Leclerc faz Red Bull sangrar por um dia e conquista pole do GP do Azerbaijão

Uma disputa impressionantemente disputada pela pole-position teve até Max Verstappen e Charles Leclerc empatados no Q3 em Baku. Mas Leclerc levou a melhor

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O único treino livre do fim de semana, realizado no começo da manhã desta sexta-feira (28), no circuito de rua de Baku, tinha dado a letra: a situação estava bastante problemática para pilotos e equipes. E foi o que apareceu novamente na classificação que definiu o grid de largada do GP do Azerbaijão, com múltiplas bandeiras vermelhas. No fim do tiroteio na Cidade dos Ventos, Charles Leclerc levou a melhor e ficou com a pole-position.

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E foi um duelo daqueles que a Fórmula 1 sempre gostaria de acompanhar. Leclerc liderou o Q2, Max Verstappen, o Q2. Na primeira volta rápida no Q3, os dois empataram. Sim, empataram: fizeram exatamente o mesmo tempo, uma menção requintada ao empate triplo entre Michael Schumacher, Jacques Villeneuve e Heinz-Harald Frentzen, que definiu a pole do GP da Europa de 1997, em Jerez de la Frontera. Na volta final, contudo, Leclerc fez 1min40s203 e colocou 0s188 em Verstappen.

Sergio Pérez pôs a outra Red Bull na terceira posição, com a companhia de Carlos Sainz e a outra Ferrari na segunda fila. Lewis Hamilton foi quinto colocado, mesmo em meio às dificuldades de uma Mercedes que passou perto de ficar fora do Q3 de mala e cuia. Fernando Alonso foi sexto, enquanto Lando Norris, Yuki Tsunoda, Lance Stroll e Oscar Piastri encerraram um problemático top-10. Que se diga: a Aston Martin teve problemas no DRS, ao passo que a McLaren viu a bateria ratear.

Os problemas pela pista foram vários, sobretudo no Q1. Após menos de oito minutos na pista, veio o primeiro — aqui, apenas os mais graves, sem levar em conta como rodadas de Guanyu Zhou ou Sainz, um pouco depois. Foi de Nyck de Vries, que mal conseguiu começar a contornar a curva três e deu uma pancada frontal com a AlphaTauri no muro de proteção, danificando a barreira e destruindo o próprio bólido. Bandeira vermelha e 13 minutos de espera.

Apenas mais três minutos passaram até que Pierre Gasly, que sofrera um incêndio no carro pela manhã, errasse na mesma curva três e lanhasse o lado direito e a traseira no muro. De novo, quebrou o carro e o muro. Outra vez, bandeira vermelha. Ainda teve um problema com Kevin Magnussen nos minutos derradeiros, mas o dinamarquês só teve de abandonar a classificação e não causou prejuízo para ninguém mais.

GRANDE PRÊMIO acompanha AO VIVO e EM TEMPO REAL todas as atividades do GP do Azerbaijão de Fórmula 1. No sábado, a classificação curta começa às 5h30 (de Brasília, GMT-3), com a corrida sprint também às 10h. No domingo, a largada está marcada para as 8h.

Charles Leclerc finalmente levou vantagem contra as Red Bull (Foto: AFP)

Confira como foi a classificação:

Já no fim de tarde pelo horário de Baku, a Fórmula 1 preparou a tomada de pista para definir o grid de largada do domingo com temperatura ainda mais baixa que no treino livre: 20°C no ambiente, 36°C. Tinha de agradecer pelo sol, que, apesar da temperatura baixa, esquentava um pouco mais o asfalto. O aquecimento dos pneus ainda seria uma questão.

No horário marcado, uma enorme fila alinhou no pit-lane. Afinal, seria uma classificação após somente um treino livre. E um treino com muito problema, onde várias equipes sofreram questões sérias com seus carros e ainda perderam 13 minutos de pista por conta de um incêndio na traseira da Alpine. A Mercedes sofreu com os freios nos dois carros; a Aston Martin viveu drama com o DRS de Fernando Alonso; a Haas, perdeu potência com Kevin Magnussen.

Max Verstappen é o líder da temporada 2023 da F1 (Foto: Red Bull Content Pool)

Q1 – Leclerc, problemas e duas bandeiras vermelhas

Um dos membros da fila que levou os carros ao traçado assim que a luz verde permitiu foi exatamente Gasly, que tinha muito a agradecer. “Obrigado ao pessoal por ter colocado o carro na pista”, falou no rádio. Apenas Max Verstappen e Nyck de Vries, os dois holandeses do grid, não saíram juntos dos 18 demais. Mas saíram em seguida.

As primeiras voltas foram apenas começar a mostrar os trabalhos quando Guanyu Zhou rodou na curva um e causou uma rápida amarela de atenção. Até este ponto, com cinco minutos de sessão, quem liderava era Valtteri Bottas, na outra Alfa Romeo. Claro que o líder mudou quase que de imediato, uma vez que todos completavam volta rápida.

Assim que fez o tempo dele, Verstappen já assumiu a cadeira cativa no #1. Na pista, apenas os pneus macios apareciam — e esses são os macios mesmo, os C5, pneu mais aderente da gama da Pirelli para 2023 e que estreia neste fim de semana.

Só que as atividades foram interrompidas logo em seguida: último a entrar na pista, De Vries entrou tarde demais na curva três, não conseguiu contornar e deu uma pancada frontal na barreira de proteção. Serviu para destruir a frente da AlphaTauri e a barreira. Por isso, bandeira vermelha e classificação interrompida.

De Vries errou e foi direto na barreira de proteção na classificação do Azerbaijão (Vídeo: F1 TV)

Uma pena para De Vries, que tinha andado bem rápido e ficado no top-6 no treino livre. E no restante da pista? Magnussen voltava a sentir um defeito e avisava a Haas. “Problema de motor de novo. Eles precisam consertar isso”, falou, provavelmente se referindo à Ferrari, fabricante do motor. O engenheiro de corridas do dinamarquês, Mark Slade, respondeu. “Não é tão sério quando de manhã. Acho que podemos consertar aqui”. Como a atividade estava parada, tentariam.

Quando a interrupção chegou, Carlos Sainz tentava a primeira volta rápida e teve de desistir. Como antes não sentira firmeza no carro e havia voltado aos boxes depois da primeira aparição, era o único que seguiam sem tempo registrado.

Naquele ponto, Verstappen liderava e tinha vantagem de 0s218 para Charles Leclerc, segundo colocado. Alonso, em terceiro, já estava 0s761 atrás. Lando Norris, Lewis Hamilton, Nico Hülkenberg, Oscar Piastri, Sergio Pérez, Kevin Magnussen e Bottas formavam top-10. Os eliminados do momento eram Esteban Ocon, Yuki Tsunoda, Gasly, De Vries e Sainz. Mas outros dez minutos estavam guardados assim que a bandeira verde aparecesse.

Depois de cerca de 13 minutos de interrupção, conserto da barreira e uma dúvida quanto se Verstappen seria investigado por uma irregularidade com o ajuste de pescoço no cockpit — não foi —, pista aberta para o período final do Q1. Mais uma vez, muita gente junta para tentar fazer alguma coisa acontecer.

Olhos em Sainz, ainda sem tempo. Só que o espanhol simplesmente não conseguia e rodou no meio da volta. Apenas menos de três minutos depois da liberação do traçado, a segunda vermelha do dia surgiu: agora Gasly, que teve problema de pressão hidráulica de manhã.

O trabalho velocíssimo dos mecânicos da Alpine para consertar o carro pós-incêndio foi impressionante, mas o francês entrou rápido demais na mesma curva três em que De Vries bateu. Um acidente um pouco diferente, mais tardio na curva, mas típico de quem achou que podia cravar os freios em cima do apex. “Perdão, pessoal, não consegui parar o carro”, lamentou após impactar o lado direito do bólido e a traseira. Fim de classificação para ele, mais uma bandeira vermelha na pista.

Gasly bateu na curva 3 e precisou abandonar a classificação no Azerbaijão (Vídeo: F1 TV)

Outros 11 minutos de interrupção até que o Q1 seguisse em frente. Todos os 18 pilotos fizeram fila no pit-lane. Abririam volta rápida com cerca de 5min pela frente. Aliás, que seja registrado, Sainz teve de colocar o segundo jogo de pneus macios após massacrar o primeiro. Talvez custe muito caro na classificação sprint.

Pérez andou bem e tomou a dianteira, mas por segundos apenas. Verstappen lanhou o companheiro ao cravar 1min41s398 e retomar a dianteira. Enquanto isso, na briga lá atrás, outro problema: a Haas mandava Magnussen voltar aos boxes, porque o problema no motor apontava novamente. Kevin disse que o carro estava bom e não dava para sentir, mas a equipe insistiu: arriscar não era uma opção.

Sainz finalmente conseguiu completar uma volta rápida e pulou para o sétimo lugar, afastando a ameaça da eliminação. A briga ficava entre outros personagens, mas os pilotos da Williams, por exemplo, livraram-se com facilidade: tanto Albon quanto Logan Sargeant pularam para o top-10. Bottas foi outro a sair do perigo e se lançar ao Q2. Leclerc se jogou para a liderança ao virar 0s129 melhor que Max.

Sobraram Nico Hülkenberg e Zhou na briga do fim do grid. Nas posições 16 e 17, caíram junto aos três que tiveram problemas: Magnussen, Gasly e De Vries são, nessa ordem, 18º, 19º e 20º. Resta a gente como Esteban Ocon e Bottas agradecer por terem enfrentado três pilotos que não conseguiram se classificar apropriadamente. Lance Stroll foi outro que sofreu e ficou em 13º sem encaixar uma volta limpa.

Nico Hülkenberg foi um dos dois eliminados ‘na pista’ (Foto: Haas F1 Team)

Q2 – Mercedes com problemas: Hamilton dentro por pouco, Russell fora

Assim como no Q1, havia aquela tradicional fila de carros para tomar a pista. Mas era menor desta vez, porque bólidos de Red Bull e Ferrari não estavam por lá e decidiram esperar um pouco mais. Enfim, quando entraram, logo em seguida, não destoaram da regra: todos os 15 restantes andavam de pneus macios.

Alonso liderava até as voltas rápidas de Ferrari e Red Bull, mas foi rapidamente engolido por estes rivais. Pérez cravou 1min41s131 e assumiu a ponta com a volta mais veloz da classificação até aquele ponto. Verstappen era 0s062 mais lento.

Quem parecia ter problemas era Norris, que não saíra para a pista nos primeiros minutos. Foi apenas faltando 7min que foi ao traçado. Entretanto, à rede de TV inglesa Sky Sports, a McLaren garantiu que não teve problema algum com o carro. A primeira volta colocou o inglês em sétimo.

Enquanto isso, Leclerc voltava a estocar a Red Bull: com 1min41s037, assumia a dianteira em Baku. Alonso era o quarto, com Sainz e Stroll na sequência. Norris aparecia na frente das duas Mercedes.

Pouco menos de 3min pela frente no Q2 quando Sainz passou direto também na curva três. A diferença foi quem nem tentou entrar na curva, passou reto mesmo, na área de escape, evitando problemas mais graves. Evitar problema grave foi algo que Albon também fez ao passar bem perto de abalroar uma barreira de proteção. Abrindo o minuto final, Alex estava na lista dos classificados para a fase derradeira da atividade.

Verstappen resolveu apostar em ao menos tentar tomar a dianteira após acabar atrás de Leclerc no Q1 e foi precisamente o que fez: baixou da casa de 1min41s. Com 1min40s822, assumiu a ponta por 0s215. Leclerc não fez a tentativa final e foi segundo. Pérez, Sainz, Alonso e Norris formaram o top-6.

Aí, em seguida, a briga pelas posições finais do Q3. Na correria de idas e vindas, Tsunoda se alocou na sétima posição, seguido por Stroll, Oscar Piastri e, no fio da navalha, Hamilton.

Com tal configuração, Russell sobrou. Ficou em 11º e foi eliminado. “Não tivemos o ritmo neste fim de semana, pessoal”, falou no rádio ao ser informado da eliminação. Ocon, Albon, Bottas e Sargeant foram, nesta sequência, do 12º ao 15º lugares.

George Russell foi eliminado no Q2 (Foto: Mercedes)

Q3 – Empate, rivais dignos e Leclerc em vantagem

Pouco antes do começo da parte final da classificação, a McLaren confirmou, desta feita, que Norris tinha algum problema na bateria. Na Aston Martin, uma dificuldade com o DRS, que já causara dor de cabeça no treino livre.

De resto, os participantes correram para a pista assim que possível. Verstappen abriu volta antes do grande rival do dia, Leclerc, e anotou 1min40s445 na primeira volta rápida. Como o monegasco responderia?

Leclerc fez o primeiro setor com tempo ainda melhor, mas as coisas se equilibraram. De maneira incrível, o tempo foi exatamente o mesmo, até os milésimos, de Max: 1min40s445. Apenas uma vez na história da F1 uma pole foi definida com pilotos em tempos iguais. Neste caso, quem andou primeiro fica com a melhor posição. Ainda tinha uma última chance para ambos.

O empate cairia. Após as paradas nos boxes para última troca de pneus, Leclerc saiu primeira desta feita e anotou uma voadora volta de 1min40s203. Verstappen acompanhou até onde deu, mas foi 0s188 mais lento. A primeira pole de 2023 para o monegasco! Pérez, Sainz, Hamilton, Alonso, Norris, Tsunoda, Stroll e Piastri completaram o top-10.

F1 2023, GP do Azerbaijão, Baku, Grid de largada:

1C LECLERCFerrari 1:40.203 
2M VERSTAPPENRed Bull Honda 1:40.391+0.188
3S PÉREZRed Bull Honda 1:40.495+0.292
4C SAINZFerrari 1:41.016+0.813
5L HAMILTONMercedes 1:41.177+0.974
6F ALONSOAston Martin Mercedes 1:41.253+1.050
7L NORRISMcLaren Mercedes 1:41.281+1.078
8Y TSUNODAAlphaTauri Honda 1:41.581+1.378
9L STROLLAston Martin Mercedes 1:41.611+1.408
10O PIASTRIMcLaren Mercedes 1:41.611+1.408
11G RUSSELLMercedes 1:41.654+1.451
12E OCONAlpine 1:41.798+1.595
13A ALBONWilliams Mercedes 1:41.818+1.615
14V BOTTASAlfa Romeo Ferrari 1:42.259+2.056
15L SARGEANTWilliams Mercedes 1:42.395+2.192
16G ZHOUAlfa Romeo Ferrari 1:42.642+2.439
17N HÜLKENBERGHaas Ferrari 1:42.755+2.552
18K MAGNUSSENHaas Ferrari 1:43.417+3.214
19P GASLYAlpine 1:44.853+4.650
20N DE VRIESAlphaTauri Honda 1:55.282+15.079
  Tempo 107% 1:47.217+7.014
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