Retrospectiva 2023: Verstappen atinge novo patamar de excelência em tri avassalador

Max Verstappen estabeleceu um novo padrão de domínio na conquista do tricampeonato da F1 em 2023. Em aproveitamento, em performance, o holandês sobrou em todos os aspectos. E humilhou a concorrência

O capítulo que abre a segunda-feira (18) de Retrospectiva da F1 2023 traz o avassalador domínio de Max Verstappen. O agora tricampeão viveu um ano sem precedentes, empilhou recordes, humilhou a concorrência. Daqui 20, 30, 40 anos, é improvável que outro tenha se tornado mais sinônimo de domínio do que foi Max em 2023.

Para início de conversa, já temos de ser definitivos e claros aqui: Verstappen salvou uma temporada que foi das piores dos últimos tempos. Corridas não mais que medianas, rivais pouco inspirados, equipes errando quase que os próprios nomes. Ainda, uma direção de prova precária, uma guerra entre F1 e FIA. Quase tudo errado. Quase, porque Max e a Red Bull escapam totalmente disso.

Aliás, tão sem graça foi o campeonato que o coitado do Max levantou o caneco num sábado, na sprint do GP do Catar, um dos mais problemáticos de 2023, inclusive. De novo: nem isso apaga o que o holandês fez no comando de um carro que nasceu monstruoso e que vai para a galeria histórico.

Feitos os apontamentos necessários sobre a ruindade da temporada, passemos a exaltar Verstappen da forma que o holandês merece. Max, que incrivelmente ainda tem 26 anos, se juntou de vez ao clube dos maiores da história do esporte com bizarras 19 vitórias em 22 corridas. E ainda mais quatro nas seis sprints disputadas.

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Max Verstappen venceu o GP de Miami e virou a chave na F1 2023 (Foto: AFP)

Por mais incrível que possa parecer, nada desse domínio avassalador parecia possível até a quinta etapa, o GP de Miami. Até ali, o holandês tinha vencido no Bahrein e na Austrália e sido derrotado pelo parceiro, Sergio Pérez, na Arábia Saudita e no Azerbaijão. Mais do que isso, Max via Checo ganhar de vez a alcunha de ‘Rei das Ruas’, parecia, enfim, incomodado, fora da zona de conforto. Parecia.

O GP de Miami foi, inegavelmente, o ponto de virada na temporada 2023 da F1. Cedo no ano para ser um ponto de virada? Claro, mas foi assim que aconteceu. Uma pista de rua, com Pérez na pole, Verstappen largando em nono depois de uma classificação caótica. O mexicano precisava ganhar, ver o holandês sofrendo. Realidade: foi atropelado por Max ainda na primeira metade da corrida. Uma vitória que valeu por umas cinco, dez. Knockdown com cara de nocaute.

“É difícil de cravar, mas, depois de Miami e as corridas seguintes, o sentimento era muito bom”, disse Verstappen à emissora austríaca ServusTV. “Dez vitórias vieram em seguida, você começa a pensar que o título vai acontecer”, completou.

E foram mesmo dez vitórias consecutivas a partir dali, mais um recorde na conta de Max. Aquela série de corridas é inacreditável. A partir de Miami, o holandês passou a controlar a temporada e sufocar os rivais, especialmente Pérez, que ficava imóvel mesmo tendo equipamento igual ao do companheiro.

Sergio Pérez viveu um pesadelo na F1 2023 com Max Verstappen do lado (Foto: AFP)

Mônaco, Espanha, Canadá, Áustria, Inglaterra, Hungria, Bélgica, Holanda, Itália. Foi tudo para o bolso de um Verstappen que ainda via Pérez ser segundo colocado em só duas das provas dominadas. Teve poles, voltas mais rápidas, hat-tricks, tudo isso aos montes ali. E nem a resistência oferecida por Carlos Sainz e pela Ferrari, em Monza, pareciam poder deter Max.

Foi na corrida seguinte, em Singapura, que o holandês teve um fim de semana irreconhecível. Muito mais da Red Bull do que dele? Sim, mas dele também. Distante na classificação e na corrida, Verstappen foi cruzar a linha final apenas em quinto, o único não-pódio que teve em 2023, uma das únicas três provas que não venceu. Aliás, lá em Marina Bay, sim, brilhou a estrela de Sainz.

Sem se deixar abalar, Max respondeu logo na etapa seguinte e venceu o GP do Japão com pole e volta mais rápida. No Catar, foi segundo na sprint, mas sacramentou o tri sem maiores problemas. No domingo, para variar, venceu. E fez o mesmo no GP dos EUA, no México, em São Paulo, em Las Vegas, em Abu Dhabi.

Com 575 pontos e 19 vitórias, Verstappen bateu recordes em uma temporada que muita gente nem imaginava que fossem possíveis. Ou que existissem, talvez: pontos, vitórias, aproveitamento, vitórias seguidas, pódios, voltas lideradas, diferença para o vice-campeão, hat-tricks. E foi o único a liderar 1.000 voltas num mesmo ano.

Em meio à pasmaceira que foi a F1 2023, a estrela de Max Verstappen brilhou intensamente. E tudo indica que o tetra venha aí em 2024, o favoritismo é gritante.

Com a temporada encerrada, a Fórmula 1 retorna apenas no ano que vem, no dia 2 de março, com a estreia do campeonato no GP do Bahrein.

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