F1
11/01/2018 14:17

Empresário de Massa avalia dinheiro como importante, mas não o bastante para colocar um piloto na F1

Gestor de carreira de vários nomes do automobilismo, como Felipe Massa, Charles Leclerc, Pastor Maldonado e o kartista Caio Collet, Nicolas Todt entende que o dinheiro sempre ajuda, mas não é o suficiente para que um piloto se encaixe no grid do Mundial de F1. Na visão do empresário, o sistema de concessão de superlicença por parte da FIA, presidida pelo pai, Jean Todt, evita que a F1 seja um esporte dominado pelos pilotos pagantes
Warm Up
Redação GP, de Sumaré

Desde quase sempre, a F1 teve (e tem) no seu grid pilotos endinheirados, que são vistos pelas equipes com menor poderio financeiro como importantes para ocupar a vaga e completar o orçamento ao longo de cada temporada. A categoria, em que pese ser reconhecida por ser a vanguarda do esporte a motor, recebe muitas críticas por abrigar competidores considerados sem talento e que chamam mais a atenção pela verba que carregam, seja da própria família, como no caso de Lance Stroll, ou então por meio de empresas parceiras, como é o caso de Marcus Ericsson.
 
Mas Nicolas Todt, filho do presidente da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), Jean Todt, e empresário de pilotos como Felipe Massa, Charles Leclerc, Pastor Maldonado e o kartista Caio Collet, entende que o fator financeiro, embora seja importante, não é o fundamental para que um competidor faça parte do grid do Mundial de F1. E baseia sua teoria no sistema de superlicença, permissão para que um piloto possa correr na categoria.
 
Pelo sistema de pontos, por exemplo, apenas pilotos com sucesso em categorias como a Indy, Mundial de Endurance, F2, F3 e Super Formula, por exemplo, conseguem a ‘carteira de motorista’ para ingressar como piloto de corridas na F1.
Nicolas Todt entende que a superlicença impede a proliferação dos pilotos pagantes na F1 (Foto: AP)
“Ter o suporte econômico ajuda, mas o sistema de superlicença criado pela FIA evita que cheguem pilotos que não estão ao nível de conseguir [um lugar na F1]. Você pode ter milhões de euros, mas é preciso ter atuações significativas para alcançar os pontos necessários”, afirmou Nicolas Todt em entrevista à revista francesa ‘Auto Hebdo’.
 
O agente vê o esporte com um nível cada vez mais elevado, mas fez um alerta à própria F1 e pediu para que os dirigentes que tomam conta do esporte evitem que os pilotos pagantes sejam a maioria no grid.
 
“Apesar da situação econômica complicada que ameaça várias equipes, acho que o nível da F1 nunca foi tão bom. Dito isso, a F1 deve ser cuidadosa para não se converter em um esporte de pagantes. O efeito poderia ser muito prejudicial a todos, incluindo as famílias, que poderiam perder a motivação de começar no kart. Ascender à F1 deve seguir sendo questão de mérito”, ponderou.
 
Frédéric Vasseur, francês como Todt e chefe de equipe da Sauber, concorda. Ex-comandante da ART Grand Prix e atualmente à frente do time suíço, tem de recorrer aos serviços de Ericsson, mas também vai ter a chance de contar com um nome da nova geração em 2018: Leclerc, empresariado por Nicolas Todt.
Vasseur lembrou que Lance Stroll tem a superlicença para correr na F1 (Foto: Williams)
“Na minha opinião, os pilotos mais promissores chegaram à F1 nos últimos dois ou três anos. Ocon, Gasly, Vandoorne, Leclerc ou mesmo Norris e Russell, que vão estrear, também. Não foi sempre assim, e agora temos um mecanismo justo e simples para construir uma carreira. E se você for competitivo e tiver sucesso nas categorias de base, então você vai ter uma chance para entrar nos programas de jovens talentos de uma grande equipe”, ponderou o dirigente.
 

Vasseur reconheceu que o dinheiro foi crucial para que Ericsson e Stroll estivessem na F1 hoje, mas lembrou que os dois pilotos, ainda que sejam contestados, também obtiveram a superlicença que os possibilitou fazer parte do grid do Mundial.
 
“Antes havia uma distância importante, e muitos jovens ficavam fora porque não havia um lugar para eles. De qualquer forma, Ericsson e Stroll chegaram à F1 não por probabilidade, mas porque eles tiveram sucesso antes. Talvez sem dinheiro não tivessem tal oportunidade, mas eles conseguiram os resultados necessários para fazê-lo”, finalizou.
 

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