Coluna Apex, por Andre Jung: A vida por um fio

A saída da gigante alemã, assim como ocorreu na Williams, mostrou-se um duríssimo golpe, provocando uma derrocada que, hoje, coloca a continuidade da equipe Sauber - depois de 404 corridas realizadas e 24 carros de F1 projetados e construídos - sob profunda ameaça

Depois de apenas duas corridas disputadas, o que deixou evidente as diversas fraquezas no carro e no time, a Sauber entrou em estado de emergência, saindo em busca desesperada de recursos para levar seus carros ao GP da China.
 
Um momento muito difícil na história da equipe, nascida em 1970 pelo desejo de seu fundador, Peter Sauber. Ousado, ele resolveu montar um fábrica de carros de corridas num país onde a atividade em questão (corridas de automóvel) está proibida desde o final da década de 1950.
 
Ainda que Jo Siffert e Clay Regazzoni tenham representado dignamente a bandeira do país nas pistas, formar uma equipe e construir sofisticados carros de corrida na Suíça parecia um sonho de Quixote. Mas Sauber soube trilhar um caminho vitorioso a partir dos protótipos, onde sagrou-se campeão mundial em 1989 e 1990. Na temporada 89, um protótipo Sauber também venceu as 24 horas de Le Mans.
 
Apoiado pela Mercedes, teve um de seus carros pilotados por um trio de jovens talentos, endossado pela montadora que depois correria na F1: o austríaco Karl Wendlinger, o alemão Heinz-Harald Frentzen, que chegou a vencer corridas quando piloto da Jordan, e o grande Michael Schumacher.
 
Ao alcançar o sonho da F1, na temporada de 1993, manteve alta a expectativa de que a Sauber teria um futuro vencedor. Com a permanência do apoio financeiro e tecnológico da Mercedes por meio da Ilmor, estrearam marcando pontos, com um quinto lugar conquistado por JJ Lehto.
 
Em pouco tempo a equipe constituiu um sólido suporte financeiro e em 1995 conquistou seu primeiro pódio com Frentzen em Monza, no mesmo ano em que o time promoveu a estreia da Red Bull na categoria. Assim como ele, um grupo de talentosos pilotos fez sua entrada na F1 através de Peter Sauber, que mostrava ótimo faro. 
 
O mais notório de todos foi Kimi Räikkönen, que o suiço trouxe para a F1 depois de apenas algumas provas de F-Renault, provocando grande polêmica por conta da inexperiência do jovem finlandês. Felipe Massa, Nick Heidfeld, Robert Kubica e até mesmo Sebastian Vettel, ainda que por apenas uma corrida, são outros exemplos de jovens promissores que estiveram sob a guarda de Sauber.
 
Em 2001, a Sauber conseguiu terminar o Mundial de Construtores em quarto lugar, ano que também marcou o início da construção do seu próprio túnel de vento, um dos mais avançados da categoria.
 
Sauber tinha bastante rapidez e credibilidade para lidar com o fornecimento de motores e, desde sua entrada na categoria, a equipe já havia sido empurrada pelos Ilmor, sob a tutela da Mercedes, Ford, Ferrari e, em 2005, vivendo boa fase, a equipe foi negociada para tornar-se o time oficial da BMW, que decidiu romper a parceria com a Williams.
 
Com Robert Kubica em primeiro e Nick Heidfeld em segundo, o GP do Canadá de 2008 marcou a primeira e única vitória da equipe na F1. Ao final da temporada, com 11 pódios, a dupla levaria a BMW Sauber à terceira posição no Mundial de Construtores.
(Ilustração: Marta Oliveira)
No entanto, de forma surpreendente, a BMW declarou, no início de 2009, que deixaria a categoria ao final da temporada. No segundo semestre, Peter Sauber anunciava que estava retomando o comando da equipe que fundara, porém, sem os recursos provenientes da BMW, começava a viver um calvário financeiro.
 
O time disputou a temporada 2010 ainda com BMW no nome por imposições jurídicas, porém com os motores Ferrari que vem equipando seus carros desde então. A saída da gigante alemã, assim como ocorreu na Williams, mostrou-se um duríssimo golpe, provocando uma derrocada que, hoje, coloca a continuidade da equipe Sauber – depois de 404 corridas realizadas e 24 carros de F1 projetados e construídos – sob profunda ameaça.
 
Se não tem o nome e o prestígio de alguns times campeões, que deixaram a categoria como Brabham, Tyrrell, Matra, BRM, para citar alguns, a Sauber tem um bela história e um excelente portfólio de pilotos para apresentar. Hoje é a quarta equipe mais antiga entre as 11 que disputam o certame.
 
Vivendo em grave dificuldade financeira, a equipe ainda perdeu um processo judicial no início de 2015 para o piloto holandês Giedo Van der Garde que vem drenando a Sauber em US$ 16 milhões, aprofundando o buraco de onde Monisha Kaltenborn, promovida em 2012 à CEO, se esforça para sair.
 
Enquanto isso…
 
…causou comoção o temporal da pole de Lewis Hamilton que, com 1min29s439, fez a melhor volta de todos os tempos no Bahrein. Entretanto, comparar o ritmo de corrida de hoje com o de doze anos atrás soa cruel…
 
…em 2004, Schumacher fez um hat-trick, com a pole em 1min30s139, a volta mais rápida em 1min30s252 e um tempo total de corrida (quando ela ainda era disputada sob sol forte) de 1h28min34s
 
…em 2016 a melhor volta, de Nico Rosberg, foi de 1min32s294, e o tempo total da corrida, sob condições muito mais amenas, foi de 1h33min34, ou seja, os carros de 2016 terminaram a corrida cinco minutos depois dos de 2004(aproximadamente duas voltas e meia atrás).
 
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