F1 retoma Mundial de 2025 com prêmios de consolação perante imponência da McLaren
Ainda que insossa, a disputa pelo título da F1 2025 está totalmente concentrada nas mãos de Lando Norris e Oscar Piastri. Restam aos rivais, portanto, as conquistas pessoais enquanto aguardam com ansiedade — e certa desconfiança — o regulamento do próximo ano
Depois de longas férias, a Fórmula 1 enfim retorna à competição neste fim de semana, nos Países Baixos, para uma segunda metade de temporada que nem tem prometido tanto assim, e isso não é pela disputa estar totalmente concentrada no duo da McLaren. Se ao menos houvesse ali o mesmo tempero que superabundou em duelos caseiros épicos, como os que a própria equipe de Woking vivenciou em tão glorioso passado, a expectativa estaria nas alturas, e é por essa razão que os chamados prêmios de consolação parecem mais capazes de trazer algum sabor às dez corridas restantes de 2025.
No final das contas, pouco importa se o caneco ficará nas mãos de Lando Norris ou Oscar Piastri, já que a famigerada ‘regra papaia’ consta em nada menos do que uma rédea pronta para ser puxada ao menor sinal de contato entre os dois. Claro que não seria nem esportivo ficarem jogando o carro um no outro, mas convenhamos que é muito anticlimático saber que todos os movimentos em pista serão sempre friamente calculados para que o cenário de paz e harmonia não sofra rachadura alguma.
Mesmo assim, há de se louvar o excelente trabalho que a McLaren tem executado desde o primeiro progresso realmente significativo ainda em 2023. Quando jamais se imaginou que o desempenho alcançado pela Red Bull na mesma temporada fosse possível de ser igualado, os ingleses provaram que a F1 ainda oferece espaço para mentes criativas e atentas encontrarem um truque a mais em regulamentos tão engessados.
A McLaren, portanto, chega à segunda metade com o controle absoluto da temporada nas mãos, mas por uma vantagem unicamente técnica, importante frisar. Ela tem indiscutivelmente o melhor carro, e isso por si só basta para compensar o fato de não ter o melhor piloto, com o total respeito a Piastri e Norris. Esse ponto, aliás, é o agridoce do Mundial, pois o melhor piloto reconheceu que tem nas mãos um equipamento que o “limita a ser rápido”.

E Max Verstappen está fazendo muita falta nessa salada, por mais que lance uma pimenta aqui e ali, para satisfação de quem acompanha e sempre torce por um entrevero com a dupla laranja. A Red Bull já jogou a toalha, pois sabe que a única luta que resta, a do Mundial de Pilotos, está cada vez mais distante, ainda que Helmut Marko assegure que ninguém em Milton Keynes vai desistir — e é claro que, em análise fria dos fatos, dez corridas é tempo para caramba para acontecer alguma reviravolta. Só que o problema, nesse caso, é o futuro, e ele grita de forma ensurdecedora para todas as equipes.
Haveria, portanto, como trabalhar até Abu Dhabi em busca de alguma reviravolta, porém a F1 já avista o regulamento de 2026 ao horizonte. É por isso que resta pouquíssimo à temporada vigente quando se tira a McLaren da equação, e todos sabem disso. Tanto que Red Bull, Mercedes e Ferrari voltam os esforços para o ano seguinte sem moderação, por mais que ainda se tenha pelo que lutar, mesmo que sejam (e são) metas pessoais.
Do lado dos taurinos, por exemplo, a segunda metade da temporada 2025 será necessária para entender qual será o melhor desenho para completar o line-up com Verstappen. A bola de segurança, por assim dizer, é dar ao pupilo Isack Hadjar a vaga que hoje pertence a Yuki Tsunoda e estancar de vez esse insistente revezamento de pilotos que acontece por lá desde que o neerlandês foi promovido. E se Hadjar não é genial, ao menos parece muito melhor que as recentes aquisições do grupo dos energéticos.
Mas há o carro também, que gosta de pistas de alta velocidade, o que significa que as praças onde poderá sonhar com algo a mais ainda em 2025 são Monza e Las Vegas. As outras oito etapas são em circuitos ou de rua, ou mais seletivos, e isso é exatamente tudo o que o RB21 odeia, já que as condições pedem equilíbrio maior em curvas.

Eis aí uma questão urgente que tem feito Verstappen subir nas tamancas. O carro da Red Bull ainda sai muito de frente, e consertar o equilíbrio é visto por Marko como “complexo”. Só que isso de forma alguma pode migrar para o projeto do ano que vem, então é importante trabalhar bem no que será levado para 2026 a fim de entregar nas mãos de Max um carro ao menos mais previsível em pista.
Este é mais ou menos o objetivo da Mercedes também, sobretudo depois do choque de realidade levado com a chegada da perna europeia. A canoa de Brackley voltou a balançar com força depois de um período de calmaria no começo do ano, e nem mesmo a vitória de George Russell e o pódio de Andrea Kimi Antonelli no GP do Canadá foram suficientes para apagar a impressão de ainda ser um barco meio à deriva no mar da Fórmula 1. A esperança de Wolff é o fim do efeito solo que tanto castigou o carro preto e prata nas últimas temporadas. Nem Lewis Hamilton resistiu, por isso, o que vier nas próximas corridas é lucro.
E falando em Hamilton, não há absolutamente nada mais frustrante do que o abatimento que inundou a vida do heptacampeão na Ferrari, mas vale muito a ressalva de que isso só acontece porque tanto ele quanto os italianos subestimaram o alicerce. Ao acreditar que o maior vencedor da história da Fórmula 1 não teria dificuldades para se adaptar ao time mais tradicional do grid após 12 temporadas lidando com uma visão totalmente diferente, o uso da palavra “ingenuidade” soa até de forma eufemista. Houve total displicência que hoje gera imagens inacreditáveis, com Lewis chamando-se de “inútil” e sugerindo ao time “trocar de piloto”.
Desse modo, o que está em jogo para a Ferrari em 2025 é a dignidade. Sempre se fala sobre o fato de Hamilton não ter absolutamente mais nada a provar, mas também não é o caso de tratar o legado de forma leviana. A boa notícia aqui é que o GP da Hungria demonstrou que, de fato, a Ferrari é quem está um passo à frente na briga pelo vice-campeonato. Mesmo em uma pista nada favorável, soube trabalhar bem o acerto da configuração o suficiente para colocar Charles Leclerc na pole-position.

O senão aqui foi a operação de corrida totalmente desastrosa que a fez deixar escapar uma vitória que, de repente, parecia certa, contrariando todas as expectativas. Um duro golpe, mas ainda assim, são elementos que dão à Ferrari importante norte para 2026, e o foco também já está voltado para lá.
Agora, se a ‘F1 A’ vive de consolações, a ‘F1 B’ surge muito mais interessante na segunda metade. Sem nada a perder, as equipes que formam a meiuca do pelotão ainda preparam cartas a serem postas sobre a mesa na acirrada luta por cada ponto, e é difícil até mesmo descartar recuperação da lanterna Alpine, que pontuou em duas das últimas três corridas e está a 15 tentos da Haas. Por esse mesmo motivo, o time chefiado por Ayao Komatsu deixou claro que prepara mais um pacote de novidades para o VF-25.
Mas interessante mesmo será acompanhar a briga que se desenha pelo posto de quinta força, no momento liderada pela Williams. Aston Martin é quem está mais perto na tabela (70 × 52), porém o time que apresentou significativo crescimento na fase europeia foi a Sauber, que vem somente 1 ponto atrás da equipe de Silverstone. As mexidas feitas no C45 foram certeiras, e por mais que o fenomenal pódio de Nico Hülkenberg no GP da Inglaterra tenha sido o ponto alto, a melhora foi decisiva para trazer Gabriel Bortoleto à baila. Já são 14 pontos e um ganho de confiança que pode fazer toda a diferença no confronto até o final do ano.
Por fim, Racing Bulls é a que mais regularmente pontuou, junto da Williams — dez ocasiões em 14 etapas realizadas —, porém muito em função da consistência de Hadjar, enquanto Liam Lawson precisou de uma estratégia maluca em Mônaco para sacudir de vez a poeira levantada pelo rebaixamento da Red Bull e enfim engrenar. Mas isso já é excelente negócio e coloca a base em Faenza como real ameaça à Williams, uma vez que tem nas mãos um carro muito bem nascido e já pode contar com os dois pilotos para pontuar.
Todas essas respostas começarão a ser dadas a partir de amanhã, com os treinos livres do GP dos Países Baixos. E não deixa de ser simbólico também que o recomeço de um Mundial que tem pouco de realmente atrativo a oferecer seja numa pista que já está em clima de despedida.
A Fórmula 1 retorna neste fim de semana, de 29 a 31 de agosto, em Zandvoort , palco do GP dos Países Baixos, 15ª etapa da temporada 2025. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
Além da cobertura tradicional, o GRANDE PRÊMIO estará IN LOCO em Zandvoort para acompanhar todas as emoções da etapa com o repórter Leonid Kliuev.
GP dos Países Baixos de F1: veja os horários em Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:
| Sessão | BRA* | CBV | POR ANG | MOZ |
| Treino livre 1 | 07:30 | 09:30 | 11:30 | 12:30 |
| Treino livre 2 | 11:00 | 13:00 | 15:00 | 16:00 |
| Treino livre 3 | 06:30 | 08:30 | 10:30 | 11:30 |
| Classificação | 10:00 | 12:00 | 14:00 | 15:00 |
| Corrida | 10:00 | 12:00 | 14:00 | 15:00 |
*Horários de Brasília
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