mais resistente do lado esquerdo.
 
Para a prova, Dovizioso, Márquez e Iannone optaram pelo pneu macio dianteiro e duro traseiro. Zarco foi na opção de borracha macia tanto na frente quanto atrás.
 
Quando as luzes se apagaram no Ricardo Tormo e a largada foi autorizada, o show começou. Márquez fez bela saída e manteve a ponta. Quem também saiu bem foi Pedrosa, que pulou para o segundo colocado. Iannone era o terceiro.
 
Enquanto isso, Dovizioso também soube dar um salto no pelotão. Largando em nono, o italiano ganhou terreno e no fim da primeira curva já era o sexto colocado, começando sua prova de recuperação.
 
Já no segundo giro Zarco começou a mostrar seu estilo de pilotagem. Primeiro ultrapassou o #29 e depois, em um belo lance, apertou para cima do #26 para tomar o segundo posto. Ele começou sua caçada para cima do ponteiro.
 
O #04 também ia ganhando posições dentro do pelotão da frente. Com 28 voltas para o fim, ele estava em quinto. Quem também vinha crescendo dentro da prova era Valentino Rossi, que já estava em oitavo.

Com três giros completos na prova, Dovizioso mostrou que estava bastante competitivo. O titular da Ducati anotou a volta mais rápida da prova com a marca de 1min31s777.
 
Na mesma volta, Zarco enfim conseguiu fazer a ultrapassagem em cima de Márquez. O espanhol, de forma consciente, preferiu não entrar no embate corpo a corpo com o piloto francês.
 
Faltavam 26 giros para a bandeira quadriculada tremular em Cheste quando Dovizioso, o quinto, alcançou Lorenzo, o quarto. No entanto, o #04 não conseguia seguir o ritmo do companheiro, sem conseguir ultrapassa-lo.
 
Depois de cinco voltas disputadas, Zarco aparecia na primeira colocação, seguido por Márquez, o segundo, e Pedrosa, o terceiro. Lorenzo sustentava o quarto posto, com Dovizioso completando o top-5. Iannone, Miller, Rossi, Pirro e Rins fechavam o rol dos dez primeiros.
 
Enquanto no pelotão da frente nada mudava, mais para trás as coisas estavam mais animadas. Rossi, então, chegou em Iannone. O titular da Yamaha começou então a perseguição em cima do piloto da Suzuki.

Faltavam 19 voltas, e a peregrinação de Dovizioso atrás de Lorenzo seguia. O italiano apresentava um ritmo melhor que o de seu companheiro até que, assim como na Malásia, o #99 recebeu a mensagem de “suggested mapping 8” (mapa sugerido 8, em tradução livre).
Mesmo após a mensagem, as posições não mudaram no pelotão. Zarco seguia na ponta e vinha caminhando para sua primeira vitória na classe rainha. Márquez vinha sem segundo, com Pedrosa o escoltando na terceira colocação. Lorenzo e Dovizioso fechavam  top-5.
 
O #93 tinha condições e ritmo de passar o #5. No entanto, o espanhol estava seguindo a risca seu discurso do final de semana, de ir ao limite até o warm-up e na corrida apenas conseguir cruzar a linha de chegada.
 
Com 11 giros para o final, enfim a mensagem clara para Lorenzo: em sua placa na pista, o engenheiro indicava para o espanhol ceder a posição para o italiano.
Enquanto isso, mudanças na ponta do pelotão. Em um lance certeiro, Márquez conseguiu ultrapassar Zarco. No entanto, o francês não aceitou a ultrapassagem e retomou para si a ponta da corrida.
 
E com 20 giros completados, mais uma vez o #99 recebeu a mensagem do suggested mapping 8. Nada mudava na pista e a prova entrava em sua reta final.

Faltavam oito voltas para o fim, Márquez enfim deu o novo bote em cima do Zarco. Dessa vez, o espanhol conseguiu mais uma vez tomar a ponta. Só que então o improvável aconteceu.
 
Quando se defendia do francês, o espanhol acabou escapando da pista, indo para a caixa de brita. O piloto voltou em quinto para a pista, mas antes se salvou de maneira incrível de uma queda quase certa.
Agora, então, a ordem no pelotão era a liderança de Zarco, com Pedrosa em segundo. Só que, quando Lorenzo vinha em terceiro, acabou sofrendo uma queda. Logo em seguida, Dovizioso acabou escapando da pista e também caiu. Ali acabava definitivamente o campeonato.
 
Quando Dovizioso voltou para os boxes, foi extremamente aplaudido por todos os membros da Ducati. Em um ano surpreendente, o piloto mostrou que enfim dominou a arisca moto da equipe para recolocar o time de Borgo Panigale de volta ao mapa.
 
A prova ainda não havia terminado, e Pedrosa começou a caçar Zarco nas voltas finais da corrida. Logo atrás da dupla vinha Márquez, com Rins em quarto e Rossi completava o rol dos cinco primeiros.
 
Na abertura da última volta, enfim, Pedrosa enfim tomou a ponta do pelotão. Zarco não iria desistir até a bandeira quadriculada. O francês veio com a faca nos dentes para superar o titular da Honda, mas sem sucesso.
 
Então, Pedrosa conquistou mais uma vitória em Valência, com Zarco fechando e segundo. Márquez terminou em terceiro, conquistou seu quarto título e definitivamente escreveu seu nome no livro da história da classe rainha do Mundial de Motovelocidade.

MotoGP, GP da Comunidade Valenciana, Corrida:

1 26 DANI PEDROSA ESP HONDA 46:08.125
2 5 JOHANN ZARCO FRA TECH3 YAMAHA +0.337
3 93 MARC MÁRQUEZ ESP HONDA +10.861
4 42 ÁLEX RINS ESP SUZUKI +13.567
5 46 VALENTINO ROSSI ITA YAMAHA +13.817
6 29 ANDREA IANNONE ITA SUZUKI +14.516
7 43 JACK MILLER AUS MARC VDS HONDA +17.087
8 35 CAL CRUTCHLOW ING LCR HONDA +17.230
9 51 MICHELE PIRRO ITA DUCATI +25.942
10 53 TITO RABAT ESP MARC VDS HONDA +27.020
11 38 BRADLEY SMITH ING KTM +30.835
12 25 MAVERICK VIÑALES ESP YAMAHA +35.012
13 9 DANILO PETRUCCI ITA PRAMAC DUCATI +38.076
14 17 KAREL ABRAHAM RTC ASPAR DUCATI +41.988
15 8 HECTOR BARBERÁ ESP AVINTIA DUCATI +47.703
16 76 LORIS BAZ ESP AVINTIA DUCATI +47.709
17 60 MICHAEL VAN DER MARK HOL TECH3 YAMAHA +52.134
18 44 POL ESPARGARÓ ESP KTM +5 voltas
19 4 ANDREA DOVIZIOSO ITA DUCATI +5 voltas
20 99 JORGE LORENZO ESP DUCATI +6 voltas
21 22 SAM LOWES ING APRILIA +8 voltas
22 19 ÁLVARO BAUTISTA ESP ASPAR DUCATI +16 voltas
23 45 SCOTT REDDING ING PRAMAC DUCATI +26 voltas
24 41 ALEIX ESPARGARÓ ESP APRILIA +27 voltas
25 36 MIKA KALLIO FIN KTM +28 voltas
 


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