F1
15/03/2018 06:55

Ferrari abre portas da Indy com parceira Scuderia Corsa e aumenta pressão sobre Liberty Media

No momento em que a F1 se encaminha para negociar um novo Pacto da Concórdia para valer a partir de 2021, a Ferrari ameaça novamente deixar o esporte. Sergio Marchionne indica estar totalmente aberto a uma mudança de categoria. “Por que não? Temos a tradição de fazê-lo e estamos pensando nisso”, disse recentemente, no Salão do Automóvel de Genebra. O novo movimento compreende a inscrição da Scuderia Corsa, braço da Ferrari, na Indy 500 deste ano
Warm Up / Redação GP, de Sumaré
 Scuderia Corsa e RLL é a parceria que dará mais uma edição de Indy 500 para Oriol Servià (Foto: Divulgação)

Na última sexta-feira (9), a Scuderia Corsa, braço da Ferrari atuante principalmente no endurance, anunciou sua inscrição para a disputa das 500 Milhas de Indianápolis com o experiente piloto espanhol Oriol Servià. Em teoria, seria mais uma dentre tantas equipes a tentar a glória naquela que é uma das mais importantes corridas do automobilismo mundial, mas o pano de fundo de tal movimento é muito mais amplo e ecoa na F1 e nas ameaças da Ferrari em deixar a categoria se o novo Pacto da Concórdia não for favorável à equipe italiana.
 
O Pacto da Concórdia é o documento que rege as relações comerciais entre a FIA (Federação Internacional de Automobilismo), a detentora dos direitos comerciais, o Liberty Media — atual dono da F1 — e as equipes. A Ferrari é a escuderia com maior poder de influência dentre as dez do grid, detém o direito do veto às regras — algo que a FIA deseja banir — e também recebe um bônus milionário por ser o time mais longevo da categoria. Privilégios que o Liberty Media já indicou que deseja colocar fim no próximo acordo, com validade a partir de 2021.
A Ferrari pressiona o Liberty Media para manter seus privilégios na F1 (Foto: Divulgação)
Como forma de pressionar o Liberty Media a fazer com que o novo acordo continue a beneficiar a Ferrari de alguma forma, Sergio Marchionne já avisou que considera deixar a F1, migrar para outra categoria ou criar uma própria. 
 
Recentemente, no Salão do Automóvel de Genebra, o presidente da Ferrari foi perguntado sobre a possibilidade de colocar a equipe um dia no grid das 500 Milhas de Indianápolis. “Por que não? Temos a tradição de fazê-lo e estamos pensando nisso”, assegurou o dirigente italiano.
 
No fim de fevereiro, Bernie Ecclestone, ex-chefão da F1 e dono de bom trânsito na Ferrari, concedeu entrevista coletiva a jornais britânicos em Londres. E reiterou que a escuderia de Maranello não descarta mesmo deixar a F1.
 
“Algumas pessoas têm uma nova categoria em mente. Sergio falou com as pessoas sobre isso. E se ele decidisse sair, ele sairia. Se a FIA não fizer o que ele acha que é o certo, e isso seria beneficiar a Ferrari, ele sairia”, disse o antigo supremo da F1.
 

Além dos privilégios que o Liberty Media deseja encerrar, há o interesse da empresa norte-americana em tornar a F1 mais igual, e a sugestão para torná-la mais equilibrada é a adoção de um teto de gastos, mecanismo que desagrada não apenas a Ferrari, mas também Mercedes e McLaren. As equipes, sobretudo as mais poderosas, querem negociar o quanto antes os termos do novo acordo. O Liberty Media, chefiado por Chase Carey, diz que ainda é muito cedo.
 
De qualquer forma, não é a primeira vez que a Ferrari flerta com a Indy. Em razão de desacordos com a FIA, Enzo Ferrari surpreendeu ao construir um carro para disputar as 500 Milhas de Indianápolis de 1986, o que não chegou a acontecer. À época, a ação foi apontada como uma ferramenta política para manter a Ferrari em posição privilegiada na F1. O carro é uma das grandes atrações do museu no Indianapolis Motor Speedway.
”VOCÊ TEM DE RESPEITAR”

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