F1
27/07/2018 11:15

Sem dono há 2 meses, Force India está próxima de pedir falência. Mas há lista grande de interessados

A Force India vai à corte inglesa nesta sexta-feira (27) por motivos não revelados. Mas documentos obtidos com exclusividade pelo GRANDE PRÊMIO apontam que a tendência é a venda da equipe - que omitiu do público o fato de que está sem dono há ao menos dois meses, desde a saída de Vijay Mallya
Warm Up, de Hungaroring / VICTOR MARTINS, de São Paulo / FELIPE NORONHA, de São Paulo / EVELYN GUIMARÃES, de Hungaroring
 Vijay Mallya (Foto: Force India)
Sem dono há dois meses e indo responder à Justiça nesta sexta-feira (27): a crise da Force India, que corre desde o início do ano risco de ser fechada, é ainda pior do que as situações conhecidas pelo público indicavam.

Documentos obtidos de forma exclusiva pelo GRANDE PRÊMIO indicam que a equipe não tem um administrador oficial desde que Vijay Mallya deixou o cargo, no dia 24 de maio deste ano. Ou seja: a Force India não tem dono há pouco mais de dois meses - e isso foi escondido, com Mallya chegando a responder à imprensa ainda como dono da equipe.

Curiosamente, sua última declaração pública, no início de julho, foi sobre como a Force India não encontrou pessoas e/ou empresas dispostas a comprar a equipe. Mas, nesta sexta-feira, Omar Szafnauer, diretor do time, afirmou que a ida à corte em Londres indica que novos investimentos estão "iminentes".
Vijay Mallya (Foto: Force India)
Mesmo diante do caos, ele tentou mostras otimismo sobre a situação: "Há uma relação entre uma situação financeira crítica e a nossa condição em termos esportivos. Quanto mais dinheiro você tem, normalmente vai melhor. Mas eu espero que possamos resolver tudo em breve e voltar a operar de uma forma mais normal, da qual estávamos mais acostumados."

"Nós apenas estamos em um período crítico, que pode ser que dure uma ou duas semanas. Agora, nós temos de manter a cabeça baixa e trabalhar, para fazer o melhor com o que temos. E aí, após os testes, aproveitar as férias e voltar ainda mais fortes. O quão necessário são os novos investimentos? Eu acho que é iminente. Há muita coisa acontecendo nos bastidores. Não tenho um grande conhecimento nisso porque é uma questão de acionistas e eu não sou um dos acionistas. Mas a situação será solucionada em breve", afirmou.

O tom usado por Szafnauer, porém, parece pronto, até treinado, para não abrir completament o jogo. A saída de Mallya não foi a única recente: antes mesmo do indiano deixar a equipe, a empresa que verdadeiramente respondia pela equipe, a Orange India Holdings Sarl, com base em Luxemburgo, deixou suas funções em 6 de abril de 2016.
Documentos mostram que empresa responsável pela Force India e seu dono deixaram a empresa (Foto: Reprodução)
Na atual situação, uma das maneiras de evitar a falência da Force India, e seu consequente fechamento, seria uma venda antes mesmo do apontamento de novos administradores. A venda seria completa logo após a confirmação destes novos administradores, ou pouco depois. Neste caso, a diferença é que, usualmente, os compradores são procurados depois de uma nova administração ser colocada na função.

Segundo a imprensa inglesa, há uma lista de cinco empresas que fizeram - ou farão - proposta para compra da Force India. O ponto é: se de fato essa venda antes mesmo ade administradores forem indicados for feita, significa que a equipe já tem as propostas em mãos e, consequentemente, tem uma de sua preferência.

Uma destas, possivelmente, é a de Lawrence Stroll, pai do piloto Lance Stroll, buscando novo espaço para o filho na F1. A revista alemã 'Auto Bild', inclusive, cravou durante esta semana a compra.

Neste caso, a possível ida de Stroll para a Force India deveria ocorrer já na atual temporada, já que salvaria a equipe da falência - e isso, claro, indicaria a saída imediata ou de Sergio Pérez, ou de Esteban Ocon.

Outra equipe que pode comprar a Force India, até para transformá-la em uma equipe B, situação que a empresa alemã parece buscar na F1 (com boatos indicando a Williams nesta função, por exemplo), é a Mercedes.

Neste caso, a situação seria favorável a Ocon, que é piloto da Mercedes e que, com a renovação de Lewis Hamilton e Valtteri Bottas, mais o possível fim da Force India, poderia ficar sem equipe para 2019, situação similar à vivida por Pascal Wehrlein na atual temporada.

É possível que a resposta saia até o final desta sexta-feira - mas, claro, há uma chance grande de que a Force India se torne o grande assunto das 'férias de verão' da F1, que se iniciam logo após o GP da Hungria, no próximo domingo (29). De qualquer forma, é mais uma peça do quebra-cabeça do mercado de pilotos que deve mudar a configuração do grid, se não já neste ano, certamente para 2019.

*Colaborou Flavio Gomes, de Hungaroring

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