McLaren dá indícios de melhora, mas só Ímola vai mostrar se Austrália foi miragem
As pequenas atualizações da McLaren para o GP da Austrália parecem ter funcionado. Só que a equipe ainda deixa algumas perguntas sobre a real evolução dos carros laranjas
A McLaren soltou um suspiro mais aliviado após o GP da Austrália. Primeiro, porque as atualizações no MCL36 parecem ter surtido efeito — pelo menos, para a pista do Albert Park. Segundo, porque os dois carros terminaram na zona de pontuação pela primeira vez na temporada. Só que as declarações de Lando Norris e Daniel Ricciardo seguem as mesmas: “Ainda não estamos onde queremos estar”. E, realmente, a equipe de Woking ainda parece longe de atingir seu objetivo.
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Antes mesmo do campeonato de fato começar, a McLaren já dava indícios que teria problemas. Os carros laranja sofreram muito com o superaquecimento dos freios e até andaram menos para tentar poupar as peças de reposição. E não foi surpresa notar os dois pilotos sofrendo no Bahrein. Além de ter um motor Mercedes que não evoluiu tanto — principalmente se comparado ao da Ferrari — e ainda tentar decifrar qual o melhor ajuste aerodinâmico, o time inglês ainda sofre com um problema também visto no ano passado: as curvas de baixa velocidade. Na pista barenita, que tem trechos que pedem uma boa velocidade e um carro capaz de tracionar bem, não à toa tiveram dificuldades e, por isso, ficaram longe dos pontos.

“O que me deixa otimista é que os carros deste ano são completamente novos. Vimos outras equipes encontrarem muita performance por meio do acerto do carro, então pode ser que a gente experimente algo que o carro ganhe vida. Ainda estamos otimistas de que podemos achar algo no acerto e não necessariamente em uma atualização”, disse Ricciardo, apó a primeira prova do ano, no circuito de Sahkir.
A McLaren realmente encontrou um acerto para a Arábia Saudita e Austrália. É bem verdade que ambas as pistas — ainda mais depois das mudanças no traçado australiano — exigem mais velocidade e não tanto downforce, quesito que o carro britânico tenta entender como melhorar. Em Jedá, apenas o piloto de 22 anos finalizou a corrida, enquanto Daniel tentava driblar os problemas e acabou tendo de abandonar. E foi em Melbourne que o ritmo dos MCL36 apareceu, desde os treinos livres até a classificação e, enfim, a corrida.
O resultado foi positivo e mostra, teoricamente, a posição do time britânico neste momento, já que a McLaren não fez menção de disputar com Ferrari, Red Bull ou Mercedes e, portanto, ficou atrás exatamente dessas três equipes. Mas Ricciardo saiu contente. Embora tenha apontado algumas dificuldades, ele se surpreendeu em como os carros se encaixaram a um circuito modificado e que há três anos não dava às caras no calendário da F1.

“Eu acho que meu otimismo veio depois das primeiras corridas. Eu sabia que os resultados foram ruins. Também sabia que nós não entendíamos tudo sobre os novos carros, então acreditava que descobriríamos algo no caminho. Não esperava que isso aconteceria na terceira corrida, mas estou feliz de ter mostrado isso em casa”, explicou o dono do carro #3.
“Estava ciente que, em algumas partes da pista, estava lento, como na curva 3 e 4. Eu tenho que entender como tirar mais do carro”, ponderou.
Lando saiu da Austrália pensando o oposto. Norris declarou que não tem muito para se empolgar. Isso porque ele revelou que a McLaren tinha o objetivo de brigar com a Mercedes, mas ainda se viu atrás.
“O ritmo foi pior do que o esperado, sinceramente. Queríamos brigar com a Mercedes mais do que de fato brigamos. A velocidade deles hoje estava mais forte do que a nossa. Talvez não tanto quanto pareceu, porque tivemos alguns problemas que nos custaram tempo, mas também não suficiente para que a gente pudesse competir”, analisou Lando.
Fato é que há pontos positivos e negativos. A McLaren realmente acertou na Austrália, fazendo o possível para voltar ao meio do pelotão ou ser o ‘melhor do resto’ neste momento. Um ajuste específico e todas as mudanças feitas para neutralizar a falha do superaquecimento dos freios sutiram efeito. E pensando nas próximas etapas, quatro das cinco corridas acontecerão na Europa, onde as equipes ficam próximas de suas sedes e podem trabalhar em seus carros sem sofrer problemas de logística ou qualquer coisa do tipo, é a chance de fazer o bom desempenho de Melbourne perdurar.

No entanto, é preciso levantar outro ponto: a McLaren foi bem num dia em que Haas, Alfa Romeo e, principalmente, a Alpine, talvez sua grande rival por ora, tiveram um domingo apagado. Se for levado em conta as duas primeiras etapas do ano, o motor Ferrari é uma carta na manga, enquanto os franceses são outro páreo duro. E é isso que pode pegar a equipe de Andreas Seidl no contrapé.
A própria McLaren se divide nas opiniões sobre sua própria capacidade e desempenho. E é importante ter pontos de vista diferentes numa equipe que busca uma coisa só: lutar à frente do grid. É possível? Ainda não há certeza. Mas as próximas etapas serão determinantes para responder às muitas perguntas que Melbourne deixou.
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