Jutta Kleinschmidt acompanha Sertões 2020 “feliz por ser inspiração para tantas mulheres”

Única mulher a vencer o Dakar, há quase 20 anos, Jutta Kleinschmidt acompanha o Sertões como presidente da Comissão de Rali Cross-Country da FIA e avalia a prova como futura etapa do Mundial. A alemã também destacou a participação feminina no maior rali das Américas

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Além das 38 valentes mulheres inscritas para disputar o Sertões 2020, a 28ª edição do maior rali das Américas tem outra presença ilustre ao longo da caravana da prova. Jutta Kleinschmidt, alemã que há quase 20 anos fez história ao se tornar a única mulher a vencer o Dakar, acompanha o desenrolar da competição como presidente da Comissão de Rali Cross-Country da FIA (Federação Internacional de Automobilismo). O objetivo da visita é analisar o Sertões para que o rali brasileiro possa integrar o Mundial de Cross-Country, um dos objetivos da gestão liderada por Joaquim Monteiro, que quer fazer da prova o maior rali do mundo em 2022.

Mas além de acompanhar o Sertões, Jutta sabe que também é fonte de inspiração para muitas mulheres. Dona de um feito ímpar na história do esporte, a ex-pilota se orgulha com a oportunidade de poder mostrar o caminho para quem sonha em seguir seu exemplo.

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JUTTA KLEINSCHMIDT; SERTÕES; MOARA SACILOTTI; HELENA DEYAMA; JOSI KOERICH;
Jutta Kleinschmidt ao lado de mulheres guerreiras do Sertões: Moara Sacilotti, Helena Deyama e Josi Koerich (Foto: Rodolfo Bazetto/Shez)

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“É muito bom ver tantas meninas animadas disputando o Sertões, dou todo o incentivo a elas. Quando comecei, de moto, era uma de poucas. Um dos objetivos da FIA é popularizar o esporte e proporcionar a entrada de mais mulheres”, afirmou Kleinschmidt à organização do Sertões.

“Sei que não é fácil, precisei batalhar muito para garantir patrocínios, correr nos carros, mas fico feliz por saber que hoje sou inspiração para tantas. Consegui vencer o Dakar, mostrei que é possível, e espero não ser a única”, declarou.

Jutta também falou ao GRANDE PRÊMIO sobre a visita ao Brasil e destacou o trabalho feito pela Dunas Race, empresa que promove e organiza o Sertões. “É ótimo estar aqui e estou muito feliz por ver o pessoal correndo novamente. O Sertões é um rali muito bem organizado e passa por paisagens fantásticas”, disse a hoje integrante da FIA.

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CLAUDIA GRANDI; HELENA SOARES; SERTÕES; SERTÕES 2020;
Claudia Grandi e Helena Soares celebram a vida e voltam ao Sertões em 2020 (Foto: Cadu Rolim/Shez)

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Dentre as 38 mulheres que se inscreveram para o Sertões 2020, 14 competem no rali propriamente dito, três fazem parte do rali de regularidade e 21 compõem o grid da categoria Light, uma classe criada neste ano e que se propõe a fazer do Sertões uma grande aventura.

Dentre tantas mulheres no Sertões, algumas delas se destacam pela tradição em fazer parte da prova. Seja com Helena Soares, que venceu a morte e está na sua décima participação na prova, tendo ao seu lado novamente a navegadora Claudia Grandi na disputa dos carros, como também Helena Deyama e sua companheira de UTV, Josiane Koerich. Quem também brilha no Sertões é a pilota Moara Sacilotti, dona de histórico vitorioso na competição das motos e com nada menos que 20 participações na prova.

MOARA SACILOTTI; SERTÕES;
Moara Sacilotti está no seu 20º Sertões e quer ir além (Foto: Gustavo Epifanio)

“Já são 20 anos de Sertões, e eu nunca estive tão preparada e com um equipamento tão bom. A emoção é a mesma da primeira vez, tive de controlar a ansiedade e a vontade de acelerar. Ter a Jutta aqui é sensacional, ela é um exemplo para todas nós”, disse Moara.

Heleninha, em seu 16º Sertões, Josi, pela 14ª vez na prova, e Moara carregam as cores do projeto Mulheres Unidas Sertões Adentro (Musa), que tem como propósito tornar a participação feminina no maior rali das Américas cada vez mais numerosa.

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SERTÕES; SERTÕES 2020; UTV; JOSI KOERICH; HELENA DEYAMA
Josi Koerich lado a lado com Helena Deyama: uma dupla vitoriosa no Sertões (Foto: Cadu Rolim/Shez)

“É meu 16º Sertões. Eu, a Josi e a Moara temos uma vida na prova. A ideia do projeto Musa é inspirar outras mulheres a se juntar a nós e, quem sabe, termos a maior equipe feminina de ralis do mundo. Não é fácil, a gente se desdobra em busca de apoio, mas também não é impossível, nós somos capazes. Eu mesma sou pequenininha, quase não peso, e consigo encarar o rali sem problemas. E competindo de igual para igual com os homens”, declarou Deyama, apoiada por Josi.

“O Sertões está longe de ser fácil, mas está bem mais próximo do que as pessoas imaginam. E o que nós queremos com o Musa é mostrar isso para que mais e mais mulheres se juntem a nós. Mesmo sendo a 14ª participação e tricampeã, hoje tenho o mesmo frio na barriga de quando comecei, o que me mostra que não é a hora de parar”, afirmou a navegadora.

Há também espaço para quem faz o Sertões pela primeira vez, como Laura Lopes, que é natural da Guiana Francesa. Acostumada às provas de motovelocidade, Laura faz seu primeiro rali e tem descoberto, em cada uma das especiais, como é o desafio de acelerar e, ao mesmo tempo, navegar em uma prova tão difícil e única como é o Sertões.

SANDRA DIAS; SERTÕES; REGULARIDADE;
Sandra Dias é mais uma mulher que brilha no Sertões (Foto: Vinícius Ferraz/Shez)

Na prova de regularidade, por sua vez, Sandra Dias faz sua quinta participação no Sertões e integra a competição desde 2016, sendo bicampeã da categoria Turismo, em 2016 e 2017, ao lado do navegador Maurício Gonçalves. Em 2018, subiu para a classe Graduados, com o copiloto Igor Quirrenbach, e foi vice-campeã da prova.

“Muita gratidão pela vida e por estar aqui no Sertões em um ano tão difícil para todos. Nesta edição, tenho uma necessidade maior de superação, de mim para mim mesma e da descoberta do meu poder de resiliência também. As mulheres têm isso já, e não precisam provar para ninguém porque são guerreiras natas, e o rali é uma forma de exercermos tudo isso em um esporte apaixonante que vai além de um estilo de vida, e isso faz eu voltar todos os anos para o Sertões”, destacou a pilota.

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