Williams vive melhor abertura em seis anos, mas ainda é pouco para cravar reação
Com belas atuações de Alex Albon e Logan Sargeant, a Williams pontuou pela primeira vez em uma abertura de temporada na F1 desde 2017. Só que ainda é muito cedo para cravar que o time melhorou tanto assim, só uma sequência de bons resultados, já começando em Jedá, pode fazer retomar a confiança pelos lados de Grove
A Williams marcou 1 pontinho na abertura da F1 2023, no Bahrein, e foi o suficiente para que gerasse empolgação em parte dos fãs da categoria. Uma das mais populares da história, a equipe britânica vem de cinco anos absolutamente tenebrosos. E aí, já sabe: toda visita à zona de pontos vira um acontecimento.
O ponto é que a Williams entrou em 2023 justamente para que as idas aos pontos não sejam mais eventos raros, mas algo que seja conquistado com frequência. Com investimentos maiores a cada ano que passa, a equipe sabe que, no mínimo, precisa deixar a rabeira do pelotão. No fim das contas, nos últimos cinco anos, foram quatro na lanterna e um em um também tenebroso oitavo lugar absolutamente circunstancial.
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Chegou, então, a hora de deixar isso tudo para trás. Mas é evidente que não será de uma hora para outra. Por mais que a oitava colocação seja ruim também, é uma meta viável numa F1 2023 que se desenha compacta do meio para o fundo do grid. E a abertura no Bahrein mostrou uma Williams ao menos competitiva: em décimo e 12º, o time teve a melhor estreia em temporadas desde 2017, quando Felipe Massa foi sexto na Austrália.

Além de soluções interessantes que deixaram o carro menos pesado, a Williams também passou por mudanças estruturais na direção e, principalmente, no cockpit. Sim, precisamos ser honestos aqui: era impossível se recuperar plenamente tendo Nicholas Latifi como um de seus pilotos, né? Assim, Alex Albon segue como comandante do time, mas recebe como parceiro um bastante promissor Logan Sargeant, dono de ótimo debute em Sakhir.
Tudo muito bom, tudo muito bem, mas a Williams ainda tem muita coisa a provar. Para começo de conversa, precisa de uma sequência de resultados, afinal, pontinhos esporádicos ela teve até nas temporadas miseráveis que vieram antes de 2023.
“O Bahrein pode fazer pensar que lutamos com a maior parte do grid. Mas temos de manter os pés no chão, as condições nos ajudaram e algumas equipes não têm conseguido entregar o seu melhor desempenho”, reconheceu James Vowles. “No Bahrein lutamos claramente com outras equipes, rivais fortes que claramente poderão dar um passo à frente”, afirmou o chefe da Williams.
É hora de embalar e Jedá, pelas características da pista, pode ser uma boa chance para isso. Será que veremos Albon onde merece, brigando na parte de cima do pelotão intermediário? É possível.

A incógnita Haas
Outra que vem se arrastando de forma melancólica de 2018 para cá, a Haas ao menos deu sinais de reação em 2022. É verdade que a fonte secou e a evolução do carro simplesmente nunca veio, mas o time somou seus pontinhos e ao menos ficou bem distante da lanterna. A meta, agora, é também invadir o pelotão intermediário, o top-7 de equipes.
Para isso, o time também passou por mudanças. Os americanos mantiveram a base técnica, o comando, mas mexeram na escalação. O reforço vem com Nico Hülkenberg, que traz bagagem e experiência para formar uma competente dupla com Kevin Magnussen. Mick Schumacher, tão contestado especialmente pelas batidas, vai para o banco de reservas da Mercedes.
A estreia no Bahrein foi de momentos. Na classificação, Nico brilhou e chegou ao Q3, mas se envolveu em incidente na largada, quebrou a asa e meio que se arrastou no domingo. Magnussen, que ficara no Q1 na definição do grid, fez uma corrida apenas ok de recuperação.
“Acho que já estamos lá”, disse Steiner. “Acho que não existe mais o pelotão intermediário. Existem os melhores times e o resto, eu acho. Olhando agora, essa é minha opinião”, disparou o chefe da Haas, Guenther Steiner.
No fim das contas, não ficou claro o ritmo da Haas nem em volta única e nem em stints longos. Foi, no mínimo, confuso. Ao lado da Alpine, o time americano é, provavelmente, o que mais levanta dúvidas sobre o real potencial, mas o meio para fim de grid parece um fato de novo. É saber se ao menos fica na frente de Williams, AlphaTauri e, quem sabe, McLaren.

A decadente AlphaTauri
É fascinante, no pior sentido da palavra, o que acontece com a AlphaTauri. Cada vez mais ameaçada de ter sua vida na F1 encurtada pelos maus resultados recentes, o time não parece nem perto de ter uma virada. É que Yuki Tsunoda e o novato-nem-tão-novato Nyck de Vries não inspiram muita confiança.
Com uma dupla sob desconfiança e, principalmente, sem Pierre Gasly, que carregou a equipe nas costas nos últimos anos, o cenário é um tanto desesperador. Os italianos até parecem ter um carro um pouco melhor do que o último, mas, após apenas uma etapa, são fortes candidatos ao último lugar do pelotão.
Mais do que simplesmente a posição para 2023, o que está em jogo pelos lados de Faenza é a sobrevivência no grid. Helmut Marko, que sempre foi o homem que bancou um projeto que criou com as próprias mãos anos atrás, ainda sob o nome de Toro Rosso, já vai dando declarações estranhas. A coisa começa a ficar nebulosa.
Com o programa de jovens da Red Bull tendo emperrado, a AlphaTauri apresenta uma dupla muito longe do padrão que teve anos atrás. Está claro: não sai do par de 2023 um Max Verstappen, um Sebastian Vettel, um Daniel Ricciardo, um Gasly ou um Albon, que seja. E o próprio Marko, ao dar sinais de que vai perdendo prestígio internamente com a nova direção do grupo austríaco indica isso.
“Não é mais o caso de eu ligar por telefone após cada sessão de treinos livres, após cada corrida”, admitiu Marko. “O relacionamento direto, pessoal e de amizade não existe mais. ‘Didi’ [Mateschitz, fundador da Red Bull que morreu no início do ano] era um visionário, tinha emoções. Eu não vejo mais isso”, falou.
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