CEO da F1 admite rever eletrificação e abre portas para antecipar mudanças em motores
Stefano Domenicali explicou que busca da indústria automotiva por soluções além da eletrificação permite F1 a pensar em novos modelos para motores e descartou permanência de fórmula atual no longo prazo
Stefano Domenicali admitiu que a Fórmula 1 pode rever o atual caminho de eletrificação dos motores no futuro e abrir espaço para conceitos mais simples, leves e baratos, incluindo a possibilidade de retorno de V8 ou V10 movidos a combustíveis sustentáveis. O CEO da categoria também indicou que o próximo ciclo de unidades de potência está inicialmente previsto para 2031, mas que o prazo ainda pode ser antecipado, a depender das discussões com fabricantes e da direção adotada pela indústria automotiva.
A fala acontece em meio ao debate constante sobre o regulamento de 2026, que introduziu motores com divisão de 50% entre potência elétrica e combustão, o que aumentou a importância da gestão energética. As primeiras corridas da temporada expuseram desafios ligados à formula, que mexeram com segurança e dinâmica de corrida.
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Entre os pontos de preocupação está o uso excessivo de lift and coast, que pode gerar grandes diferenças de velocidade entre carros em pista e pôr em risco a segurança dos pilotos. Um exemplo citado foi o acidente de Oliver Bearman em Suzuka, ao tentar evitar o carro muito mais lento de Franco Colapinto. O cenário levou Federação Internacional de Automobilismo (FIA), F1 e equipes a entrarem em um acordo para fazer ajustes nos regulamentos, que entram em vigor já no GP de Miami.
Em entrevista ao portal The Race, Domenicali falou sobre o futuro dos motores da categoria e explicou que o contexto atual é diferente daquele que moldou essas regras, já que as montadoras deixaram de apostar exclusivamente na eletrificação total e passaram a adotar estratégias mais diversificadas. Diante disso, há mais liberdade para discutir novos caminhos técnicos, sem ficarem presos a uma única filosofia.
“O processo talvez seja diferente, com FIA apresentando uma proposta conhecendo a situação dos fabricantes envolvidos no esporte, que vão considerar que o cenário de hoje é diferente do de cinco anos atrás. Acredito que as montadoras não estarão mais em posição de dizer que esse é o único caminho possível. Essa é a principal diferença em relação ao que era há cinco anos”, explicou.
“De certa forma, a situação é que estamos menos encurralados do que há cinco anos. Por isso, pode haver mais possibilidades que a FIA pode apresentar, em acordo conosco e com o que é melhor para a F1”, acrescentou.
Domenicali também reforçou que custo e peso são fatores centrais para qualquer mudança futura. Para ele, o modelo atual se tornou caro demais e precisa ser revisto para garantir sustentabilidade financeira e relevância tecnológica.
“Não, e digo por quê”, afirmou ao ser questionado sobre a possibilidade de manter o atual conceito por mais tempo. “Não é um problema de continuidade. O custo da unidade de potência é alto demais, isso é definitivo. Temos o dever de garantir que o negócio seja sustentável. Precisamos ter produtos que sejam tecnologicamente relevantes, mas o custo desse modelo é alto demais”, disse.

“Outro ponto está relacionado ao peso. Se houver uma nova oportunidade de reduzir peso geral do carro, e a única forma de fazer isso for reduzir tamanho e peso da bateria, isso precisa ser considerado para a F1”, seguiu.
O dirigente também indicou que a mudança no cenário da indústria automotiva — com menor foco exclusivo em veículos totalmente elétricos — abre espaço para a F1 reforçar a aposta em combustíveis sustentáveis, mantendo algum nível de hibridização, mas com equilíbrio diferente em relação aos motores atuais.
“O que está claro é que o regulador é a FIA, então ela tem a responsabilidade de propor um pacote. É bastante claro que a atenção ao formato totalmente elétrico na indústria automotiva diminuiu, então o fato de termos sido os primeiros a focar em híbridos e combustíveis sustentáveis pode nos permitir seguir nessa direção no futuro”, discorreu.
“Podemos estar em uma boa posição para redefinir o peso dos carros. Esse é um ponto muito importante que, com as baterias, infelizmente tomou um certo caminho. Portanto, acredito que a FIA estará pronta para discutir isso, mantendo novamente o combustível sustentável no centro da equação técnica e tentando encontrar um equilíbrio diferente entre hibridização e motores a combustão. É isso que acredito que vai acontecer”, seguiu.

Sobre o cronograma, Domenicali indicou que o novo ciclo de motores está previsto, inicialmente, para 2031, mas destacou que as conversas que começam ainda neste ano podem alterar esse planejamento.
“Em termos de momento técnico, pode ser 2031. Mas a discussão será conduzida pela FIA, com os fabricantes de motores, para ver se a proposta que será discutida e apresentada em breve pode ser antecipada, e isso é algo que vamos discutir ainda este ano”, concluiu.
A Fórmula 1 entrou em hiato após a suspensão dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita e retorna no fim de semana de 1º a 3 de maio com o GP de Miami.
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