Como foi a última vez de Vettel como piloto de Fórmula 1 em São Paulo

O GRANDE PRÊMIO acompanhou os últimos passos do tetracampeão na Fórmula 1. Em Interlagos, 'Seb' sentiu o calor do público e mostrou por que é um dos grandes da história do esporte a motor

Despedidas, de qualquer tipo, nunca são fáceis. Junte um piloto enorme, tetracampeão mundial, com uma pista igualmente especial… e tudo fica ainda mais complicado. O GRANDE PRÊMIO acompanhou, de pertinho, como foi a ‘última dança’ de Sebastian Vettel em Interlagos, no GP de São Paulo da temporada de 2022 da Fórmula 1.

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A relação Vettel-Interlagos é especial, claro. No último domingo, a 11ª colocação definitivamente não foi o ponto alto dessa dinâmica, mas é impossível esquecer a afinidade do alemão com a pista. Os números não mentem: entre 2008 e 2018, terminou todas as vezes entre os 6 primeiros — conseguindo ainda três vitórias e cinco pódios no processo.

O ditado popular diria que os opostos se atraem. Vettel e Interlagos quebram essa expectativa, no entanto. Por muitas vezes, os similares — especiais — também tendem a caminhar juntos. E olha que nem mencionamos 2012, hein? Foi em São Paulo, afinal, que o alemão foi coroado tricampeão mundial. Em grandíssimo estilo, diga-se de passagem.

Sebastian Vettel foi campeão em 2012 no circuito de Interlagos. Relação é especial (Foto: Red Bull Content Pool)

“Muitas boas memórias. Ótimos momentos na corrida, ótimos momentos depois dela. Acho que, tão somente, há algo muito especial sobre esse lugar”, afirmou Vettel antes mesmo de desembarcar em São Paulo.

Assim que chegou, o alemão sentiu o calor humano brasileiro. A equipe do GRANDE PRÊMIO constatou: desde quinta-feira, no primeiro dia de paddock aberto e lotado, Vettel foi paparicado. Tietado. Intensamente requisitado pela imprensa. Não que isso representasse alguma surpresa, longe disso. Total esperado e merecido.

Enquanto aguardávamos no ‘cercadinho’, local onde a imprensa escrita pode aguardar a passagem dos pilotos após suas respectivas entrevistas para TV’s e mídias oficiais, pudemos observar cuidadosamente Vettel. O alemão falou extensivamente com todos os veículos, passou um bom tempo conversando nesta primeira sessão — foi o que mais permaneceu por lá, inclusive. Não nos visitou no ‘cercadinho’, entretanto, já que foi encaminhado pela assessoria da Aston Martin diretamente para a sala da equipe no paddock.

Vettel na chegada ao paddock, na quinta-feira (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)

Sinal de arrogância? Longe disso. Muitos pilotos também não passaram pelo ‘cercadinho’, simplesmente por falta de tempo. E a agenda do alemão, de fato, apontava para muitos compromissos. Um deles, inclusive, característico de um Vettel cada vez mais engajado em causas ambientais e sociais.

Em Itu, interior de São Paulo, o piloto da Aston Martin arranjou tempo para visitar a Fundação SOS Mata Atlântica. Por lá, Vettel conheceu programas atrelados a restauração florestal, áreas protegidas e água limpa — além de ficar por dentro do bioma da própria floresta.

Segundo a fundação, Vettel também foi apresentado a um “sistema de produção de mudas nativas, além de contemplar, do alto de uma torre, a transformação de uma área anteriormente desmatada para o cultivo de café, que depois foi usada como pastagem e, agora, está voltando a ser uma floresta.”

Vettel visitando a Fundação SOS Mata Atlântica, em Itu (Foto: SOS Mata Atlântica)

Sinal de grandeza, de alguém que usa a voz que tem, como piloto de Fórmula 1, como plataforma de causas importantes para a sociedade. É justamente por isso que, também — além de seu currículo nas pistas —, Vettel acumula fãs.

Em Interlagos, o tetracampeão teve o nome gritado, bandeiras com seu rosto flamuladas e capacetes e camisas em sua homenagem desfilados. No paddock, não era incomum notar alguém com vestimentas dedicadas a Seb. A cada rara aparição no local, berros de seu nome davam o tom.

Houve espaço para descontração, também, claro. Vettel, que chegou ao paddock com uma camisa que unia as bandeiras do Brasil e da Alemanha, pôde ser visto jogando tênis de mesa com Timo Glock. Partida de nível surpreendentemente alto, vale dizer, como constatou a equipe do GRANDE PRÊMIO — que estava na arquibancada VIP da peleja, de pertinho.

O craque do tênis de mesa, Sebastian Vettel (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)

A grande verdade é que Vettel só foi menos assediado e exaltado do que Lewis Hamilton, evidentemente. E a via de carinho tinha mão dupla. O alemão convidou um torcedor brasileiro, que enviou uma carta especial ao piloto, para acompanhar a prova em Interlagos de pertinho com um ingresso VIP e acesso à estrutura da Aston Martin. Também agradou uma fã que viajou quase 3.000km para o GP de São Paulo: em meio à correria, tirou fotos e chegou até a autografar os tênis dela.

Além dos fãs, o piloto da Aston Martin também teve sempre Mick Schumacher ao seu lado. O piloto da Haas tem em Vettel um mentor, tal qual seu pai, o heptacampeão Michael Schumacher foi para o jovem ‘Seb’ no início da carreira na Fórmula 1. E também não era incomum ver os dois papeando no paddock, quando poucas vezes pudemos vê-los.

Vettel e Schumacher não se desgrudaram nem mesmo antes do desfile dos pilotos pela pista de Interlagos, tradição da Fórmula 1 antes de cada corrida. Ao contrário do restante do grid, os dois alemães participaram do evento juntos, no mesmo carro, com o membro da Haas no volante.

Rápido registro de Vettel e Schumacher juntos no paddock (Vídeo: Felipe Leite/GRANDE PRÊMIO)

Na pista, a sexta-feira para o tetracampeão foi, de certa maneira, animadora. No TL1, Vettel foi ‘o melhor do resto’ e terminou a sessão inaugural em São Paulo na 7ª colocação, atrás somente da Red Bull, Ferrari e Mercedes. Na classificação caótica, que resultou em pole-position para Kevin Magnussen, perdeu vaga no Q3 somente por 0s1.

“Para ser sincero, fiquei muito feliz com a volta, então começou a chuviscar, e talvez o tempo não fosse o ideal. É uma pena, pois achei que poderíamos ter avançado hoje. Há muito para jogar amanhã (sábado) e domingo”, prometeu.

O tal amanhã chegou e, na sprint race, o piloto da Aston Martin teve bom desempenho. Terminou em 9º e, por pouco, não levou um pontinho para casa. Ainda deu tempo de tomar uma fechada do próprio companheiro de equipe, Lance Stroll. Mas não havia nada que pudesse abalar o sentimento positivo de despedida em Interlagos.

Sebastian Vettel terminou a sprint race em nono (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)

“Acho que tudo pode acontecer num tempo curto. Eu tentei pegar o vácuo, ele me fechou, eu toquei a grama e consegui voltar para a pista. Felizmente, poderemos trabalhar juntos, até porque eu pareci ter um ritmo melhor hoje”, disse, à ocasião.

Na corrida principal, Vettel voltou a bater na trave. O alemão até largou bem, mas perdeu posições após o primeiro pit-stop e, a partir daí, “a tarde começou a mudar”. Na segunda relargada em Interlagos, deu azar de estar com pneus médios.

“Parece que deveríamos ter marcado mais pontos hoje, mas, considerando a maneira como as coisas aconteceram, não acho que poderíamos ter feito muito mais. Corrida às vezes é assim”, afirmou Vettel, 11º colocado.

Sebastian Vettel se despediu de Interlagos com um 11º lugar (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)

Assim foi a última vez de Vettel como piloto de Fórmula 1 no templo de Interlagos. Se, na pista, ‘Seb’ não conseguiu grandes resultados, o alemão mostrou seu verdadeiro valor fora dela — e não deixou de, justamente, ser aclamado pelo público. Que o gosto da última dança tenha sido doce para o enorme tetracampeão mundial.

Danke, Seb. Valeu demais.

GRANDE PRÊMIO cobriu o GP de São Paulo de Fórmula 1 ‘in loco’ com Ana Paula Cerveira, André Netto, Evelyn Guimarães, Felipe Leite, Gabriel Curty, João Pedro Nascimento, Luana Marino, Rodrigo Berton, Pedro Henrique Marum e Victor Martins. A F1 encerra a temporada com o GP de Abu Dhabi já entre os dias 18 e 20 de novembro.

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