Coluna Punta-taco, por Francis Trennepohl: O japonês do pastel

Apesar de tê-lo visto em diversas provas, não o conheço pessoalmente, mas quem lhe conhece faz muitos elogios a sua pessoa, seu caráter, sua conduta na vida e uma série de adjetivos nobres, o que certamente tem muita influência da cultura oriental da qual é descendente, mas o ponto principal nesta história é a ausência dos parceiros de outrora – patrocinadores, em especial – que poderiam (e moralmente deveriam) estar de alguma forma auxiliando o Saçaki

Impossível não se emocionar com a história do 'japonês voador' Eduardo Saçaki. Não pelo fato de atualmente estar vendendo pastel de porta em porta, pois isso não é depreciativo à vida de ninguém, muito pelo contrário, é um trabalho como qualquer outro e é o que está sustentando sua família. O que comove e toca é todo o conjunto, tudo que aconteceu com o Saçaki a partir do dia 5 de maio de 2005, quando um acidente gravíssimo, durante os treinos em Carlos Barbosa, no Rio Grande do Sul, quase lhe tirou a vida e, depois disso, as coisas se complicaram bastante, especialmente na área financeira.

Apesar de tê-lo visto em diversas provas, não o conheço pessoalmente, mas quem lhe conhece faz muitos elogios a sua pessoa, seu caráter, sua conduta na vida e uma série de adjetivos nobres, o que certamente tem muita influência da cultura oriental da qual é descendente, mas o ponto principal nesta história é a ausência dos parceiros de outrora – patrocinadores, em especial – que poderiam (e moralmente deveriam) estar de alguma forma auxiliando o Saçaki.

Eduardo Saçaki (Foto: Reprodução/Facebook)

E não falo aqui em 'dar esmolas', um 'bolsa-coitadinho' qualquer, mas em oferecer alguma oportunidade em sua área. Não posso acreditar que a Yamaha ou a Honda, por exemplo, não tenham nenhuma função em que o 'japonês voador' possa ser útil com seus mais de 20 anos de pista.

Muitos dos heróis e ídolos são tratados no Brasil da mesma forma que grandes escândalos políticos e falcatruas: o povo simplesmente esquece e muito rápido. É triste imaginar que se o Saçaki tivesse morrido naquele acidente, provavelmente seria idolatrado e seu nome certamente já teria servido para batizar alguma pista de moto em algum canto deste país. 

Torço apenas para que o 'japonês do pastel voador' e todos os outros ídolos esquecidos do esporte tenham sucesso em suas vidas, seja vendendo pastel, rifa ou enciclopédia. Seus nomes estarão na história, com dignidade e honra!

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