Comissários apontam “incapacidade da FIA de impor limites de pista” na F1 2023

Em meio aos protestos da Haas após o GP dos Estados Unidos, os comissários de prova lançaram críticas e afirmaram que a FIA não tem capacidade para fiscalizar os limites de pista

Após a audiência da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) que envolveu o pedido de revisão da Haas para o resultado do GP dos Estados Unidos, os comissários de prova afirmaram que a entidade máxima do esporte é incapaz de fiscalizar e impor com precisão os limites de pista na Fórmula 1. E solicitaram, ainda, que medidas sejam tomadas para que o problema possa ser solucionado já a partir de 2024.

A FIA negou o pedido de revisão da equipe liderada por Guenther Steiner por não haver “elementos novos, que sejam significativos e relevantes, e que estavam inacessíveis à Haas no momento da decisão”. Isso porque a esquadra norte-americana usou como prova imagens de câmeras onboard, que já estavam disponíveis durante a corrida.

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Porém, embora entendam que existem algumas evidências de alguns carros infringindo os limites de pista, os comissários disseram também que o órgão regulador é incapaz de aplicar punições adequadamente para o “padrão atual de limites de pista”. Todas as falhas foram apontadas pelos comissários no documento que revelou o veredito sobre o caso da Haas.

“Não obstante o resultado formal desta decisão, os comissários viram evidências individuais que mostram o que parecem ser possíveis violações do limite de pista no ápice da Curva 6. Eles consideram a sua incapacidade de aplicar adequadamente o padrão atual para limites de pista para todos os concorrentes, e recomendam que uma solução para evitar novas ocorrências seja implantada.”

Nico Hülkenberg não vai subir na classificação: FIA rejeitou o pedido da Haas sobre o GP dos EUA (Foto: Haas F1 Team)

“Se o problema é abordado adequadamente por melhores soluções tecnológicas, ou por um padrão de regulamentação e aplicação diferente, os comissários deixam para aqueles que estão melhor posicionados para que façam as avaliações”, seguiu. 

Diante dos contratempos, os comissários reconheceram que não é possível encontrar uma solução já para esse ano. Contudo, pediram que a FIA amplie o trabalho no sentido de melhorar a aplicação das regras.

“No entanto, com base no momento desta decisão, é evidente que uma solução completa não pode, por uma questão de praticidade, acontecer este ano. Mas dado o número de circuitos diferentes onde há problemas significativos de limite de pista, reconhecendo que a FIA em conjunto com os circuitos já fizeram avanços significativos, outras soluções deverão ser encontradas antes do início da temporada de 2024”, finalizou.

Entenda o caso

No começo do fim de semana do GP de São Paulo, a Haas anunciara o recurso junto à FIA para pedido de revisão do resultado da corrida de Austin, duas semanas antes, por entender que houve um desrespeito coletivo aos limites de pista que passou ao largo dos comissários.

A FIA aceitou o caso inicialmente e partiu para a fase de averiguação. Como a indagação da Haas era por punição a Sergio Pérez, Lance Stroll, Alexander Albon e Logan Sargeant, a federação chamou a equipe americana junto de Red Bull, Aston Martin e Williams para uma reunião virtual que começou na quarta-feira e terminou nesta quinta-feira.

A questão dos limites de pista, que já foi uma dor de cabeça para a Fórmula 1 em etapas como Áustria Catar, voltou a aparecer nos EUA. De acordo com os sensores, 35 incidentes relacionados à regra foram identificados, mas apenas Alexander Albon foi punido, com 5s.

A questão é que a Haas analisou as câmeras onboard de todos os carros que disputaram a etapa americana e encontrou um número muito maior de infrações, o que motivou a equipe a buscar uma apelação junto à entidade. Vale lembrar que, após o fim da corrida, imagens do RB19 de Sergio Pérez indicaram que o mexicano também passou por fora dos limites na curva 6 cerca de 21 vezes.

Sergio Pérez estava na mira da investigação da FIA (Foto: Rodrigo Berton/Warm Up)

Ainda segundo o time americano, três outros pilotos também escaparam ilesos: Logan Sargeant deveria ter recebido três penalidades de 5s, Lance Stroll outras 19 de 5s, e Pérez, na avaliação da Haas, incríveis 22 punições de 5s. E Albon deveria ter recebido outros 15s de punição, totalizando 20s ao fim da corrida. Por isso, a FIA enviou um comunicado para Williams, Aston Martin e Red Bull comparecerem a uma reunião por vídeochamada.

Segundo o diretor de prova Niels Wittich, a qualidade das imagens produzidas pela câmera da curva 6 dificultou a análise da FIA, e não foi possível definir claramente se os pilotos excederam os limites naquele ponto.

Caso o protesto da equipe fosse aceito, a ordem da classificação final ficaria da seguinte forma: Verstappen, Norris, Sainz, Russell, Gasly, Tsunoda, Hülkenberg, Valtteri Bottas, Sargeant e Pérez.

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