FIA determina aumento em valor de taxa para protestos na Fórmula 1 a partir de 2026

Valor sobe de € 2 mil para € 20 mil e passa a contar no teto de gastos das equipes. Mudança atende a pedidos de pilotos e dirigentes e mira redução de protestos estratégicos

A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) definiu um novo valor para a taxa de protestos na Fórmula 1 a partir da temporada 2026. Com a atualização do regulamento esportivo, equipes, fabricantes de motores e pilotos terão de desembolsar € 20 mil (cerca de R$ 129 mil) para protocolar protestos, apelações ou pedidos de direito de revisão — um aumento de dez vezes em relação aos € 2 mil (cerca de R$ 12,9 mil) cobrados atualmente.

A medida amplia significativamente o risco financeiro envolvido em contestações formais e surge em meio a debates recentes sobre o uso recorrente de protestos na F1. O valor pode ser reembolsado dependendo do resultado do processo, mas passa a contar integralmente no teto de gastos das equipes.

Além do depósito, a FIA também instituiu uma taxa administrativa adicional e não reembolsável de € 5 mil (cerca de R$ 32 mil) para apelações apresentadas por equipes, fabricantes de unidades de potência ou pilotos. Para pessoas físicas que não se enquadram nessas categorias, o regulamento estabelece um depósito de € 6 mil (cerca de R$ 38 mil) e uma taxa administrativa de € 1 mil (cerca de R$ 6,4 mil).

O aumento atende a pedidos feitos publicamente por nomes do paddock, como Toto Wolff, chefe da Mercedes, e Zak Brown, CEO da McLaren, que defenderam valores mais elevados para desencorajar protestos considerados estratégicos ou pouco fundamentados. Brown chegou a sugerir uma taxa de £ 25 mil (cerca de R$ 184 mil), descontada do teto orçamentário, como forma de obrigar as equipes a refletirem melhor antes de contestar rivais.

McLaren foi alvo de protesto da Red Bull sobre suposta ilegalidade nos freios (Foto: Rodrigo Berton/WarmUp)

O tema ganhou força após a Red Bull levantar suspeitas sobre uma suposta irregularidade no sistema de freios da McLaren, algo que acabou descartado após investigações da FIA. Na ocasião, Brown chegou a convidar a rival a formalizar um protesto contra o MCL39.

Wolff também se posicionou a favor do aumento após a Red Bull ter apresentado um protesto duplo — sem sucesso — contra a vitória de George Russell no GP do Canadá. Na sequência do episódio, classificou a iniciativa da equipe austríaca como “mesquinha” e “embaraçosa”.

Com a Fórmula 1 prestes a passar por uma profunda mudança nos regulamentos técnicos de chassi e motores em 2026, a expectativa é de que o ambiente gere espaço para interpretações criativas das regras. Nesse cenário, o reajuste de 900% nas taxas de protesto tende a se tornar um fator relevante na estratégia política e esportiva do grid.

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