Com Kanaan, Massa e Barrichello, jovens vão precisar de esforço para brilhar na Stock Car

A chegada de nomes experientes à Stock Car, como Tony Kanaan e Felipe Massa, somada a presença de outros, como Rubens Barrichello, faz a categoria ganhar em disputa e em mídia, mas perder em outro ponto: o da revelação de jovens

Os três nomes do título, na verdade, servem como símbolo: a lista é muito maior do que esta. Trata-se dos nomes de pilotos não só experientes, mas de qualidade, que a Stock Car terá em suas pistas em 2021. Caras idolatrados não só pelo público, mas por jovens pilotos – e estes, agora, têm espaço diminuto na categoria, precisando se esforçar muito mais para conseguir brilhar.

O anúncio de que Tony Kanaan disputará a próxima temporada da Stock Car aumentou três coisas na categoria: sua qualidade na pista; sua capacidade de mídia, com mais um nome dos mais famosos do automobilismo brasileiro; e a dificuldade de resultados e exposição para nomes que pretendem ser o futuro do esporte nacional.

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Felipe Massa vai correr a Stock Car 2021 (Foto: Rodolfo Buhrer/Lubrax Podium)

É válido pararmos para analisar este último tópico. Veja, que a qualidade na pista vai crescer é inegável: Kanaan se junta a Rubens Barrichello, Felipe Massa, Ricardo Zonta e Nelsinho Piquet, por exemplo, na lista de nomes consagrados fora do país, mas também aos de Daniel Serra, Thiago Camilo e Ricardo Maurício, entre vários outros, nos que brilham no país. Isso é ótimo.

Com a chegada da Band e a consequente volta da categoria à TV aberta, é muito bom também nomes que constroem e contam histórias por si só estarem no grid, para que o público se identifique rapidamente com o que vê na tela. Para as marcas, idem: são estes caras que serão filmados no pré-corrida, no pós, que aparecerão nas matérias do ‘Show do Esporte’.

Mas os jovens podem ter sua evolução prejudicada. Equipes mais fortes pouco apostam em nomes considerados revelações do automobilismo nacional no momento: das que andaram na frente em 2020, ou mesmo em anos recentes, só a RCM tem em Bruno Baptista um sub-25 (ele completa 24 anos dias antes da temporada).

Bruno Baptista (Foto: Duda Bairros/Vicar)

A Crown, que deve ter a manutenção de Cacá Bueno, contratou Beto Monteiro, que vai dividir as pistas de Copa Truck e Stock Car. Felipe Massa, claro, não é aposta, mas ocupa vaga em time grande – a Lubrax Podium. A Pole, novidade no grid, formou dupla de experientes: Átila Abreu e Galid Osman.

Nem equipes menores, como a Hot Car, que sofre com certas dificuldades financeiras, apostaram em pilotos de futuro: Tuca Antoniazi e Felipe Lapenna ocupam as vagas por lá – claro, porque conseguem patrocinadores. Mas não há marcas que apostem em garotos?

Isso traz uma certa mudança em parte da “linha editorial” da Stock Car: se fortalece o grid, pode enfraquecer o futuro. Não se sabe por quanto tempo os pilotos mais velhos vão querer continuar – seja por aposentadoria, seja por crescimento fora do país, como Serra, que vai disputar toda a temporada do WEC em 2021, ou Felipe Fraga, que deixou o campeonato em 2020. Quem continuaria a elevar o nível em caso destas saídas? Em que outro lugar esses jovens que estão fora podem brilhar?

O esforço dos poucos que sobraram terá de ser gigantesco. A categoria deve ser espetacular novamente, como tem sido nos últimos anos, em termos de disputa, mas é necessários pensar em todos os tópicos, e em um país que tem sofrido em revelar nomes, faltando um mês para a Stock Car começar, este questionamento foi necessário.

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