Ex-chefe da Haas diz que F1 “protegeu Andretti de si mesma” ao rejeitar entrada

Ex-chefe de equipe da Haas, Guenther Steiner afirmou que a Fórmula 1 está protegendo a Andretti "de si mesma" ao recusar a entrada da equipe na categoria já em 2025

Guenther Steiner se pronunciou sobre a negativa por parte da Fórmula 1 à entrada da Andretti na categoria antes de 2028. O ex-chefe de equipe da Haas acredita que a decisão é uma maneira de proteger a esquadra que leva o nome do campeão mundial de 1978, Mario Andretti, uma vez que haverá mais tempo para que a equipe tenha em mãos um carro competitivo.

Em outubro do ano passado, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) anunciou que havia aprovado a candidatura da Andretti para compor o grid da F1.  No entanto, o processo de entrada da equipe norte-americana precisava do apoio da Formula One Management (FOM) e dos demais times que, na última quarta-feira (31), anunciaram que haviam rejeitado o ingresso da escuderia de Michael Andretti à classe rainha.

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Steiner, que foi substituído por Ayao Komatsu no comando da equipe de Gene Haas no início deste ano, acredita que a F1 tenha achado o projeto “muito ambicioso”. “Não tenho todas as informações. Talvez eles tenham olhado para [os planos da Andretti] e tenham gostado, mas querem ter certeza de que terão sucesso quando chegarem, protegê-los de si mesmo”, afirmou.

“Acho que a F1 está protegendo todas as equipes, todos os envolvidos no esporte, eles não fecharam a porta completamente. Disseram que 2028 é um novo dia, um novo ano, ainda faltam alguns anos, não é amanhã, mas a porta está aberta. Mostre-nos que você pode se preparar e ser competitivo até lá e acho que os receberíamos bem”, acrescentou.

Michael Andretti teve sua entrada na F1 recusada pela categoria e atuais equipes do grid (Foto: Indycar)

O ex-dirigente explicou como a chegada de uma nova equipe, mesmo que competitiva, pode prejudicar as demais. De acordo com ele, apesar da recusa, é importante manter a Andretti por perto.

“Não existe um número ideal [de equipes]. Se você tem 11 ou 12 equipes muito competitivas, isso não é ruim, mas também precisa ter respaldo do ponto de vista comercial”, salientou.

“Para ter mais equipes, é preciso dividir o dinheiro com mais pessoas, o que rende menos para todos. Então, de repente, mesmo que você tenha 12 equipes competitivas, algumas não terão dinheiro suficiente e ficarão para trás. Mas então você tem de manter essas pessoas por perto porque elas têm licença. Não podemos dizer que não tem permissão”, sublinhou.

Steiner ainda usou o sistema de rebaixamento de times existente no futebol para exemplificar como não há um modelo parecido na F1 que cause um impacto nas equipes com baixo rendimento.

“O problema da F1 é que você não tem rebaixamento. Não é como no futebol. Se no futebol você não colocar o esforço e os meios financeiros necessários, você é rebaixado e esse é o seu destino. Mas na F1, uma vez que você entra, você tem o direito de permanecer. Não para sempre, pois nada é para sempre, mas por muito tempo. Essa é a parte difícil”, avaliou.

Com a rejeição da Andretti, a Haas continua sendo a mais recente participante do grid, tendo feito a sua estreia há oito anos. Aproveitando o seu bom relacionamento com a Ferrari, a equipe da Carolina do Norte chegou a terminar o Mundial em quinto lugar em 2018. Porém, nos últimos anos, o time tem sido uma presença constante na parte de baixo da tabela.

Por sua vez, Guenther acredita que seria injusto comparar a entrada da Haas com a da Andretti, considerando que a categoria passou por muitas mudanças nos últimos anos, desde a implementação do teto orçamentário até o aumento no número de testes aerodinâmicos — ambos com o objetivo de aumentar a competitividade.

“Quando chegamos, era uma F1 completamente diferente do que é agora”, explicou ele. “Quando chegamos em 2016, acho que era um momento em que havia [outras] equipes mais fracas, e era esperado que houvesse equipes que não fossem tão rápidas, então tivemos muito menos pressão do que qualquer outra equipe que entrasse agora”, admitiu.

“A expectativa é que todas sejam competitivas agora, todas sejam estáveis. Quando entramos, havia a necessidade de [novas] equipes, então era um cenário completamente diferente. Era muito difícil fazer isso na época e não se tornou mais fácil, especialmente agora que existe um limite orçamentário. Então, se alguém quiser entrar e ser competitivo gastando mais do que todo mundo no primeiro ou dois anos, ele não vai conseguir fazer isso. Você não pode fazer mais do que os outros. A única coisa que você não tem é a experiência que as outras pessoas têm”, explicou.

Desta forma, Steiner concluiu dizendo que a Andretti será aprovada assim que comprovar que pode ser competitiva desde o primeiro dia.

“É muito, muito difícil. Não estou dizendo que não seja possível, mas se você quiser entrar agora, você precisa pegar sua equipe e se preparar, e ter certeza de que quando chegar à F1, você será tão competitivo quanto é exigido pela categoria. Não há time fraco. Você não pode falhar. A FOM não permitiria que ninguém falhasse. Portanto, você precisa ter 100% de certeza de que pode provar que terá sucesso”, completou.

Fórmula 1 retorna às pistas de 21 a 23 de fevereiro, com os testes coletivos da pré-temporada no Bahrein, no circuito de Sakhir.

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