Por conflito na Ucrânia, FIM suspende pilotos, equipes e comissários de Rússia e Belarus
Federação Internacional de Motociclismo optou por medidas severas como forma de resposta ao conflito entre Rússia e Ucrânia. Eventos que seriam sediados nesses países serão realocados
A Federação Internacional de Motociclismo (FIM) divulgou neste sábado (5) medidas severas em resposta ao conflito entre Rússia e Ucrânia. A entidade optou por suspender a emissão e as licenças ativas de pilotos da Rússia e de Belarus.
Integrantes da Federação Russa de Motociclismo (MFR) e da Federação de Motociclismo Esportivo de Belarus (BFMS) também terão suas funções como comissários e oficiais da FIM suspensas. A decisão impede que qualquer piloto, equipe ou funcionário dos dois países participe de eventos da entidade, como a MotoGP e suas classes de suporte.
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Além disso, a Federação também suspendeu todos os atos que seriam realizados na Rússia, na Ucrânia e em Belarus, sejam eventos esportivos ou reuniões da organização. No comunicado divulgado, a FIM declarou que tentará realocar tais eventos.
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“Nós manifestamos nossa simpatia e solidariedade com todos aqueles que estão sofrendo devido à invasão da Rússia na Ucrânia, e estamos em contato com nossa afiliada na Ucrânia”, disse Jorge Viegas, presidente da FIM em comunicado oficial.
“Quero agradecer aos membros do Conselho Administrativo da FIM por pensarem nessas medidas a partir dos interesses do esporte e da paz. A FIM, juntamente com seus organizadores e patrocinadores, já agiu e cancelou as competições marcadas na Rússia, Ucrânia e Belarus”, continuou o dirigente.
O conflito entre Rússia e Ucrânia trouxe diversas consequências para o mundo do automobilismo. A Federação Internacional do Automobilismo tomou medidas mais brandas, apenas restringindo a utilização das bandeiras por pilotos russos e cirando um código de conduta. Mas o GP da Rússia, em Sochi, não foi apenas cancelado, mas teve seu contrato terminado, impedindo também corridas no futuro.
A Haas também encerrou seu vínculo com a Uralkali, empresa de fertilizantes russa de Dmitry Mazepin. Como resultado, seu filho, Nikita, perdeu a vaga na equipe para 2022. A equipe norte-americana ainda não anunciou quem será o seu substituto.
“As decisões anunciadas hoje vão ao encontro das recomendações feitas pelo Comitê Olímpico Internacional, adaptadas para o nosso esporte. A família da FIM está assistindo o desenrolar dos eventos na Ucrânia com grande tristeza e esperança de uma resolução próxima e pacífica”, concluiu Viegas.
As medidas da FIM acontecem às vésperas da corrida de abertura da MotoGP, em Lusail no Catar, que terá sua largada às 12h deste domingo (6).
Entenda o conflito entre Rússia e Ucrânia:
No último dia 21 de fevereiro, o presidente russo Vladimir Putin reconheceu, em decreto, a independência das províncias separatistas ucranianas de Donetsk e Luhansk. O movimento gerou sanções da União Europeia e dos Estados Unidos ao governo e a empresas russas, aumentando também o medo de um confronto na região.
A tensão escalou de vez no leste europeu no último dia 24, quando a Rússia atacou a Ucrânia em um movimento classificado por Kiev como uma “invasão total”. Às 5h45 [23h45 de quarta-feira, no horário de Brasília], Putin anunciou em um pronunciamento uma “operação militar especial” para “proteger a população do Donbass”, uma área de maioria étnica russa no leste ucraniano, onde estão Donetsk e Luhansk.
O comando militar russo alega que “armas de precisão estão degradando a infraestrutura militar, bases aéreas e aviação das Forças Armadas da Ucrânia”. Putin afirmou que a Rússia não planejava uma ocupação da Ucrânia, mas ameaçou com uma resposta “imediata” qualquer um que tentasse interromper a operação. O mandatário russo recomendou que os soldados ucranianos se rendam e voltem para casa. “Do contrário, a própria Ucrânia seria culpada pelo derramamento de sangue”, avisou.
Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky decretou lei marcial em todo o país, instaurando regime de guerra e convocando grande parte dos reservistas das forças armadas – inclusive impedindo que homens entre 18 e 60 anos de idade saiam do país nos próximos 30 dias.
Segundo o Acnur (Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas para Refugiados), mais de 800 mil pessoas já deixaram a Ucrânia. Somado a isso, cerca de 1 milhão de pessoas fugiram de suas casas, mas continuam no país.
Na última terça, um míssil atingiu o centro de Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, afetado um prédio do governo local no centro da Praça da Liberdade. Pelo menos dez pessoas morreram e dezenas ficaram feridas. O presidente Zelensky classificou o ataque russo como “terrorismo de Estado”.
Segundo o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, quase 75% das forças russas deslocadas para as fronteiras ucranianas já estão dentro do país. Contudo, forte resistência dos combatentes da Ucrânia têm retardado o progresso das tropas russas, embora a expectativa seja de que o exército de Vladimir Putin esteja preparando um ataque ainda mais destrutivo para tomar a capital Kiev.
A crise militar é uma das maiores desde a Segunda Guerra Mundial e a mais grave da Europa envolvendo uma potência nuclear.
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