“Pessoas têm medo de me apoiar”: candidato à presidência expõe “reino de terror” em FIA
Tim Mayer afirmou que tem recebido apoio de figuras importantes no paddock da Fórmula 1 e que elas o agradecem por dizer coisas "que deixariam nossa equipe em apuros"
Candidato à presidência da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) nas eleições que acontecem em dezembro deste ano, Tim Mayer assegurou que o apoio que possui tanto do paddock da Fórmula 1 quanto de membros de clubes da federação é muito maior do que se vê. E a razão para isso não ser público, nas palavras do ex-comissário-chefe da F1, é por medo de uma retaliação.
Mayer anunciou candidatura durante o fim de semana do GP da Inglaterra e recentemente publicou o plano de campanha que faz oposição a Mohammed Ben Sulayem, atual presidente que tenta a reeleição. Ao portal britânico The Race, afirmou que tem recebido feedback positivo de várias pessoas importantes ligadas à principal categoria do automobilismo mundial, mas expôs o terror coletivo que elas têm de serem perseguidas pela gestão atual da entidade.
“Tenho de ser bastante cauteloso em relação a eles, mas o feedback que recebi é de que tenho falado coisas que eles acham que não podem dizer. Não estou me referindo a ninguém específico, mas coletivamente, o paddock está me dizendo: ‘Obrigado por dizer isso. Porque sinto que se dissermos, minha equipe estará em apuros, ou estaremos em apuros, seja lá o que for'”, salientou.
“Como órgão regulador, não deveria ser este o caso. Não há absolutamente nada para se brincar com os competidores quando se é o órgão regulador. Simplesmente não há espaço para isso”, enfatizou.

Que a Fórmula 1 é bastante crítica à gerência de Ben Sulayem, não é novidade, sobretudo depois das polêmicas que envolveram desde o uso de joias e roupas íntimas até a proibição dos palavrões. Por outro lado, o presidente recebeu apoio público de 36 clubes associados — entre eles, a Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) — pela reeleição. Só que Mayer garante que também recebeu suporte de membros.
“É interessante. Já usei a frase ‘reino de terror’ sobre Mohammed, e em nenhum sistema democrático do mundo as pessoas deveriam ter medo de se manifestar. Mas elas têm…”, continuou. “Se observarmos a forma como a equipe é gerenciada, funcionários entram e saem. Convido a darem uma olhada no LinkedIn em qualquer dia, há vagas abertas por toda parte. É fato demonstrável que a rotatividade de funcionários atualmente é simplesmente terrível, e isso se deve ao fato de ser um ambiente muito difícil para se trabalhar”, completou.
Mayer também comentou a carta aberta da presidente da Comissão de Mulheres no Automobilismo da FIA, Burcu Çetinkaya Bonnet, pedindo para que reconsiderasse a fala sobre a “ilusão” da diversidade e inclusão no órgão que regula o automobilismo. Ele, no entanto, reforçou a linha de pensamento.
“Jogo limpo com Mohammed. Existem algumas mulheres altamente qualificadas em cargos políticos. Mas o que quero dizer é que, quando se trabalha em estreita colaboração com a equipe presidencial, seus dias estão contados”, seguiu.

“Essa ilusão de inclusão a que me referi: deem uma olhada em Natalie Robyn [ex-CEO da FIA], ou na chefe do DEI [Diversidade, Equidade e Inclusão, Sara Mariani], que recentemente foi denunciada publicamente. Há uma lista de mulheres em posições de influência, que vêm, tentam se consolidar e depois são eliminadas. E, novamente, não precisa acreditar em mim. Basta olhar a lista”, continuou.
“Há mais mulheres no Conselho Mundial de Automobilismo do que há dez anos? 100%, sem dúvida. E celebro isso, é ótimo. Mas precisamos ter um ambiente de trabalho respeitoso, onde a voz de todos possa ser ouvida, respeitada e levada adiante. Isso é completamente diferente do que vemos na realidade, com Mohammed”, disparou.
Na última semana, Mayer afirmou no manifesto de governança que pretende abandonar várias mudanças controversas promovidas por Ben Sulayem e deixou claro que sente a necessidade de uma mudança no papel do presidente da FIA, para que a organização esteja preparada para enfrentar os desafios da modernidade.
“Precisamos de um presidente focado em estratégia, focado no panorama geral: onde estaremos daqui a dez anos? Onde estará o futuro da mobilidade daqui a dez anos? Onde estará o futuro dos sistemas de propulsão daqui a dez anos? O trabalho do presidente, para mim, é desenvolver esse consenso e, em seguida, voltar e dizer aos executivos onde estaremos. Vamos trabalhar o plano de trás para frente, descobrir onde todos os pontos intermediários precisam estar”, acrescentou.
“O que absolutamente não deveríamos fazer é entrar no paddock no Bahrein e dizer: ‘Vamos ter motores V10’. E, no mês seguinte, dizer: ‘Vamos ter motores V8′”, cutucou, referindo-se a uma das polêmicas declarações de Ben Sulayem este ano, às vésperas de uma mudança de unidades de potência já aprovada desde a temporada passada.
Por fim, explicou que ainda está em processo de elaboração da chapa presidencial. “A lista não precisa ser publicada antes de 23 de outubro. Adoraria dizer com tudo ‘esta é a equipe’, mas, infelizmente, o processo desencoraja isso. E se olhar a última campanha de Mohammed, a lista só foi totalmente anunciada bem no final do processo.”
“Ainda estamos trabalhando em algumas vagas — e parte da minha jornada pelo mundo é conversar com algumas dessas pessoas. Mas, infelizmente, é um processo que desencoraja a divulgação de informações demais por enquanto”, encerrou.
A F1 retorna neste fim de semana, de 1º a 3 de agosto, em Hungaroring, palco do GP da Hungria, 14ª etapa da temporada 2025. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
GP da Hungria de F1: veja os horários em Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:
| Sessão | BRA* | CBV | POR ANG | MOZ |
| Treino livre 1 | 08:30 | 10:30 | 12:30 | 13:30 |
| Treino livre 2 | 12:00 | 14:00 | 16:00 | 17:00 |
| Treino livre 3 | 07:30 | 09:30 | 11:30 | 12:30 |
| Classificação | 11:00 | 13:00 | 15:00 | 16:00 |
| Corrida | 10:00 | 12:00 | 14:00 | 15:00 |
*Horário de Brasília
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