FIA revela planos para barrar ‘modo festa’ da Mercedes. Hamilton crê em perseguição

A entidade que regula a Fórmula 1 enviou uma carta às equipes na qual revela as determinações para que, a partir do fim de semana do GP da Bélgica, seja usado o mesmo modo de motor na classificação e na corrida. Lewis Hamilton criticou a medida, mas desdenhou: “Eles estão sempre tentando nos frear. Mas isso não muda muito para nós”

Por meio do seu secretário-geral, Peter Bayer, a FIA (Federação Internacional de Automobilismo), em carta enviada às equipes nesta semana, revelou as determinações do que vai se tornar uma diretiva técnica e será aplicada a partir do GP da Bélgica, dentro de 15 dias, sobre a redução das possibilidades de ajuste do motor entre a classificação e a corrida. Desta forma, o chamado ‘modo festa’, conjunto de ajustes que aumentam a potência dos propulsores para a definição do grid de largada, está com os dias contados.

Segundo o texto, a “multiplicidade e complexidade dos modos utilizados tornam extremamente difícil para a FIA fiscalizar o cumprimento de todas as normas e disposições relativas à unidade de potência em momentos críticos e específicos do evento”. A entidade também argumenta que “mudanças nos modos do motor de combustão que estão em vigor podem significar que o piloto não está guiando o carro sozinho e sem ajuda”.

“Para resolver as preocupações acima no futuro, vamos solicitar que, durante a sessão de classificação e a corrida, a unidade de potência opere somente em um modo”, completou a FIA.

A Mercedes vai ficar sem o ‘modo festa’ a partir do GP da Bélgica (Foto: Mercedes)

Desde o começo da era híbrida, em 2014, a Mercedes conquistou 99 poles na F1 e foi derrotada somente 27 vezes em classificação. Nesta temporada 2020, a escuderia de Brackley vem impondo diferenças cada vez maiores perante as rivais, variando entre 0s9 e 1s para a segunda equipe mais rápida nos últimos treinos classificatórios dos finais de semana de GP da Inglaterra e GP dos 70 Anos da F1 em Silverstone, Red Bull e Racing Point, respectivamente.

Hamilton vê perseguição, Leclerc acha medida positiva e Russell lamenta

O tema foi abordado por vários pilotos nas entrevistas coletivas da última quinta-feira em Barcelona. Lewis Hamilton, que desde 2014 conquistou nada menos que 62 de um total de 91 poles na carreira, entende que a manobra faz parte do jogo da FIA para brecar a Mercedes.

“Não é uma surpresa. Eles estão sempre tentando nos frear. Mas isso não muda muito para nós, não é um problema. No fim das contas, o pessoal da nossa equipe faz um ótimo trabalho com o motor. Obviamente é para nos atrasar, mas não acho que vai ter o resultado que eles desejam. Mas está tudo bem se eles fizerem”, disparou o hexacampeão.

Por outro lado, Charles Leclerc e Sebastian Vettel, da Ferrari, entendem que a medida não muda muito a situação da equipe, mas traz um viés positivo.

“Pra ser sincero, não acho que isso vai nos afetar muito, então creio que só pode ser positivo para nós. O quão benéfico isso vai ser, ainda vamos ter de ver. Mas, para nós, posso dizer que não temos nada diferente da classificação em relação à corrida. Então, para nós, não vai mudar nada”, disse o monegasco, que foi endossado pelo tetracampeão do mundo.

“Vamos esperar e ver o que acontece. Sempre depende do que você consegue fazer, creio. Se você tem alguma coisa desenvolvida no seu motor que pode provavelmente te dar uma quilometragem maior com mais potência, mais pressão no motor, portanto, provavelmente não é a melhor notícia. Mas, partindo de onde estamos agora, como Charles disse, não nos afeta”, salientou.

Já quem usa motor Mercedes, assim como Hamilton, não aprovou o fim do chamado ‘modo festa’. Para Lance Stroll, da Racing Point, “a Fórmula 1 é sobre operar na capacidade máxima do carro e do motor. Acho que queremos ver todas as fornecedoras de motor, as equipes, o desenvolvimento do carro, tudo sendo levado ao limite. Não acho que seria bonito de ver”.

Com o motor Mercedes, Russell já foi ao Q2 quatro vezes na atual temporada (Foto: Williams)

Por sua vez, George Russell, piloto da Williams, revelou que “ficaria decepcionado em perder” o ‘modo festa’. O piloto tem conseguido evoluir de maneira notável em ritmo de classificação neste ano, a ponto de colocar a Williams no Q2 quatro vezes consecutivas, desde o GP da Estíria.

“Acho que cada fornecedor de motor tem um impulso para a classificação. Quando você está dentro do carro, você acelera com a menor carga de combustível que você tem em todo o fim de semana, você tem o motor no seu modo mais rápido, está animado e pronto para aquela volta que está prestes a fazer. Tudo parece um pouquinho extra e permite que você tire um pouco mais do carro, e essa é uma parte empolgante do fim de semana”, explicou o inglês de 22 anos.

“Você tem aquela volta para dar tudo e então se concentrar na corrida. Então, ficaria decepcionado por ver tudo isso ir embora”, lamentou.

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