Brivio lamenta saída de Phillip Island, mas defende: “Temos de ir para onde público está”
Chefe da Trackhouse, Davide Brivio avaliou que é uma pena perder um circuito como Phillip Island, mas poderou que a MotoGP toma a decisão certa, já que não dá para forçar o público a viajar para locais de difícil acesso para acompanhar a corrida
Chefe da Trackhouse, Davide Brivio avaliou que é “uma pena” deixar um circuito como Phillip Island, mas reconheceu que a MotoGP precisa correr onde o público está. O dirigente, inclusive, citou Buriram como um exemplo problemático no calendário, já que o palco do GP da Tailândia está muito distante da capital Bangcoc.
Na semana passada, a MotoGP confirmou que 2026 será o último ano de Phillip Island no calendário. Com o encerramento do atual contrato com a pista de vitória, o campeonato vai migrar para Adelaide, usando um traçado urbano que recupera partes da pista usada pela Fórmula 1 entre 1985 e 1995.
Às vésperas do início da temporada 2026, Brivio falou com o site italiano GPOne sobre a saída de Phillip Island e defendeu que o campeonato precisa de pistas mais acessíveis na programação.
“Sinceramente, estou muito feliz. Está claro que Phillip Island é uma pista histórica onde sempre tivemos ótimas corridas, então é uma pena deixar esse circuito. Mas se o ‘preço’ a pagar é ir correr em uma cidade com aquele público… Acho que esse é o futuro, para onde a MotoGP precisa ir. Nós temos de levar as corridas para onde o público está e não forçar o público a viajar para locais de difícil acesso, como aqui em Buriram”, disse Brivio. “Sejamos claros: é bom estar na Tailândia, mas estamos a 5 horas de Bangcoc. Adelaide é melhor, com pistas próximas da cidade e mais acessíveis. Acho que é o futuro e a direção que devemos seguir”, continuou.

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“No fim das contas, todos os esportes são assim. No futebol, o estádio está na cidade. No basquete, eles jogam na cidade. Até mesmo a Fórmula 1 está aumentando o número de corridas na cidade se considerarmos que eles correm em Singapura, Miami, Las Vegas, agora em Madri, Baku, todas grandes cidades. Acho que essa é a direção certa, e estou feliz que a MotoGP esteja finalmente seguindo esta direção”, comentou. “Confio nas pessoas que trabalham na MotoGP. Eles sabem quais medidas de segurança devem ser seguidas e os parâmetros mínimos para garantir que os pilotos não corram um risco excessivo. Acredito que tudo isso está sendo respeitado e levado em conta. Dito isso, quanto mais cidades nós tivermos, melhor. Claro, a história também tem um papel. Temos algumas pistas fantásticas, icônicas e históricas, mas vejo que uma boa mistura dessas corridas como uma coisa muito positiva”, frisou.
Questionado se é mais uma questão de emoção versus razão, Brivio respondeu: “Todos têm ótimas memórias de Phillip Island. Nós vencemos lá no ano passado, então é um lugar que todos amamos. Mas também é verdade que, conforme avançamos, infelizmente ou felizmente, o esporte vai se tornando mais e mais um entretenimento, junto com o lado esportivo que nós todos amamos, com as corridas e a competição, o desafio entre os pilotos, e é por isso que nós estamos aqui. Ninguém pode tirar isso da gente, mas, ao mesmo temo, para que o esporte sobreviva e continue de uma maneira brilhante e sustentável, ele também precisa se tornar entretenimento. Tem um pouco de um lado comercial nisso, mas não deveríamos ficar chocados, pois, do contrário, a MotoGP não existiria. Só com coração e sentimento, não teríamos um campeonato deste nível”.
Brivio não teme que, com as mudanças que parecem vir no horizonte, a MotoGP se afaste de circuitos clássicos, como aconteceu com a Fórmula 1.
“Nós também precisamos fazer as contas e fazer com que seja sustentável do lado comercial que é necessário para equilibrar os livros, para ser economicamente justificável, e isso é possível transformando a MotoGP também em entretenimento. Independente do aspecto esportivo, em um evento esportivo, nós precisamos de um entretenimento que faça daquele um lugar que as pessoas queiram ir”, ponderou. “Talvez em um jogo de futebol, tenha aqueles que ficam loucos, grandes fãs de um time, e talvez tenham aqueles que ficam no lounge, bebendo champanhe e conversando. É assim na F1, é assim na NBA, que vira uma celebração em família quando você vai a um ginásio da NBA nos Estados Unidos. É meio que uma festa: as pessoas comem, bebem e se divertem, aí assistem o jogo, mas quando voltam, compram algo para comer e merchandise. Precisamos misturar bem esse componente de esporte e entretenimento se queremos que o campeonato seja cada vez mais bem sucedido e espetacular, com pilotos cada vez mais empolgantes e fábricas comprometidas, ou não teríamos ninguém aqui”, encerrou.
A temporada 2026 começa neste fim de semana, com o GP da Tailândia, em Buriram. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa da MotoGP, assim como das demais classes do Mundial de Motovelocidade.

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