Com Mercedes favorita e Ferrari perdida, F1 2020 é mesmo continuação de 2019

A Fórmula 1 parece ter levado muito a sério a palavra ‘continuidade’ em 2020. É que a pré-temporada em Barcelona mostrou um panorama bem parecido com o de 2019: a Mercedes segue dando as cartas, a Red Bull faz um trabalho bastante digno e a Ferrari se complica por conta própria

A palavra mais repetida nas apresentações dos carros foi ‘continuidade’. A Fórmula 1 de 2020 tem um regulamento essencialmente igual ao do ano anterior e, com tudo mudando profundamente em 2021, não faria sentido revolucionar já. As dez equipes do grid decidiram corrigir os problemas de antes, aprendendo com erros e com pontos fracos de seus bólidos. Só que talvez a gente esteja vendo a continuidade chegando a uma nova dimensão: a temporada começa com a Mercedes novamente dando as cartas e com a Ferrari se complicando sozinha. E a sexta-feira (21), último dia da primeira semana de pré-temporada em Barcelona, parece ter deixado tudo bastante claro.
 
Para começo de conversa, tivemos dobradinha da Mercedes. Valtteri Bottas e Lewis Hamilton, respectivamente andando durante a manhã e a tarde, fizeram 1-2 pela segunda vez em três dias. Só não aconteceu na quinta-feira, quando a equipe prateada apostou em simulações de corrida, sem andar com os compostos mais macios. A cereja do bolo foi a engenhosa decisão de desenvolver o DAS, o volante ajustável que permite à equipe de Brackley usar duas configurações diferentes de cambagem ao mesmo tempo. Outro ponto, mas que nem chega a surpreender tanto, é como o carro é confiável: ninguém deu mais voltas em Barcelona do que a dupla Lewis Hamilton e Valtteri Bottas, totalizando 494 voltas.
A Mercedes segue dando as cartas na F1 (Foto: Mercedes)

É sempre verdade que estamos falando de testes e algumas análises podem se provar erradas. O mesmo vale para a Mercedes, quem sabe. Acontece que não há o que apontar de negativo no box prateado nesses três dias de Barcelona. O carro não quebrou e deu bom sinais em volta rápida, em simulação de corrida, com pneus macios, com pneus duros… É realmente como se a Mercedes tivesse gabaritado a prova na despedida da geração atual de carros e estivesse em vias de confirmar 100% de aproveitamento no período entre as grandes transformações de 2014 e 2021.

 
Se seguirmos caminhando pelo paddock, vamos chegar a uma equipe em situação bem diferente: é a Ferrari, que ainda não mostrou muito a que veio. Até ontem ainda se podia falar em esconder o jogo, em andar sem pensar em voltas rápidas. Só que a quebra do motor de Sebastian Vettel justo no primeiro dia em que o SF1000 ousou usar mais potência é uma enorme pulga atrás da orelha dos italianos. Antes mesmo de sabermos como está a aerodinâmica do carro, que não seria tão boa, de acordo com relatos da imprensa italiana, já estamos aqui debatendo a confiabilidade do bólido. Não que a escuderia corra risco de viver um ano como o da McLaren em 2015, mas qualquer abandono custa muito caro contra uma Mercedes que é um verdadeiro tanque de guerra quando o assunto é confiabilidade.
Sebastian Vettel sofreu falha mecânica e parou na pista (Foto: Ferrari)

Dessa forma, a Ferrari parte para 2020 envolta por um pesadelo que já podia ser previsto há meses, mas não era aceito: o de que superar a Mercedes não é algo que pode acontecer apenas apostando em evolução. O SF1000 pode e deve ser um carro melhor que o SF90, mas é difícil crer que não contará nem com rastros das mazelas que causaram derrota avassaladora em 2019. O primeiro sinal, a quebra de hoje, já fala por si. A fala pessimista do chefe Mattia Binotto também.

 
Quem não parece passar por isso é a Red Bull. É bem verdade que Max Verstappen e Alexander Albon ainda não foram para a pista com o intuito de forçar voltas de classificação, mas o RB16 é dos mais confiáveis. São apenas 20 voltas a menos que a Mercedes até aqui, o que permite sonhar com o carro taurino encerrando a pré-temporada como o de maior quilometragem. De quebra, as simulações de corrida trouxeram bom ritmo e deixaram uma impressão positiva como um todo.
 
No fim das contas, não há jogo jogado. Só que sempre teremos os favoritos e os que correm por fora. Aplausos para a Mercedes, que conseguiu virar favorita tão logo pisou em Barcelona. Aplausos também para a Red Bull, que de fato parece capaz de colher frutos no processo de continuidade. Ainda não há vaias para a Ferrari, mas isso pode ser questão de tempo. Seguindo assim, caminhamos lentamente na direção de viver um 2020 que, verdade seja dita, é apenas um 2019 com roupagem nova.
 

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