Ex-piloto com atuação como comissário, Warwick critica e diz que FIA deveria ter pressionado por GP mais cedo no Japão

Derek Warwick, ex-piloto que já atuou como comissário de prova da FIA em corridas de F1, criticou a entidade e disse que a federação deveria ter insistido em alterar o horário da corrida em Suzuka

Ex-piloto e figura frequente entre os competidores convidados pela FIA para o quadro de comissários das provas de F1, Derek Warwick também fez sua avaliação sobre os acontecimentos do GP do Japão, disputado no último domingo (5). A corrida nipônica foi marcada pelo forte acidente com o francês Jules Bianchi, além da chuva intermitente e da expectativa da aproximação de um tufão. Para o inglês, a entidade máxima do automobilismo mundial deveria ter insistido para que a corrida acontecesse mais cedo.

A federação tem sido alvo de críticas devido à violenta batida do piloto da Marussia, que se feriu gravemente no acidente — Bianchi escapou da pista na curva 7, durante a volta 43, e se chocou com o trator que fazia a retirada do carro de Adrian Sutil, que saíra do traçado um giro antes. O francês sofreu traumatismo craniano, passou por uma cirurgia e segue internado na unidade de terapia intensiva do Hospital Universitário de Mie, próximo ao circuito japonês.

Os médicos trabalham no resgate de Jules Bianchi depois do acidente em Suzuka (Foto: Getty Images)

Também por causa da chegada do tufão, que estava previsto para o domingo, dia da corrida, a entidade tentou junto aos organizadores do GP uma alteração no horário da prova, mas os promotores não aceitaram e mantiveram a programação original. Ou seja, a etapa nipônica teve início às 15h, hora local. Apesar de um começo difícil, por conta da chuva, a corrida transcorreu sem maiores incidentes até a colisão de Bianchi, que aconteceu já na parte final, quando a chuva apertou.

Warwick, entretanto, entende que a FIA deveria ter usado toda a sua força política e ter alterado o cronograma. "Antes de tudo, precisamos esperar pela recuperação de Jules. Não devemos perder de vista o fato de que temos um piloto gravemente ferido", afirmou o britânico em entrevista ao 'The Guardian'.

"Mas é um pouco ridículo. Eles, a FIA, Bernie (Ecclestone), Charlie Whiting, os promotores, os operadores do circuito – sabiam que o tempo seria ruim, eles sabiam que teriam de lidar com a pouca luminosidade e que pergunto por que, no sábado, quando podiam informar as pessoas, não adiantaram a corrida", disse.

Perguntado se a FIA e Ecclestone poderiam ter pressionado por uma alteração no horário, Warwick respondeu que "absolutamente". "Se a FIA ou Bernie vão a qualquer circuito e dizem que querem correr uma hora mais cedo e expõem suas razões, eu acho o circuito se curva a essa pressão."

Outros questionamentos feitos pelo ex-piloto se referem aos procedimentos quanto ao resgate da Sauber de Adrian Sutil. Embora com ressalvas, o inglês entende o safety-car era necessário ali naquele momento. "Olhando para o que houve, é claro que deveria ter sido chamado o safety-car. Mas se toda vez que tivermos um incidente e que for preciso retirar um carro formos chamar o safety-car, então será uma bagunça. Na verdade, sempre teremos situações extraordinárias e temos de ter cuidado para não tomar decisões precipitadas. E não acho que haja um culpado aqui."

"Se todo mundo quer que o safety-car saia a cada vez que um carro é colocado para fora, então, tudo bem, vamos trabalhar nisso. Mas eu não acho que é necessário, é melhor deixar pessoas como Charlie e sua equipe tomarem as decisões. Será que ele vai acertar sempre? Provavelmente não, mas meu voto é sempre deixar a decisão final para os profissionais", encerrou.

As imagens do acidente de Jules Bianchi
#GALERIA(5099)

GOSTA DO CONTEÚDO DO GRANDE PRÊMIO?

Você que acompanha nosso trabalho sabe que temos uma equipe grande que produz conteúdo diário e pensa em inovações constantemente. Mesmo durante os tempos de pandemia, nossa preocupação era levar a você atrações novas. Foi assim que criamos uma série de programas em vídeo, ao vivo e inéditos, para se juntar a notícias em primeira-mão, reportagens especiais, seções exclusivas, análises e comentários de especialistas.

Nosso jornalismo sempre foi independente. E precisamos do seu apoio para seguirmos em frente e oferecer o que temos de melhor: nossa credibilidade e qualidade. Seja qual o valor, tenha certeza: é muito importante. Nós retribuímos com benefícios e experiências exclusivas.

Assim, faça parte do GP: você pode apoiar sendo assinante ou tornar-se membro da GPTV, nosso canal no YouTube

Saiba como ajudar