MotoGP

Viñales coloca Márquez de escanteio no primeiro dia mais apertado da MotoGP na “estrada” de Austin

Desde que a MotoGP desembarcou em Austin, o top-11 nunca esteve separado por tão pouco. Em uma sexta-feira (12) em que Maverick Viñales deixou Marc Márquez com o segundo posto, a classe rainha registrou seu primeiro dia mais apertado no Circuito das Américas

Grande Prêmio / JULIANA TESSER, de São Paulo
É, não deu para Marc Márquez. Apesar de reinar soberano em Austin desde 2013, o #93 foi batido por Maverick Viñales no primeiro dia de treinos para o GP das Américas de MotoGP nesta sexta-feira (12).
 
O piloto da Honda tem um currículo invejável em território norte-americano. Nas dez visitas que fez ao país governado por Donald Trump desde a estreia da MotoGP, Márquez jamais foi derrotado, tendo vencido três vezes em Indianápolis, uma em Laguna Seca e seis em Austin. No mesmo período, aliás, o espanhol de Cervera perdeu uma única pole: em 2013, Stefan Bradl puxou o pelotão no traçado texano.
 
No primeiro dia de atividades no Circuito das Américas, Márquez manteve os rivais longe na maior parte do primeiro treino, mas acabou tendo de enfrentar Maverick Viñales nos minutos finais. Ainda assim, o pentacampeão não teve dificuldades em despachar o #12.
Maverick Viñales (Foto: Yamaha)
Na segunda atividade do dia, os pilotos partiram em busca de tempo no terço final da atividade, já que a previsão é de chuva para sábado. O #12, então, cravou 2min03s857 e assegurou o topo da tabela de tempos com 0s044 de margem para Marc Márquez. Para aumentar os sorrisos nos boxes da Yamaha, Valentino Rossi ficou em terceiro, só 0s146 mais lento que o companheiro de equipe.
 
Apesar do histórico, não foi a primeira vez que Márquez fechou o primeiro dia no Texas fora da liderança. No ano passado, Andrea Iannone tinha sido o mais veloz depois das duas sessões de treinos livres.
 
Desta vez, porém, o pelotão parece mais apertado. Cinco das seis fábricas ficaram entre os 11 melhores: quatro Yamaha, três Ducati, duas Honda, uma Suzuki e uma KTM. Além disso, a diferença entre Maverick e Andrea Dovizioso, o 11º nesta sexta, foi de só 0s857, a menor já registrada nos anos anteriores.
 
Em 2013, por exemplo, o top-11 ficou separado por 3s268, diferença que caiu para 1s963 no ano seguinte. Uma nova queda aconteceu em 2015, mas a margem voltou a aumentar em 2016, quando chegou a 1s454. Em 2017, os 11 mais rápidos ficaram afastados por 1s227, margem surgiu ligeiramente no ano passado.
 
Desta vez, porém, e seguindo aquilo que tem sido uma frequente na temporada, a MotoGP apareceu mais competitiva, com 12 pilotos no mesmo segundo do líder e o pelotão todo separado por 2s993.
 
“Acho que foi muito importante hoje trabalhar no acerto base, porque na Argentina nós erramos algumas coisas. Acho que trabalhamos bem aqui hoje. Tentei ser muito competitivo, especialmente nas primeiras voltas, mas ainda temos de melhorar”, disse Viñales. “Temos de ser mais precisos nas primeiras voltas e preciso de um pouco mais de aderência, especialmente na traseira, porque ainda não sinto que estou no meu melhor”, seguiu.
 
“É importante estar na ponta hoje, porque acho que amanhã vai chover e precisamos começar na frente”, frisou.
 
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Terceiro, Rossi também fez um balanço positivo do primeiro dia no Circuito das Américas, mas ressaltou que ainda não está confortável com o pneu da corrida.
 
“Hoje não foi tão mal, especialmente porque a terceira posição é muito boa. Eu fiz uma boa volta e isso é muito importante para ficar no top-10”, ponderou Rossi. “Nós temos alguns problemas de ritmo, não estou fantástico com o pneu da corrida. Temos de trabalhar no equilíbrio da moto, mas o primeiro dia foi bem positivo”, considerou.
 
Batido nesta sexta-feira, Márquez não se mostrou preocupado em perder o domínio em Austin, já que entende que o trabalho para ter uma moto boa na maioria dos circuitos afeta a performance em traçados onde ele se dava melhor.
 
“Nos últimos anos, nós buscamos uma moto que se adaptasse da melhor forma possível à maioria dos circuitos, e isso fez com que perdesse um pouco naqueles que eram seus pontos fortes”, explicou Marc. “Vai chegar um dia em que chegaremos aqui e alguém me vencerá, porque é impossível ganhar sempre. Mas o importante é o campeonato”, completou.
 
Enquanto a Yamaha comemora, a Ducati teve um dia mais problemático. Andrea Dovizioso teve uma falha mecânica na primeira sessão da manhã, mas escapou sem maiores sobressaltos na parte da tarde. Ainda assim, o #4 ficou apenas em 11º, o que o deixa de fora da divisão provisória entre Q1 e Q2, um motivo de preocupação dada a previsão de chuva.
 
No outro lado da garagem, Danilo Petrucci não foi muito melhor. O #9 cravou 2min06s807 e ficou em 13º no resultado combinado dos treinos do dia, 1s049 atrás do líder.
 
As condições da pista, no entanto, desagradaram bastante os pilotos. Danilo Petrucci foi mais duro nas criticas, mas ganhou o apoio de Dovizioso.
 
“Este circuito parece uma estrada, com solavancos, buracos e tudo mais”, disparou. “Ele não atinge o padrão de um circuito da MotoGP. É incrível que a gente corra aqui. Piorou em relação ao ano passado. É um grande problema”, frisou.
 
Andrea também reconheceu a piora em relação ao ano passado.
 
“As ondulações aumentaram. Não sei o trabalho que fizeram, mas temos de nos adaptar”, comentou Dovizioso.
 
Invicto em Austin, Márquez também reconheceu que as condições de pista estão longe das melhores.
 
“Está muito irregular e sujo. Está difícil para pilotar”, resumiu Marc.