Bottas sucumbe e escancara necessidade da Fórmula 1 em encontrar outros protagonistas

Valtteri Bottas não pode ser o único piloto que briga por título na Fórmula 1. O finlandês será vice-campeão mundial de novo, e a categoria precisa encontrar outro protagonista

Em 2019 e 2020, a Fórmula 1 encontrou uma situação bem diferente dos anos iniciais após a aposentadoria de Nico Rosberg. Por duas temporadas, vimos a Mercedes campeã, mas também vimos a Ferrari se aproximar de forma perigosa, especialmente com Sebastian Vettel se colocando como um candidato para disputar o título mundial.

Porém, qualquer expectativa possível de um campeonato mais equilibrado foi esfarelada nas temporadas seguintes. Vettel e Ferrari não sustentaram o mesmo ritmo de 2017 e 2018. A Red Bull, mesmo com Max Verstappen crescendo e se destacando, não conseguiu impor um desafio digno às flechas de prata, e aí surge o problema: o protagonismo de Valtteri Bottas.

O finlandês foi contratado em 2017 com um objetivo: trazer de volta a paz dentro de Brackley. Mesmo dominante, a Mercedes passou por temporadas turbulentas por conta do conflito interno de Lewis Hamilton contra Nico Rosberg. O alemão pendurou as luvas após a conquista do título mundial, e Valtteri conseguiu cumprir muito bem o papel.

Valtteri Bottas com dificuldades na Turquia (Foto: AFP)

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Com vitórias ocasionais e pódios frequentes, Bottas não era um problema da Fórmula 1 até 2019. Afinal, ninguém ligava se ele ia mal ou não. Hamilton estava lá, na frente, batalhando contra Sebastian Vettel, e vez ou outra contando com ameaças de Daniel Ricciardo e Max Verstappen, pilotos que não tinham a expectativa de brigar pelo título por conta da falta de equipamento.

A Mercedes voltou a se estabelecer como dominante em 2019, e aí começa o problema. Bottas é o único piloto com condições de desafiar Hamilton. É o único piloto que tem o mesmo carro, é o cara que leva um segundo lugar com tranquilidade mesmo que Max Verstappen gaste a última gota de suor para tentar superá-lo. E isso não é suficiente para a Fórmula 1 ter competitividade saudável.

Com mais holofotes, Valtteri também comete mais erros, sofre mais com confiabilidade, falha em entregar um desafio verdadeiro para Hamilton. Falha em ser quase perfeito dentro das pistas, como Lewis é. A mediocridade é muito pouco para ser entregue em um campeonato de dois carros.

Bottas é companheiro de Hamilton desde 2017 (Foto: Mercedes)

O GP da Turquia é um exemplo de como Bottas é capaz de sucumbir facilmente em situações de pressão. Precisava chegar à frente de Hamilton para tentar manter a briga pelo campeonato, já bastante perdida, viva. Foi apenas 14º, rodou seis vezes, não pontuou com o melhor carro do grid e viu Lewis levar o título com uma atuação mágica.

Bottas é um bom piloto. É capaz de estar em uma equipe grande e arrancar suas vitórias aqui e ali. Ele não é uma novidade na Fórmula 1, que já viu tantos pilotos no mesmo posto, mas o problema crônico é: não pode ser um protagonista. A esperança de ver Hamilton pressionado não pode cair sobre os ombros de alguém que não tem tal capacidade.

Se a Fórmula 1 quer se tornar mais competitiva, precisa de uma aproximação maior das equipes, o que vai beneficiar o próprio Bottas. É hora de ver outros pilotos, mais talentosos e mais competentes, com a mesma oportunidade de brigar.

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