Rali

Dakar deixa América do Sul e fecha acordo para levar rali para Arábia Saudita por cinco anos

De acordo com o site da revista britânica ‘Autosport’, o maior e mais importante rali do mundo vai ter novo destino a partir de 2020. Depois de 11 edições sendo disputada na América do Sul, a competição vai mudar de continente e, pela primeira vez, vai ser realizada no Oriente Médio, tendo a Arábia Saudita como única sede

Grande Prêmio / Redação GP, de Sumaré

O maior rali do mundo caminha para ter novo destino a partir de 2020. O Rali Dakar, que foi disputado na América do Sul entre 2009 e 2019, saindo das suas origens por conta de ameaças terroristas em países da África, vai ser disputado na Arábia Saudita pelos próximos cinco anos. A informação é da revista britânica ‘Autosport’, na esteira de outros relatos a respeito desde o fim do Dakar 2019, que pela primeira vez foi realizado em um único país, o Peru.
 
Um dos principais fatores para a mudança de destino do Dakar é a falta de apoio dos governos dos países da América do Sul. Ao longo de 2018, várias tratativas foram feitas, sobretudo com autoridades de Chile, Argentina, Peru e Bolívia para que a ASO (Amaury Sport Organisation), empresa que promove e organiza o Dakar, pudesse acertar o roteiro da prova. Mas depois de enfrentar uma ameaça de cancelamento, a prova acabou sendo realizada apenas no Peru e em um formato mais curto que o habitual, com apenas 11 dias de competição.
 
Outro fator deveras importante para o acordo entre a ASO e o governo da Arábia Saudita é financeiro, com o governo local desembolsando cerca de € 15 milhões por ano (R$ 65,2 milhões).
Nasser Al-Attiyah aprova o Dakar no Oriente Médio a partir de 2020 (Foto: Flavien Duhamel/Red Bull Content Pool)
E antes mesmo de qualquer informação oficial, dois pilotos sauditas do Dakar já comemoraram a ida da prova ao país. “Vamos”, postou Yazeed Al-Rajhi em sua conta no Instagram com a bandeira saudita na foto. Já Mohammed Al Twaijri foi mais contundente e praticamente revelou o acordo: “Oficialmente, Dakar na Arábia Saudita. Desde 2020 e pelos próximos cinco anos”, escreveu.
 
A ASO ainda não confirma o acordo com a Arábia Saudita. Em janeiro, Etienne Lavigne, então diretor geral do Dakar, havia dito que não havia hipótese de a prova ser novamente realizada em um único país e considerou até mesmo um retorno da competição à África, com Catar, China e Arábia Saudita sendo outros destinos especulados. Pouco depois, o francês deixou o cargo e foi substituído por David Castera, que competiu no Dakar de 2019 como navegador do multicampeão Stéphane Peterhansel.
 
À publicação britânica, Nasser Al-Attiyah, atual campeão do Dakar nos carros, aprovou a realização do maior rali do mundo no Oriente Médio. “Estamos muito felizes por ter o Dakar na nossa região. Posso estar na Arábia Saudita em 30 minutos”, afirmou Nasser, que é natural do Catar. 
 
“Amamos a América do Sul, as pessoas, os países incríveis que eles têm, mas nós temos de respeitar as decisões dos organizadores. Como quando mudamos da África para a América do Sul, não ficamos felizes, queríamos continuar lá, mas rapidamente nos adaptamos à América do Sul, e é exatamente a mesma coisa que vai acontecer com o Oriente Médio, porque também é um grande mercado”, opinou.
 
Nasser também disse que a ideia da organização da prova é fazer com que a Arábia Saudita seja o palco principal, mas não o único do Dakar, com o roteiro passando por países como Omã, Jordânia e Egito.
 
A Arábia Saudita vem se notabilizando em tempos recentes por realizar eventos importantes no esporte a motor, como a realização da etapa de abertura da temporada 2018819 da Fórmula E, em dezembro do ano passado.
 
Se por um lado a ida do Dakar à Arábia Saudita garante a realização da prova, sobretudo do ponto de vista financeiro, por outro lado a competição tende a ter menos competidores sul-americanos, atraídos principalmente pelas facilidades logísticas ao ter a prova sendo disputada no continente. 
 
Nos últimos anos, o Brasil alcançou duas vezes o título do maior rali do mundo nos UTVs: em 2017, com Leandro Torres e Lourival Roldan, e em 2018, com Reinaldo Varela e Gustavo Gugelmin.